Kamen Rider Legend -Temporada 3 - Sachika Amane, a Kamen Rider Happypare e o resgate de Rakia - Capítulo 02
CAPÍTULO 02 — PESO DE UMA ESCOLHA
Parte 1: A Conversa Difícil
Sachika não conseguiu dormir naquela noite.
Ficou deitada na cama, olhando para o teto, pensando em como ia explicar para Shoma a sua decisão de se tornar uma Rider tal qual as amigas da Girls Remix.
“Como eu digo isso sem que ele surte?” — pensou, aflita.
Ela conhecia o garoto.
Conhecia o peso que ele carregava, a culpa que sentia por cada pessoa que se machucava perto dele.
Se ela dissesse que ia se tornar uma Rider, ele ia tentar impedir. Não por egoísmo — mas por medo de perdê-la também.
Às quatro da manhã, ela desistiu de dormir.
Levantou, tomou banho, preparou café e ficou sentada na cozinha até o sol nascer.
Quando Shoma chegou na Happipare às sete, encontrou Sachika já trabalhando.
— Bom dia, Sachika-san! — ele disse, animado. — Você chegou cedo hoje!
Ela sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.
—Bom dia, “Umasho”... Precisamos conversar.
O tom sério fez o sorriso dele desaparecer.
— …Aconteceu alguma coisa?
Ela respirou fundo:
— Senta aqui.
Shoma sentou, visivelmente preocupado.
Sachika serviu café para os dois, deu um gole no seu, e então disse:
—Eu vou me tornar uma Kamen Rider.
O silêncio foi instantâneo.
Shoma ficou parado, segurando a xícara no ar, como se o cérebro dele tivesse travado.
— …O quê?
Segurando de leve as mãos de Shoma, Sachika esclarece:
— O Sento e Karizaki vão criar um Driver pra mim. Seguro, tecnológico, sem cirurgia.
Ela falou rápido, como se precisasse soltar tudo antes de perder a coragem:
— Eu decidi. Vou treinar, vou lutar, e vou resgatar o Rakia.
Shoma colocou a xícara na mesa, devagar e apertou de modo delicado a mão de Sachika:
— Sachika-san… — a voz dele saiu baixa, controlada. — Você sabe o que tá dizendo?
— Sei. — a resposta veio imediata.
— Não, você não sabe.
Ele se levantou, agitado.
— Você não faz ideia do que é aquilo. Do que dói. Do que te machuca não só por fora, mas por dentro. Você não sabe o que é… o que é perder alguém porque você não foi forte o suficiente e carregar essa culpa a vida inteira...
Sachika também se levantou e respondeu, mostrando uma determinação que assustou Shoma:
— Eu sei que é perigoso. Eu sei que vou me machucar. Mas, Umasho… — a voz dela falhou por um segundo.
— Eu não aguento mais ficar parada. Eu não aguento mais só… esperar. Torcer. Chorar sozinha enquanto vocês arriscam a vida.
Aquela fala tocou o coração de Shoma, mas ele resistia a ideia:
— Sachika-san… Eu...
Antes que ele concluísse a frase, ela o interrompe, cada vez mais convicta:
— Eu quero trazer ele de volta!
A voz dela saiu mais alta do que pretendia.
— Eu quero poder proteger as pessoas que eu amo. E eu… eu quero poder ficar do seu lado. De igual pra igual.
Shoma ficou em silêncio.
Ele desviou o olhar, os punhos fechados.
— Você não precisa provar nada pra mim — disse, com a voz carregada de emoção.
— Você já é a pessoa mais forte que eu conheço. Você me salvou, Sachika-san. Você me deu um lar quando eu não tinha nada.
Sachika sentiu as lágrimas subirem.
—E agora eu quero poder salvar você também.
Shoma olhou para ela, os olhos marejados.
Por um longo momento, nenhum dos dois falaram.
Então, devagar, ele assentiu.
— …Se você realmente quer isso… — disse, a voz falhando. — …eu vou te apoiar. Mas, por favor… não morre. Eu não… eu não aguento perder mais ninguém.
Sachika cruzou a distância entre eles e o abraçou com força.
— Eu prometo...,Umasho!
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Parte 2: A Primeira Visita ao Laboratório
Dois dias depois, Sachika estava na entrada do laboratório de Sento.
Era um prédio discreto, quase escondido entre galpões industriais. De fora, parecia abandonado. De dentro…era outra história.
