Kamen Rider Legend-Temporada 3 - Femme Survive: uma nova cgance para Yui. -Capítulo 1
PRÓLOGO —O Leite Derramado Não Volta… Mas Pode Aquecer
O Novo Mundo construído por Build e consolidado pela decisão de Zi-O de selar, Ohma-Zi-O, seu eu demoníaco do futuro, abdicando ao seu reinado predestinado, para salvar seus amigos; estava em paz.
Não era uma paz frágil.
Nem a calmaria que antecede tempestades.
Era uma paz construída.
Forjada por sacrifícios que poucos lembravam —mas que todos sentiam.
O céu estava limpo naquela tarde.
As ruas seguiam seu ritmo comum.
As pessoas viviam.
Era para isso que o mundo havia sido recriado.
Dentro de uma pequena cafeteria de fachada simples, o aroma doce de leite aquecido preenchia o ar.
A placa acima da porta dizia:
Milk Dipper.
Ali, o tempo parecia sempre andar mais devagar, seguindo seu próprio curso particular.
Atrás do balcão, com a serenidade de quem já esperou por alguém através de eras, estava Airi Nogami
Ela mexia lentamente uma xícara.
Não por distração.
Mas por hábito.
O som da colher tocando porcelana era quase um metrônomo suave.
Sentada próxima à janela, observando o reflexo do próprio rosto no vidro, estava Hana, a sua filha que não havia nascido, por ter sua história destruída pelos Imagins do futuro, mas que existia, por ser um ponto singular do tempo.
Ela observa :
—O mundo anda calmo demais depois do reset que o Build deu e o Zi-O consolidou…
—Eu ainda não nasci nesse mundo, no entanto, me tornei a Kamen Rider Den Girl…—após uma pausa, ela prossegue —…mas, eu gostaria de ser a sua filha de fato e de direito.
—Tecnicamente, ainda não sou e isso me entristece.
Airi sorriu com delicadeza:
— Calma não é ausência de movimento. Quanto a questão de ser minha filha, mesmo tendo o passado apagado e não nascido do meu ventre, você é minha filha.
—Yuuto e eu consideramos assim…
—Ryotarou, seu tio, também. E temos orgulho de você.
Hana não respondeu de imediato.
Seus olhos estavam fixos no reflexo da rua.
Mas não era a rua que ela via.
Era outro reflexo.
Outro mundo. Um mundo de espelhos.
Um mundo onde uma garota esperou tempo demais para ser salva.
Hana suspirou:
—Tem razão, mamãe…Eu não posso reclamar. Sempre fui acolhida. Pelo Owner, no Den-Liner…
—Pelo Ryotarou e até por aqueles estúpidos Imagins.
—Mas, nesse Novo Mundo nem todo mundo foi reconstruído como deveria…
—Na história dos Kamen Riders tem uma lacuna e a senhora sabe qual é…
A colher de Airi parou.
Airi ergueu o olhar, já marejado:
—Você está falando dela, né?
Hana assentiu.
O nome não precisou ser dito.
Mas, ainda assim, foi.
—Yui Kanzaki.
O silêncio que se seguiu não era pesado.
Era respeitoso.
O Novo Mundo havia sido salvo de reis demoníacos, de colapsos dimensionais, de guerras entre Riders.
Mas havia histórias que não terminavam com batalhas.
Algumas terminavam com despedidas.
Outras… nem isso.
Mas, o destino parecia ter ouvido aquela fala de mãe e filha.
Minutos depois, a porta da Milk Dipper se abriu suavemente.
O sino acima dela tocou com delicadeza.
O vento entrou primeiro. Depois, dois visitantes.
Um jovem vestido elegantemente, com chapéu preto, carregando um grande livro.
A outra, vestida de branco e com um colar estilizado colocado na cabeça, cobrindo parcialmente a testa e um olhar que atravessava mundos.
Touma Kamiyama e Sophia.
Hana se levantou devagar.
Ela já sabia.
Não era coincidência.
Era convocação.
Touma fechou o livro contra o peito, dizendo:
—O Novo Mundo está estável.
Sophia completou:
—Justamente por isso… podemos tentar algo que antes seria impossível.
Airi serviu duas xícaras. Como se já esperasse por aquela conversa.
Hana encarou Touma:
— É sobre Yui, não é?
Touma assentiu.
—E sobre o que significa existir… depois do fim.
Lá fora, o reflexo do céu no vidro tremulou com o movimento de um carro passando.
