Metal Heroes Memories-A infância de Jaspion no Planeta de Edin -Capítulo 3 (Final)

 

 
METAL HEROES MEMORIES
 
A Infância de Jaspion no Planeta de Edin


Capítulo 3  (Final) — A Profecia das Estrelas

A tempestade começou ao amanhecer.

Não era uma tempestade comum.

Os céus de Edin tornaram-se vermelhos.

Relâmpagos negros rasgavam as nuvens cristalinas como feridas abertas no espaço.

As criaturas sagradas esconderam-se.

Os Lumis correram para as florestas minerais.

Os anciões refugiaram-se nos templos da aurora.

E os espelhos cristalinos das montanhas começaram a emitir frequências graves.

Dolorosas.

Como se o próprio planeta estivesse sofrendo.

O vento carregava um cheiro metálico estranho.

Pesado.

Quase sufocante.

Edin inteiro parecia assustado.

No centro do observatório ancestral, Edin observava os sinais com expressão sombria.

Porque sabia.

O tempo havia acabado.

Alarmes antigos ecoavam pelos corredores metálicos da cidadela enquanto mapas cósmicos piscavam descontroladamente ao redor do salão principal.

Runas ancestrais surgiam nas paredes como brasas despertando após séculos adormecidas.

Então as portas do observatório se abriram bruscamente.

Jaspion entrou correndo.

Ofegante.

Com parte das roupas molhadas pela chuva escura.

— Mestre! O planeta inteiro está tremendo!

— Eu sei... — respondeu Edin de forma pesarosa.

Jaspion, assustado, responde:

— Os Lumis fugiram das planícies… eu nunca vi aquilo acontecer!

Edin permaneceu em silêncio por alguns segundos.

E isso assustou Jaspion mais do que a própria tempestade.

— O que está acontecendo? — perguntou novamente, agora com a voz menos firme.

O velho sábio aproximou-se lentamente do altar central do observatório.

As runas começaram a se iluminar.

Os pilares metálicos projetaram galáxias sobre o ar.

Constelações giraram diante deles como mecanismos vivos.

Então uma imagem surgiu no centro da sala.

Um guerreiro envolto por luz dourada.

Uma armadura metálica brilhando como uma estrela viva.

Os olhos de Jaspion arregalaram-se.

Ele sentiu um arrepio atravessar o corpo inteiro. 

Sem entender, aquela armadura o chamava, como se sempre pertencesse a ele. 

— Quem… é ele?

Edin respondeu quase em sussurro:

— Você.

O garoto recuou imediatamente.

Como se aquelas palavras fossem pesadas demais.

— Não… isso não faz sentido…

Sua respiração acelerou.

As mãos tremeram discretamente.

Por um instante, voltou a se sentir apenas a criança sentada diante do lago segurando a fotografia dos pais.

A criança que ainda tinha medo de esquecer rostos.

Medo de perder pessoas.

Medo de não ser suficiente.

— Existe uma antiga profecia guardada desde antes da queda das primeiras civilizações — disse Edin.

As imagens mudaram novamente.

Guerras cósmicas.

Frotas destruídas.

Planetas consumidos pela escuridão.

Criaturas monstruosas atravessando galáxias em chamas.

E no meio do caos…

O guerreiro permanecia de pé.

Sozinho.

Ferido.

Mas sem recuar.

Jaspion observava em silêncio.

Hipnotizado.

Assustado.

Parte dele queria fugir dali.

Queria voltar aos treinamentos.

Às discussões com Anri.

Às corridas pelas planícies cristalinas.

Queria voltar a ser apenas um garoto.

Mas outra parte…

Outra parte reconhecia algo naquela imagem.

Como se aquele destino estivesse esperando por ele desde muito antes de seu nascimento.

Edin continuou:

— A profecia fala sobre um homem que surgirá quando a escuridão alcançar seu ponto mais profundo.

A projeção dourada iluminava o rosto de Jaspion.

— Um guerreiro que carregará a luz das estrelas dentro do próprio coração.

O garoto sentiu o peito apertar.

Seu medo era real.

Tão real quanto a tempestade rugindo do lado de fora.

