Kamen Rider Legend -Temporada 3 - Black RX : Lonely Heart - Capitulo 1
Capítulo 01
OS DEZ QUE NÃO
CHEGARAM
Biblioteca Central da
Base Sul da Sword of Logos – Antártida.
O cronista do tempo e
ex-biógrafo de Ohma Zi-O Woz examinava atentamente um livro antigo, enquanto mordia um último pedaço de uma torta de frango.
Sentado numa mesa
próxima, Touma Kamiyama, o Kamen Rider Saber, o observava, com uma caneta
tinteiro, um pergaminho de papel em branco acompanhado de alguns biscoitos do
tipo cookie de chocolate e um chá quente de frutas vermelhas.
Touma pergunta:
-Preparado, prezado
Woz, para mais esse embarque na história dos nossos amigos Riders?
Em tom teatral, Woz
ergue a mão direita para o alto, imitando o gesto marcante Shoji Tendou, o
Kamen Rider Kabuto:
-O céu é o limite...IAWEI!
Touma ri:
-O Tendou não vai gostar nada disso, rsrsrs...E quando ele
não gosta, parte pra cima e, apelando para o Clock-UP. (*01)
-Você nem será capaz
de vê-lo.
Sem perder a pose,
Woz responde:
-Eu não sei quem é o
mais insuportável...Se é ele ou o rosinha Kadoya.
-Mas, em se tratando
de histórias dos Kamen Riders, a frase de Tendou é a mais adequada pra mim...,o
cronista do tempo.
Touma só ri.
Ele adorava o estilo
de Woz.
Talvez, por isso se
davam tão bem.
Woz, por sua vez, se
recompõe e assume uma postura mais séria e solene, ligando uma câmara de vídeo
para iniciar uma nova transmissão:
Segundos depois...
WOZ
Saudações, prezada
Irmandade Rider!
Existem momentos que
entram para a História porque aconteceram.
E existem momentos
que permanecem vivos justamente por aquilo que não aconteceu.
IAWEI!
Esta é uma dessas
histórias...
Meu nome é Woz.
Cronista da História
dos Kamen Riders.
Já testemunhei reis
nascerem, mundos desaparecerem e realidades inteiras serem destruídas para que
outras pudessem existir.
Depois do Novo Mundo
criado por Sento Kiryuu e consolidado por Sougo Tokiwa, as antigas fronteiras
entre as realidades deixaram de existir.
Os Riders que antes
pertenciam a mundos diferentes passaram a compartilhar uma única História.
Uma História nova.
Uma História que
preservou acontecimentos que antes pareciam impossíveis de coexistir.
Mas até mesmo uma
História reconstruída possui perguntas sem resposta.
Interessante, não é
mesmo, Irmandade?
Uma dessas histórias
e que será o assunto de hoje, diz respeito a um homem chamado Issamu Minami.
Kamen Rider Black.
E posteriormente, o
Kamen Rider Black RX.
Algumas noites atrás
eu estava bem aqui na Base Sul da Sword of Logos, na Antártida.
Os preparativos para
a transmissão interdimensional que eu mesmo havia iniciado ainda estavam em
curso — terminais de gelo e luz projetando coordenadas de mundos que, até pouco
tempo antes, jamais poderiam ter se tocado.
Foi em meio a esse
silêncio branco, entre o zumbido dos equipamentos e o Arquivo Temporal em
standby, que Touma Kamiyama me chamou .
‐ Woz...
Fechei o livro.
-Sim, Touma-kun?
Ele olhou para o
Arquivo Temporal e me fez uma pergunta da maneira mais direta possível:
-Onde estavam os
outros dez Riders quando Black morreu?
Sorri.
-Finalmente alguém perguntou.
Ele insistiu:
-Você sabe a resposta?
Respondi confiante:
-Naturalmente.
Ansioso pela
resposta, ele me pede:
-Então me mostre.
IAWEI!
Ergui o livro.
O Arquivo Temporal
foi ativado.
A sala desapareceu.
No lugar dela surgiu
o passado.
Um passado triste e
traumático.
Voltamos para 1987...
TOUMA
Eu conhecia aquela
História.
Todos nós
conhecíamos.
Issamu Minami havia
enfrentado Shadow Moon.
Havia lutado até o
limite.
Sozinho...
E havia caído.
Mas conhecer o
resultado não significa compreender tudo que aconteceu antes dele.
Como guardião do
Wonder World, aprendi que uma história não pertence apenas ao seu final.
Ela também pertence
às escolhas.
E foi por isso que
perguntei.
Conhecendo a história
posterior de Issamu como RX, a pergunta me parecia mais do que óbvia...
Se os dez Riders que
antecederam Black ajudaram o mesmo Issamu na batalha final contra o Império
Crisis, porque não o fizeram contra os Górgons e Shadow Moon?
Na minha cabeça, essa
ausência não fazia o menor sentido.
Mas, a resposta não
tardou a vir
A primeira imagem
mostrou Takeshi Hongo.
Kamen Rider 1.
Ele estava diante de
uma instalação inimiga, o metal enferrujado refletindo um céu cor de chumbo.
Civis haviam sido
sequestrados.
Uma criança chorava.