Por um breve segundo, o reflexo pareceu outro.
Como se o mundo observasse a si mesmo.
E talvez estivesse.
Porque, no Novo Mundo, sobreviver já não bastava. Agora era hora de escolher permanecer.
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E, em algum lugar além dos espelhos, uma garota que sempre foi símbolo de sacrifício estava prestes a receber algo que nunca teve:
Uma segunda chance.
CAPÍTULO 1 — Ecos Que Não São de Guerra
No dia seguinte, a Milk Dipper estava fechada.
Não por luto.
Nem por emergência.
Mas por decisão.
As cadeiras foram arrastadas para formar um círculo.
Não havia cabeceira.
Não havia líder.
Apenas mulheres que conheciam o peso de escolhas impossíveis.
As Riders Girls Remix.
Todas com suas histórias e perdas.
Recentemente, com ajuda de Yui Kanzaki, Tsukuyomi havia liberado seu amado Sougo Tokiwa das mãos de Swartz, que controlava a mente de Shiro Kanzaki, do Mirror Word (Mundo dos Espelhos) (*01).
Misora e Sawa, estavam em estágio avançado para se tornarem respectivamente, as Kamen Riders Vernage e Kamen Build Rogue, consolidando a expansão da equipe de guerreiras Riders Remix , que já se firmava como um importante braço operacional da Irmandade Rider.
A equipe, em breve teria a adesão da Nova Tackle, agora reconhecida como Rider e de Natsumi Hikari, a Kamen Rider Kiva-la.
Sachika Amane, por sua vez acabara de se tornar Kamen Rider Happypare e após, intensa batalha no Mundo Granute, com ajuda de Shoma e Riders aliados, conseguiu salvar Rakia Amarga (*02).
Não sem perdas significativas.
No caso dela, parte de suas memórias
Naquele encontro, Tsukuyomi foi a primeira a falar.
O assunto não poderia ser outro: Yui Kanzaki.
Ela não levantou a voz:
— Eu lutei ao lado dela.
O silêncio se assentou como um acordo.
Ela prosseguiu:
—No mundo dos espelhos… quando Swartz dominava a mente de Shiro… — sua respiração ficou levemente mais pesada — Yui poderia ter deixado tudo ruir. Poderia ter protegido apenas o que restava do mundo dela.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Mas ela escolheu ajudar a salvar o Sougo e a mim.
O nome pairou no ar como memória de uma guerra superada.
—Ela não lutava por vitória. Lutava por alguém.
Sachika Amane segurava a xícara com as duas mãos.
— Eu entendo isso...
Todos os olhares se voltaram para ela.
—Quando Lakian estava perdido no Mundo Granute… — sua voz falhou por um segundo, mas voltou firme — Ninguém me obrigou a ir atrás dele. Ninguém disse que era minha responsabilidade.
Ela ergueu o olhar.
—Mas, mesmo contrariando o meu querido Umasho —referência carinhosa a Shoma —… eu fui.
Um pequeno silêncio se verifica na cafeteria.
Ela prossegue:
—Perdi parte de memórias importantes…
—Estou me recuperando aos poucos...
—No entanto, às vezes a pessoa não precisa de um salvador. Precisa de alguém que acredite quando ela mesma já desistiu.
Hana cruzou os braços e opina:
—Eu já vi linhas do tempo serem destruídas por egoísmo. Mas também vi o impossível ser revertido por afeto.
Ela olhou para Tsukuyomi e disse, com certa tristeza:
—Yui nunca teve tempo para escolher quem queria ser.
Akiko Narumi inclinou-se para frente:
—Crescer presa num jogo criado pelo próprio irmão… isso não é destino. É aprisionamento emocional.
Sakura Igarashi falou com firmeza serena:
—Eu precisei enfrentar o meu próprio demônio para entender que eu não era definida por ele.
Ela respirou fundo e prossegue:
—Do mesmo modo, Yui também não pode ser definida pelo conflito de Shiro.
Hana Natsuki apoiou o queixo na mão:
—Redenção não é apagar o passado. É sobreviver a ele. Eu vivi isso…
—Sakura e seus irmãos, me ajudaram a sair do inferno que eu mesma criei pra mim.
Poppy Pippopapo, nesse instante levantou a mão suavemente:
—Eu fui criada como parte de um sistema....De um jogo. Eu era uma função, não pessoa.
Poppy, então, sorri:
—Alguém escolheu me ver diferente. Talvez seja isso que Yui precise. Alguém que a veja fora do contrato.