Porque agora compreendia algo terrível: se a profecia fosse verdadeira…

Então perder pessoas seria inevitável.

Então a dor continuaria existindo.

Então talvez ele nunca pudesse proteger todos.

— Não… eu sou só um garoto…

Edin aproximou-se lentamente.

Havia tristeza em seus olhos.

Mas também orgulho.

Um orgulho silencioso.

Quase paternal.

— Heróis sempre começam assim.

O chão tremeu violentamente.

As luzes do observatório oscilaram.

Alarmes ancestrais ecoaram pela cidadela.

Ao longe, gritos espalharam-se entre os corredores cristalinos.

Então todos olharam para o céu.

Uma pequena fenda negra havia surgido entre as nuvens vermelhas.

Pequena.

Mas real.

A primeira manifestação direta da influência de Satan Goss sobre Edin.

O medo espalhou-se rapidamente pela cidade.

Jaspion sentiu o coração disparar.

Seu instinto dizia para correr.

Para fugir.

Por um breve instante, imaginou:

E se eu falhar?

E se eu perder Edin também?

E se eu não conseguir impedir?

As lembranças dos pais atravessaram sua mente como ecos distantes.

Fragmentos.

Vazio.

Solidão.

Ele fechou os punhos com força.

Tremendo.

Confuso.

E ainda assim…

Sem conseguir desviar os olhos da fenda.

Porque naquele instante compreendeu algo.

O medo não desapareceria.

A saudade dos pais não desapareceria.

A possibilidade da perda jamais desapareceria.

Mas talvez…

Talvez continuar seguindo apesar disso fosse exatamente o que significava se tornar forte.

Edin colocou a mão sobre o ombro do garoto.

Os céus rugiram acima deles.

— Escute com atenção, Jaspion.

A fenda negra começou lentamente a crescer.

O vento atravessou violentamente o observatório.

Mas a voz de Edin permaneceu firme.

— Um herói não nasce quando deixa de sentir medo.

Jaspion ergueu lentamente os olhos.

— Um herói nasce quando decide avançar apesar dele.

O garoto voltou a olhar para a projeção do guerreiro metálico.

E pela primeira vez…

Conseguiu imaginar que talvez aquele destino realmente estivesse esperando por ele desde o início.

Não porque fosse perfeito.

Não porque fosse invencível.

Mas porque ainda era capaz de se importar com os outros mesmo vivendo cercado pela dor.

Ao longe, escondida entre os corredores do observatório, Anri observava tudo em silêncio.

E pela primeira vez…

Sentiu medo de perder Jaspion para algo maior do que todos eles.

Então aconteceu.

Os espelhos cristalinos espalhados por Edin começaram a brilhar ao mesmo tempo.

Um após o outro.

Como estrelas despertando.

As frequências ecoaram pelas montanhas.

Pelos templos.

Pelas planícies.

Pelos céus.

E por um breve instante…

Todo o planeta pareceu olhar para Jaspion.

O garoto sentiu o vento atravessar seu corpo.

Não como frio.

Mas como chamado.

Como se milhões de vozes antigas sussurrassem ao mesmo tempo através das estrelas.

Edin fechou os olhos lentamente.

Porque compreendeu.

A profecia havia começado.

Muito além das galáxias conhecidas…

Nas regiões esquecidas onde a luz mal sobrevivia…

Um homem chamado Zampa observava antigos registros destruídos diante de monitores corroídos pelo tempo.

Seu rosto permanecia oculto pelas sombras.

Mas seu sorriso era visível.

Frio.

Paciente.

Diante dele, símbolos ancestrais começaram lentamente a se acender em vermelho.

Como se respondessem ao despertar de algo distante.

— Então finalmente começou… — murmurou.

E em algum lugar enterrada na escuridão do passado…

A verdade sobre a morte dos pais de Jaspion permanecia esperando.

Silenciosa.

Viva.

Observando.

Enquanto isso…

Nas planícies cristalinas de Edin…

Sob céus partidos entre luz e trevas…

Um garoto ainda assustado encarava as estrelas.

Sem saber que um dia todo o universo aprenderia seu nome.



Jaspion 

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