Kamen Rider Legend- Temporada 3 - Sachika, a Rider Happypare e o resgate de Rákia - Capítulo 04

 
KAMEN RIDER LEGEND - Temporada 3

Sachika, a Rider Happypare e o resgaste de Rakia

CAPÍTULO 4 — O DRAMÁTICO RESGASTE DE RAKIA

Parte 1 – A experiência onírica pertubadora

O mundo dos sonhos não era mais um lugar silencioso.

Agora ele reagia.

O chão parecia feito de vidro escuro, atravessado por veios de luz lenta, como rachaduras que respiravam.

O céu, formado por nuvens distorcidas, pulsava em intervalos irregulares, e a cada pulsar a paisagem inteira estremecia, como se estivesse viva — ou tentando continuar viva.

E no alto, ela: a gigante e avermelhada Lua Minguante.

À distância, uma linha luminosa cortava o horizonte: a fronteira entre os mundos. Ela não parecia uma porta. Parecia uma costura mal feita, esticada demais, prestes a arrebentar.

Sachika estava ali havia o que pareciam horas.

Ou minutos.

O tempo não funcionava direito naquele lugar.

O coração batia rápido demais, e a sensação de estar sendo observada nunca ia embora.

Diante dela, Zeztz observava em silêncio, imóvel como uma estátua feita de luz e sombra. Ainda assim, seu contorno oscilava, como se ele estivesse sempre meio passo fora da realidade.

— Hoje não vamos treinar seu corpo — disse ele, finalmente. — Vamos treinar o que sustenta você quando tudo quebra.

O cenário mudou sem aviso.

A Happipare surgiu diante dela.

Inteira.

Bonita.

Iluminada como num fim de tarde perfeito.

Por um segundo, Sachika quase sorriu.

O letreiro estava no lugar. As vitrines brilhavam.

O cheiro dos seus doce parecia real demais para ser apenas um sonho.

Ela deu alguns passos, hesitante, como quem entra num lugar amado com medo de descobrir que algo está errado.

Então… as vitrines estalaram.

O som foi seco, cruel, como ossos se partindo.

A loja começou a se desfazer por dentro.

Mesas viraram destroços. Pratos se espatifaram no chão. O balcão rachou ao meio.

As paredes começaram a descascar como pele velha. A porta caiu com um estrondo oco, levantando poeira onde antes havia cheiro de açúcar.

— Não… — ela deu um passo à frente.

Mas o mundo não parou.

Sombras atravessaram o cenário.

Vozes distantes.

Gritos que não pareciam vir de lugar nenhum — e de todos ao mesmo tempo.

Ela viu Shoma ajoelhado entre os escombros.

Imóvel.

O avental dele estava coberto de poeira.

As mãos, apoiadas no chão, tremiam levemente.

Ele não levantou a cabeça quando ela se aproximou.

— Isso não é real — ela sussurrou, mais para si mesma do que para o mundo.

— Não — respondeu Zeztz, atrás dela. — Mas é possível. E é isso que importa.

O ar ficou pesado, como se cada respiração exigisse esforço.

 Não era falta de oxigênio.

Era medo.

Era a sensação de que o mundo estava esperando ela errar para desmoronar de vez.

— Se você perder o controle aqui, perde lá também. — alertou Zeztz.

Por um instante, Sachika sentiu as pernas fraquejarem.

A imagem da loja destruída parecia querer se gravar na mente dela como uma profecia inevitável.

Ela fechou os olhos.

Respirou fundo.

Pensou nos sorrisos.

Nos dias comuns.

No som da porta da loja abrindo de manhã.

No cheiro de doce no fim da tarde.

Na sensação de fazer algo simples virar uma memória feliz para alguém.

Algo dentro dela… estabilizou.

A loja parou de se desfazer.

As sombras recuaram, como fumaça sendo levada por um vento que não existia.

Quando ela abriu os olhos, o cenário tinha sumido.

Restava apenas o mundo de vidro escuro e céu pulsante.

— Sua “assinatura” — disse Zeztz. — É isso que mantém você inteira quando o resto tenta te partir.

Ele virou o rosto para a linha luminosa ao longe, que agora parecia maior.

Mais próxima.

Mais instável.

— Está na hora. Eu vou lutar! — decide Sachika, cerrando os punhos.