Sento a recebeu na porta, com aquele sorriso gentil que escondia uma mente sempre três passos à frente.
— Sachika-san. Bem-vinda!
— Obrigada por me receber. — ela agradece.
Ele a guiou para dentro.
O laboratório era um caos organizado: bancadas cheias de equipamentos, telas exibindo dados complexos, Fullbottles organizadas em prateleiras iluminadas. E, no centro de tudo, George Karizaki girava numa cadeira, claramente empolgado.
— Yes! A futura Kamen Rider Happypare! — Ele se levantou, gesticulando dramaticamente. — Very exciting! Very sweet! Literalmente!
Sachika riu, nervosa:
— Oi…Karizaki-kun...
Sento cruzou os braços, sério, mas não hostil.
—Misora me contou sobre sua decisão. Estamos dispostos a atendê-la. Mas, antes de começarmos, preciso te fazer algumas perguntas...
—Pode perguntar. — ela responde encarando-o com seriedade.
— Por que você quer se tornar uma Rider?
Sachika respirou fundo. Mas, a resposta, amadurecida em seu coração, já estava na ponta da língua:
— Porque tem alguém que eu preciso salvar. E porque…eu não quero mais ser só a pessoa que fica esperando notícias.
Sento assentiu:
—Entendi...Mas prezada Sachika, você entende os riscos?
—Dor. Exaustão. Trauma. Possibilidade de morte...
—Entendo. — ela responde convicta.
—E mesmo assim você quer continuar? — Sento insiste.
— Sim.
Sento estudou o rosto dela por alguns segundos.
Então, finalmente, sorriu:
— Certo. Vamos começar.
Ele a levou até uma bancada onde havia… nada.
Só ferramentas, materiais, e diagramas.
— O Driver ainda não existe — explicou Sento.
—Vamos criá-lo especificamente pra você. Mas, antes disso, preciso entender quem você é.
George se aproximou, segurando um tablet.
—Tell me, Sachika-san: qual é o sabor da sua alma?
Ela piscou, confusa:
— …Como assim?
— O que te move? — Sento reformulou a pergunta. — O que te faz feliz? O que te dá força?
Sachika pensou por um momento e respondeu devagar, mas com firmeza:
— …Ver as pessoas sorrindo.
— Saber que eu fiz o dia de alguém um pouco melhor. Transformar algo simples, como uma sobremesa, em… em uma memória feliz.
George digitou rapidamente.
—Perfect! Endorfina, dopamina, serotonina...
—Frequências de felicidade transformadas em energia física. This is gold!
Sento anotou algo rapidamente:
— E o que te deixa com raiva?
A resposta veio rápido:
—Ver alguém que eu amo sofrendo… e não poder fazer nada.
—Muito bom! — Sento assentiu. — Raiva também é combustível. Se usada de modo certo.
Ele mostrou alguns esboços na tela.
—Vamos integrar minha tecnologia de Fullbottles com os Vistamps do George. O Driver vai ler suas emoções e convertê-las em energia estável. Você não vai precisar de cirurgia, implantes ou mutação genética.
— E vai ter tema de bolo, claro —completou George, em êxtase — Because aesthetics matter.
Sachika sorriu, mais relaxada:
— Quanto tempo vai levar?
— Três semanas — disse Sento. — Talvez um mês.
Sachika assentiu.
—Então… o que eu faço enquanto isso?
Sento e George trocaram um olhar.
— You train — disse George, abaixando o óculos.
Parte 3: Treinamento e Dúvidas
Os primeiros dias foram um inferno para Sachika.
Kazuma Kenzaki, o Kamen Rider Blade, não pegou leve.
Ele a fez correr até as pernas tremerem.
Fazer flexões até os braços falharem.
Cair, levantar, cair de novo...
— De novo! — ele dizia, toda vez que ela caía.
Na primeira semana, ela demorava longos segundos para se levantar.
Na segunda, ainda caía — mas já levantava mais rápido.
— Eu não… não consigo…
— Consegue. Levanta!
E ela levantava.
Dia após dia.
Mas não era só o corpo que doía.
Era a mente.
Teve dias que chegou a vomitar.
Em diversas ocasiões decidiu desistir, de tão exausta que estava.
Kenzaki não deixava.
Shoma acompanhava tudo na base de Sento.
Certo dia, ele questionou o rigor de Kenzaki a Sento:
— Kenzaki-san está passando dos limites. Sachika-não vaí suportar.
Sento responde:
—Da Irmandade, Blade é, no momento, o Rider mais indicado para ensiná-la.