—Estou “pippopapo” ansiosa para receber e acolher a Yui no nosso time…
IZU, com o chip auricular azulado brilhando intensamente concorda:
—A exemplo de Poppy, também fui criada como parte de um Sistema de Inteligência Artificial avançada.
—Aruto-san enxergou além…E eu evoluí…
Reika Shindai falou com elegância contida;
—Disciplina ensina resistência. Convivência ensina identidade.
Rinne Kudo completou:
—O isolamento prolongado distorce qualquer percepção de realidade. Se o Mirror World a moldou, não significa que ele a define.
—E se todas as coisas nascem do zero, podemos criar o um pra ela — numa alusão ao conceito básico da alquimia moderna.
Misora Isurugi mexia lentamente na colher da xícara, também refletiu:
—Sento reconstruiu o mundo com ciência. Mas ele sempre disse que ciência não cura solidão.
Ela ergueu os olhos:
—Talvez essa parte seja nossa.
Tsukuyomi respirou fundo:
—Quando lutei ao lado de Yui… eu vi algo que eu reconheci.
Ela abriu os olhos relembrando o encontro que tiveram no Mirror World:
— Não era ódio.
— Era resignação.
A palavra ecoou no ambiente.
As Riders Girls Remix estavam dispostas a mudar aquela história triste e injusta.
Embora fosse um desejo comum de todas, o fato era que, para Yui Kanzaki viver fora do Mirror Word, não era um processo simples.
Eram muitas variáveis envolvidas e Yui corria o risco real de ter a sua existência anulada por completo, se algo desse errado.
Até Sento e Karizaki, com todo o talento e genialidade que lhes eram peculiares, não encontraram ainda a chave para essa solução.
A vinda de Touma Kamiyama e Sophia trouxe nova luz e perspectivas para trazer Yui ao mundo real de volta.
No entanto, tudo era feito com muito cuidado e critério.
Da parte delas, as Girls Remix, o que elas conseguiram fazer era manter contato frequente com Yui nos espelhos, evitando que ela se sentisse completamente sozinha.
Mas isso era pouco.
Elas queriam mais.
Sachika, em apoio, segurou a mão de Tsukuyomi:
—Sento-kun…, Karizaki-kun e agora Touma-kun e Sophia, unindo ciência e memória estão resolvendo a questão de Yui por fora…
—Então vamos oferecer outra coisa. Ajudar por dentro…
— Ou seja, pertencimento.
—Olhando a historia de todas vocês e também a minha história, percebo algo em comum: todas acolhemos, fomos acolhidas por alguém e agora, como equipe nos acolhemos mutuamente…
— Yui não teve isso…
Novo silêncio., denotando uma concordância tácita com aquelas ponderações sensatas de Sachika.
Airi Nogami concorda:
—E amor e carinho não faltará a Yui...
Hana olhou ao redor do círculo e ponderou:
—Se ela vier…não será protegida como alguém frágil que careça de pena. Acredito que nem ela queira isso…
Akiko completou:
—Nem tratada como símbolo.
Sakura assentiu:
— Será uma de nós.
Poppy sorriu:
—Com direito a falhas e risadas. Isso é “pippopapo” humano.
Reika concluiu:
— E responsabilidade.
Tsukuyomi então falou como se encerrasse um ritual invisível:
—Girls Remix…estamos de acordo?
Uma a uma, todas assentiram. Não houve votação formal.
Não houve imposição. Houve escolha coletiva.
Sachika foi a última a falar.
— Vamos buscá-la.
xxxxx
Do lado de fora, a superfície da janela refletiu algo diferente.
Por um instante, o reflexo não devolveu apenas a imagem da cafeteria.
Mas a silhueta de uma garota de cabelos curtos, parada em outro mundo.
Yui Kanzaki levou a mão ao peito.
Algo havia mudado.
Não era ruptura.
Não era ameaça.
Era…chamado.
“As meninas acabaram de me provarem que não estou mais sozinha. Elas entendem o que sinto. Isso significa muito pra mim…E isso tem que ser maior que meu medo”… — ela pensou.
E pela primeira vez desde que o jogo começou, não parecia que o espelho exigia sacrifício.
Notas
(*01) Conforme fanfic intitulada "Tsukuyomi, a viajante do tempo", de Jirayrider_Decade;
(*02) Conforme fanfic intitulada, "Sachika, a Rider Happypare e o resgaste de Rakia", de Jirayrider_Decade;



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