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Parte 2: Os Riders amigos e a decisão de Sachika.

No laboratório, o clima era tudo, menos calmo.

As telas mostravam gráficos subindo rápido demais.

Linhas de energia oscilavam em padrões irregulares.

Alarmes não soavam, mas só porque Sento os tinha silenciado — não porque a situação estivesse sob controle.

— A fronteira está ficando fina — murmurou ele, ajustando parâmetros com mãos rápidas. — Não é só instabilidade. É pressão. Como se algo estivesse empurrando de dentro pra fora.

George cruzou os braços, sério demais para fazer piada.

— Em termos simples: se isso rasgar, os mundos não só se tocam. Eles se misturam. E aí… nobody wins.

Kenzaki observava em silêncio, de braços cruzados, o olhar fixo nas telas como se já estivesse medindo o campo de batalha antes mesmo de vê-lo.

Shoma estava perto da porta, inquieto.

Cada segundo parecia longo demais.

— Então a gente vai agora. — ele diz.

Sento respirou fundo.

— Eu consegui estabilizar um ponto de travessia. Seis horas. Talvez menos...

—Depois disso, não posso garantir nada.

— Seis horas pra entrar, achar o Rakia e sair — repetiu Shoma.

— Exato.

George inclinou a cabeça.

—You’ll need backup. Strong backup.

Nesse instante, a porta do laboratório se abriu.

O primeiro a entrar caminhava como se o mundo sempre devesse abrir caminho para ele.

Ao erguer o dedo direito pra cima, ele diz:

— Minha avó dizia que quando o mundo parece fora de ordem, é porque está esperando alguém competente para colocá-lo no lugar certo.

Na sequência, ajustou o colarinho com calma absoluta.

— E, como sempre… esse alguém sou eu.

Logo atrás, Kazuma Kenzaki deu um passo à frente, sério, direto:

— Se alguém está sendo mantido prisioneiro, isso já é motivo suficiente.

E quase pulando de empolgação, o jovem estudante de alquimia Hotarou Ichinose também se apresenta, dando um leve soco no ar:

—Gotchaaa!!! Resgate interdimensional? Isso é nível máximo de aventura!

Sachika piscou, surpresa:

—Vocês…vieram mesmo. Obrigada...

— Uma nova Rider na primeira grande missão? — disse o homem do colarinho ajustado, com um meio sorriso confiante. —Seria deselegante não aparecer.

Kenzaki assentiu:

—Ninguém cruza algo assim sozinho.

—Kabuto, Gotchard e eu, sabemos o que tem de ser feito.

Shoma soltou o ar que nem percebera estar prendendo.

— Obrigado. De verdade.

Sento fechou os punhos, confiante:

— Então vamos abrir o caminho.

O ar à frente deles começou a ondular.

Não era um portal bonito.

Não era luz.

Era algo viscoso, como tinta viva misturada com vidro derretido, puxando a visão e distorcendo o espaço ao redor.

Kenzaki deu um passo à frente.

O Driver respondeu:

TURN UP.

Uma lâmina de energia em forma de carta surgiu no ar. Ele a atravessou com um corte preciso, e a armadura se fechou ao redor de seu corpo como aço convocado pela própria vontade.

O outro Rider avançou.

A forma pesada se fechou sobre ele primeiro, robusta, quase como uma carapaça viva.

Ele ergueu a mão, calmo como sempre.

Cast Off.

A armadura externa explodiu em fragmentos de luz, revelando a forma veloz e afiada.

—Change Beetle.

Ichinose girou o próprio dispositivo, vibrando de empolgação, fazendo o triângulo com as mãos.

Gotchanko!!!

Energia alquímica se espalhou, formando sua armadura azul ciano em camadas cintilantes

Shoma respirou ffundo.Era a sua vez de se transformar:

O Gochizo saltou.

PoppinGummy… Juicy!!

O olho dele brilhou em lilás. Um “saco” translúcido de energia cheio de balas o envolveu.

Ele se abaixou levemente… e quando voltou a ficar de pé, estava transformado.

Por fim, Sachika sentiu o Driver vibrar.

Ela pensou na loja.

Pensou no Rakia.

Lembrou-se das instruções de Zeztz.

E girou o Driver e repetiu o seu Henshin estilizad.