—Veja a história de sacrifício dele. Pra salvar quem tanto amava, ele se tornou um Undead e o Jocker, abrindo mão do seu lado humano...
Shoma desconhecia esse parte trágica da historia do lendário Rider.
Ele ficou em silêncio.
De fato, Kenzaki carregava um fardo pesado, maior que o deke próprio.
Sento completa:
— Confie no Kenzaki-senpai. Todas as Riders Girls Remix têm passado por seus treinamentos. Apesar de rigorosos, os ganhos compensam o esforço .
—Sachika, em breve estará apta a se tornar uma valorosa Rider.
Shoma assente com a cabeça.
O treinamento avança de fase.
Na terceira semana, Kenzaki começou a alternar impacto físico com leitura de movimento.
Ela errava o tempo.
Era derrubada antes mesmo de reagir.
Mas começou a cair diferente.
Com menos medo.
Com mais consciência.
Numa tarde, depois de um treino particularmente brutal, Sachika desabou no chão, ofegante, suada, exausta.
— Eu não sei se consigo — disse, a voz falhando. — Eu não sei se sou forte o suficiente.
Kenzaki sentou ao lado dela.
—Ninguém é forte o suficiente no começo.
Olhando para o teto, Kenzaki resolve falar um pouco sobre ele próprio:
— Quando eu virei Rider pela primeira vez... — ele continuou —, eu tava apavorado. Achei que ia morrer. E quase morri. Várias vezes.
Fez uma breve pausa.
— Mas eu aprendi uma coisa: força não é não ter medo. É ter medo… e continuar mesmo assim.
Sachika ficou em silêncio, processando aquilo.
— E se eu falhar? — perguntou, em voz baixa. — E se eu não conseguir salvar ele?
Blade a encarou.
— Então você vai ter tentado. E isso já é mais do que a maioria das pessoas faz.
Ele se levantou, estendendo a mão.
— Vamos. Mais uma rodada.
Sachika olhou para a mão dele.
Então, devagar, pegou.
E levantou.
Na quarta semana, numa tarde, enquanto descansava entre um treino e outro, Shoma apareceu no armazém.
— Sachika-san.
Ela olhou para ele, surpresa.
—Umasho? O que você tá fazendo aqui?
Ele hesitou, então disse:
—Eu… eu queria ver como você tá.
Sachika sorriu, cansada.
—Tô viva. Por enquanto...O Kazuma-senpai é bem rigoroso. Mas, ele está certo em exigir o máximo de mim..
Ele se aproximou, sério.
—Você não precisa fazer isso sozinha, sabe?
— Eu sei.
—Então… — ele respirou fundo. — Deixa eu treinar com você.
Sachika piscou.
—Umasho…
— Você vai precisar de alguém que entenda como é lutar. — Ele cerrou os punhos. — E eu… eu quero ter certeza de que você vai voltar.
Kenzaki, que observava de longe, assentiu, dizendo:
—O jovem Shoma tem razão. Treinar com outro Rider vai te preparar melhor.
Sachika olhou para Shoma, emocionada.
— Obrigada.
Ele sorriu, nervoso.
—Só… não me culpa se eu pegar pesado demais.
Ela riu.
—Pode vir! Depois do Kazuma-senpai, acho que estou preparada pra tudo o que vier..
No entanto, quando treinavam juntos, ele hesitava.
Ela percebeu.
—Para de me poupar, Umasho!
Ele apertou os punhos.
E não poupou mais.
Na sexta semana, ela já não demorava tanto para se levantar.
Ainda caía.
Mas agora levantava mais rápido.
Agora, ela aguentava.
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Parte 3: O Sonho e o Mentor
Naquela noite, Sachika, exausta dormiu logo e teve um sonho.
Não era um sonho normal.
O mundo ao redor estava… errado.
O chão era como vidro escuro, refletindo um céu cheio de nuvens que se moviam rápido demais.
Uma grande Lua Minguante em tons de carmim se mantinha no céu.
Ao longe, havia algo parecido com uma linha brilhante cortando o horizonte — uma costura luminosa separando dois espaços diferentes.
Sachika deu um passo à frente.
— Onde… onde eu estou?
Uma voz respondeu — não alta, não baixa, mas direta na mente:
"Na fronteira."
Ela se virou.
Havia alguém ali.
Uma figura de um Rider.
A armadura era diferente de tudo que Sachika já tinha visto. Linhas elegantes em tons verdes e vermelhos, semelhante a icônica armadura do lendário Ichigo, o Kamen Rider 1.
Outros detalhes que lembravam símbolos oníricos, e um visor que parecia refletir não o ambiente… mas outras paisagens, também chamaram a atenção de Sachika.
— Quem é você? — perguntou temerosa.
A figura deu um passo à frente.
— Meu nome é Zeztz. Sou um Kamen Rider… de outro tipo.
—Outro tipo? — Sachika insistiu.
—Eu caminho entre sonho e realidade. Entre o que foi perdido e o que ainda pode ser salvo.
Sachika sentiu um arrepio.
—Isso… isso é real?
—Depende do que você chama de real... — Zeztz inclinou a cabeça.
—Você está sonhando. Mas esse sonho não é só seu.
Ele apontou para a linha de luz ao longe.
—Aquela é a fronteira entre mundos. Entre o seu mundo… e o Mundo Granute.
O coração de Sachika acelerou.
— Rakia tá lá?
— Está. E ele não é o único.
Zeztz se virou, olhando para o horizonte distorcido.
—A fronteira está enfraquecendo. Algo está pressionando de dentro. Se continuar assim, o Mundo Granute pode colapsar… ou pior. Pode vazar.
—Vazar? — Sachika repetiu, assustada.
Zeztz prossegue, enigmático:
—Entidades, memórias, pesadelos… tudo que foi deixado pra trás pode atravessar. E quando isso acontecer, não vai ser só o Rakia em perigo.
Sachika sentiu o peso daquelas palavras.
—Eu… eu vou salvá-lo. Eu prometi.
Zeztz ficou em silêncio por um momento.
Então, surpreendentemente, ele assentiu.
—Eu sei. É por isso que estou aqui.
Sachika se sentia confusa:
—Como assim? Você poderia ser mais direto...Zeztz?
— Você está prestes a cruzar uma linha que poucos conseguem entender. O mundo dos sonhos, das memórias, das emoções… é tão real quanto o mundo físico. E você, Sachika Amane, está começando a ouvi-lo.
Ele se aproximou lentamente tentando não assustá-la mais ainda:
—Quando o seu Driver estiver pronto, você vai precisar de mais do que força. Vai precisar aprender a ver além do que é sólido.
Sachika franziu a testa.
— Como eu faço isso?
— Eu vou te ensinar. — Zeztz estendeu a mão. — Nos sonhos. Aqui, onde ninguém mais pode interferir.
Ela olhou para a mão dele.
—Por que você está me ajudando?
—Porque a fronteira está quebrando. E porque… — ele hesitou por um instante — …eu também já perdi alguém. E sei o que você está sentindo.
Sachika sentiu uma conexão estranha com aquela figura misteriosa.
Lentamente, ela estendeu a mão.
E, quando os dedos deles se tocaram, o mundo ao redor explodiu em luz.
A claridade não era quente nem fria.
Era…informação.
Era Memória...
E, principalmente, sentido.
Antes que tudo se desfizesse, Zeztz falou, a voz ecoando como se viesse de vários lugares ao mesmo tempo:
— Avise ao Sento e ao Karizaki que a chave está na costura… não nos portais em si.
Sachika sentiu o coração acelerar.
— A costura…?
—Onde os mundos foram remendados — continuou ele. — É ali que a realidade está mais frágil. É ali que se puxa o fio.
Ele fez uma breve pausa, e então acrescentou:
—Quanto ao jovem Shoma…, diga a ele que não está sozinho. Um Kamen Rider reconhece o outro. E ajuda… mesmo quando só pode fazer isso de um jeito não convencional.
A luz começou a se desfazer ao redor deles.
—Caminhe com cuidado, Sachika Amane — disse Zeztz, enquanto o mundo se quebrava em fragmentos. — Nem todo sonho quer ser acordado. E nem toda chave abre uma porta. Algumas… só mostram onde o tecido precisa ser cortado.
A última coisa que ela viu foi a silhueta dele, parada, observando.
Antes de desaparecer na luz, Zeztz disse:
— Tenha bons sonhos.
Não era um desejo.
Era uma instrução.
O mundo sumiu.
Sachika acordou de repente, sentando na cama com o coração disparado.
Mas diferente.
Com menos medo....
Mais direção.
O quarto estava escuro. Silencioso.
Ela olhou para as próprias mãos.
— …Foi real?
Sachika acordou de repente, sentando na cama com o coração disparado.