A armadura se formou ao redor dela, leve e firme ao mesmo tempo.

— Vamos — disse, com a voz mais segura do que se sentia por dentro.

E atravessaram.

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Parte 3: A hora da verdade: de frente pro espelho.

A travessia não foi como atravessar uma porta.

Foi como ser espremido por dentro.

Sachika sentiu imagens piscarem: a loja, risos, vozes, mãos cheias de farinha, o som da porta abrindo — tudo tentando escapar.

— Não solta — ecoou a voz de Zeztz na mente dela. — Não de si mesma.

Quando o mundo do outro lado se firmou, o Mundo Granute parecia… cansado.

O céu era pesado.

O chão, rachado.

O ar, denso.

Estruturas flutuavam em ângulos impossíveis, ligadas por pontes quebradas e caminhos que pareciam mudar de lugar quando ninguém estava olhando.

— Rakia… — ela murmurou.

Mas não estavam sozinhos.

Sombras se moveram.

Primeiro, como reflexos.

Depois, como formas.

Por fim… como espelhos.

Uma figura parou diante de Sachika.

Era ela mesma.

Mais velha.

Mais cansada.

Derrotada.

— Você não vai conseguir — disse a versão distorcida. — Ele já foi perdido. Assim como tudo que você tenta proteger.

O chão pareceu sumir sob os pés dela.

— Você é só uma empresaria que acha que pode fazer pessoas felizes. O que acha que pode fazer além disso?

A voz de Zeztz ecoou dentro dela:

“Encare-a. Ou ela vai te consumir.”

Sachika cerrou os punhos.

— Talvez eu tenha medo. Talvez eu falhe.

Ela deu um passo à frente.

— Mas eu escolhi lutar. E vou continuar escolhendo.

O efeito foi devastador.

A sombra se quebrou como vidro.

Ao redor, o mesmo acontecia:

Blade enfrentava uma versão monstruosa de si mesmo, cada golpe preciso, cada movimento firme.

Kabuto atravessava as próprias sombras em alta velocidade, como se o mundo não conseguisse acompanhá-lo.

Gotchard gritava enquanto explosões alquímicas dissipavam ilusões.

Gavv socava o vazio até ele virar nada.

O mundo não estava só atacando seus corpos.

Estava testando quem eles eram.

Então vieram as criaturas reais.

Feitas de rocha e energia instável.

Kabuto virou um borrão, surgindo atrás de grupos inteiros e derrubando-os antes mesmo que percebessem o ataque.

Blade segurava a linha de frente como uma muralha viva.

Gotchard combinava ataques, energia e impacto em sequências quase coreografadas.

Gavv avançava com força bruta, protegendo as costas de Sachika.

E Sachika, como Kamen Rider Happypare … lutava.

Não com perfeição.

Mas com decisão.

Em questão de minutos, finalmente, chegaram à estrutura central daquele ambiente distorcido.

Uma prisão de pedra.

E dentro…

— Rakia… — ela sussurrou.

Ele estava de joelhos.

Ferido...

Olhando para o nada.

Parecia conformado com o seu destino.

— Rakia! — ela correu até ele.

Ele ergueu os olhos.

E não a reconheceu.

— Sai… — a voz dele era vazia. — Não adianta. Não tem volta...Meu drive está avariado.Não consigo me transformar em Vram.

O coração dela apertou.

Ela fechou os punhos e ativou o Happy-Gochizo.

Luz suave.

Cheiro de doce.

Memória.

— Você lembra disso?

Por um segundo, nada.

Então…

— …Sachika…?

Ela sorriu, com lágrimas nos olhos.

— Eu vim te buscar.

Emocionado, mas tentando passar a imagem de durão, Rakia apenas resmunga:

— Droga...

Happypare responde:

—Estava sentindo falta disso...

Mas, a verdadeira batalha estava prestes a começar.

O mundo, ao redor deles, tremeu.

Das sombras, algo gigantesco começou a se mover.

O Guardião tinha acordado.

E a verdadeira batalha… ainda estava por começar.

 
Kamen Rider Happypare 


Os Riders aliados: Kazuma Kenzaki ( Blade), Shoji Tendou ( Kabuto)., Hotarou Ichinose  (Gotchard) e Shoma (Gavv). 

 
Rakia Amarga 




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