Então, numa voz que parecia ecoar de algum lugar distante, ela ouviu:
"Amanhã à noite. Volte aqui. O treinamento começa."
Sachika ficou parada, processando.
Então, devagar, sorriu.
“Eu não estou sozinha”
Essa certeza só fez ainda mais aumentar a sua determinação.
Parte 4: Pressão Crescente
Os dias que se seguiram foram um turbilhão de desafios e emoções.
De dia, Sachika treinava com Blade — aprendendo a lutar, a cair, a levantar.
De noite, ela sonhava com Zeztz — aprendendo a sentir a fronteira, a perceber distorções, a enxergar além do físico.
Era exaustivo.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava fazendo algo.
E, no laboratório, Sento e George trabalhavam sem parar.
O Driver estava tomando forma.
Ainda não estava pronto.
Mas logo estaria.
E quando estivesse…
A verdadeira jornada de Kamen Rider Happypare começaria naquele instante.
Parte 5: O enigma da costura
Dois dias depois, Sachika estava de volta ao laboratório.
Sento estava inclinado sobre uma bancada cheia de esquemas, e George Karizaki girava distraidamente numa cadeira, mexendo em um tablet.
— Então — disse Sento, sem tirar os olhos dos dados —, você disse que teve… outro sonho?
Sachika assentiu.
—Não foi só um sonho. Eu encontrei alguém. Um Rider. Ele se chama Zeztz.
George ergueu uma sobrancelha por cima dos óculos escuros.
—Oh? Another mysterious Rider? This story keeps getting better.
Sachika respirou fundo e contou tudo: a fronteira, a linha de luz, o Mundo Granute, as palavras sobre a costura… e, por fim, os recados.
—Ele disse pra avisar vocês que a chave não está nos portais — concluiu. —Está na costura. Onde os mundos foram remendados.
Sento congelou.
Por um segundo, ficou em silêncio absoluto.
Então, de repente, uma mecha de cabelo dele se levantou sozinha, espetada, como se tivesse levado um choque de inspiração.
Ele coçou a cabeça com a mão livre, franziu o cenho, e então os olhos se iluminaram.
— Bingo!
Sento bateu de leve a ferramenta na palma da mão, animado.
Ele se virou de uma vez, os olhos brilhando.
—É isso! Se o mundo foi reconstruído como um tecido remendado, os portais são só dobras visíveis. Mas a tensão estrutural… a falha real… fica nas costuras!
Ele começou a rabiscar freneticamente num quadro.
—Se atacarmos os portais, estamos só puxando a ponta errada. Mas se encontrarmos a costura original entre os mundos… podemos interferir direto na estrutura da fronteira!
George observou por alguns segundos, então tirou os óculos devagar e cruzou os braços.
— Well, well… — disse, com um meio sorriso carregado de ironia. — Parece que o famoso Agente 007 resolveu aparecer.
Sachika piscou.
— Você… você sabe quem ele é?
—Digamos que eu já ouvi histórias...—respondeu George, recolocando os óculos.
—Histórias sobre um Rider que não joga pelas regras normais da realidade. Very on brand.
Sento se virou para Sachika outra vez.
—E… você disse que ele também mandou um recado pro Shoma?
— Sim. — ela engoliu em seco.
— Ele disse que o Umasho não está sozinho. Que um Kamen Rider reconhece o outro e ajuda, mesmo que seja de um jeito não convencional.
O laboratório ficou em silêncio por um instante.
Sento respirou fundo, o olhar sério, mas determinado.
—Então isso confirma minhas suspeitas. Isso não é só sobre resgatar o Rakia. É sobre algo muito maior… algo mexendo com a própria estrutura entre os mundos.
George deu um sorriso torto.
—Great. Multiversal sewing problems. Just what I wanted for this week.
Sachika apertou as mãos.
—Ele está lá fora… observando. Ajudando do jeito dele.
Sento assentiu, firme.
—Então a gente não pode errar o ponto da costura.
—Seja quem for, Zeztz deu uma grande pista...
—Está ficando interessante esse jogo...Cabe a nós sabermos jogá-lo...
E quando Sento concluiu sua teoria sobre as costuras do mundo, em algum ponto invisível entre as realidades, a linha da fronteira vibrou levemente.
Zeztz observava.
Silencioso.
E murmurou, quase inaudível:
— Eu cuido disso…
Mas desta vez, não era para Sachika.
Era para algo que começava a se mover do outro lado.




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