Hongo recebeu uma
mensagem.
Black estava em
perigo.
Ele olhou para o
comunicador.
Por um instante,
pareceu dividido.
Então ouviu novamente
o choro.
Guardou o
comunicador.
-Primeiro vocês.
E ficou.
Salvou os reféns.
Quando terminou...
já era tarde.
A imagem mudou.
Agora, a tela
mostrava Hayato Ichimonji, o Kamen Rider 2.
Ele enfrentava uma
outra ameaça.
Outras vidas estavam
em risco.
Também recebeu
informações sobre Black.
-Aguente firme,
garoto. – desejou.
Ele acreditava que
ainda haveria tempo.
Mas não houve...
WOZ
A História
prosseguiu, e o Arquivo se deteve mais tempo do que o costume sobre um dos dez
— como se quisesse que Touma entendesse, e não apenas soubesse.
Shiro Kazami, Kamen
Rider V3, corria por um túnel de manutenção sob uma represa prestes a ceder.
A água já entrava
pelas frestas, escura e fria, e o rugido dela enchia o concreto como um segundo
coração batendo.
Uma vila inteira rio
abaixo corria o risco de desaparecer, sem saber.
Kazami alcançou a
válvula principal.
Suas mãos sangravam
do combate anterior.
Ele recebeu, pelo
comunicador preso ao ouvido, uma transmissão fragmentada.
-Kazami... Black...
Shadow Moon...
O sinal morreu no
meio da frase.
Ele parou.
Por um segundo pensou
em abandonar a válvula e correr.
Olhou para o relógio.
Fez a conta que todo
herói faz e teme fazer: quanto tempo até a represa ceder, quanto tempo até
chegar onde Black estava, e qual das duas contas era mentira.
-Não dá.
Disse isso para
ninguém.
Girou a válvula até
os braços tremerem.
A água parou.
A vila continuou
dormindo, sem jamais saber o nome do homem que a salvara, nem o nome do outro
homem que, naquela mesma tarde, caía sozinho a quilômetros dali.
Kazami saiu do túnel
encharcado e ficou parado sob a chuva, olhando para o comunicador mudo.
-Aguente, Black.
Não houve resposta.
Riderman investigava,
àquela hora, uma instalação inimiga onde encontrou os primeiros documentos que
ligariam Gorgom a experimentos anteriores — informação que, meses depois,
salvaria vidas que ainda nem existiam naquela tarde.
Kamen Rider X
perseguia uma ameaça que poderia alcançar várias cidades.
Amazon protegia uma
comunidade atacada, corpo a corpo, sem tempo para pensar em mais nada além do
próximo golpe.
Stronger combatia uma
ameaça de enormes proporções, o chão rachando sob seus pés.
Skyrider estava no
céu, impedindo uma aeronave sequestrada de cair sobre um bairro inteiro.
Super-1 enfrentava
uma emergência que colocava inúmeras vidas em risco.
ZX perseguia uma
organização terrorista que, se não fosse detida naquela noite, atacaria de novo
na manhã seguinte.
Dez Riders.
Dez missões.
Dez escolhas.
Nenhum deles estava
simplesmente ausente.
Todos estavam fazendo
aquilo que haviam jurado fazer.
Salvar pessoas.
IAWEI!
E essa é a crueldade
da História.
Às vezes, não existe
escolha errada.
Existem apenas
escolhas dolorosas — e alguém, em algum lugar, que paga o preço de uma escolha
certa.
TOUMA
A imagem mudou
novamente.
Dessa vez, não vimos
nenhum dos dez Riders.
Vimos Issamu.
Observado a certa
distância por Kyoko Aizuki e Satie Kida.
Diante de Shadow
Moon, num descampado onde o vento carregava cinzas como se o próprio céu
estivesse de luto.
Visivelmente, ele
estava dividido.
Salvar a Terra, ou...
Libertar Nobuhiko do
domínio Gorgom.
Como conciliar as
duas coisas juntas?
A luta começou.
Cada golpe parecia
carregar anos de sofrimento.
Black, mais
experiente, dominava o combate.
Shadow Moon avançava,
no entanto, não conseguia prevalecer sobre Black.
Quando Black estava
prestes a vencer o combate, o Grande Rei, líder supremo de Gorgom decide
intervir, manipulando o combate, ao transformar Shadow Moon em Nobuhiko.
Ao longe, Kyoko e
Satie pareciam não acreditar no milagre que se vislumbrava diante de seus
olhos.
Nobuhiko estava de
volta.
Tomado pela emoção e
acreditando que Nobuhiko havia se libertado do domínio Gorgom, Black se
descuida e corre até Nobuhiko, que volta à forma de Shadow Moon e,
traiçoeiramente o ataca com a Sabre Satã, ferindo gravemente Black.
Black ainda tenta
resistir.
Entretanto, os graves
ferimentos de Black começavam a se manifestar de forma mais visível.
Até que...
Issamu caiu...
O Arquivo Temporal
silenciou.
E então aconteceu
algo que eu já conhecia.
Mas que, diante
daquela tela, parecia diferente...
Black morreu.
Por alguns segundos,
nenhum de nós disse nada.
Foi então que
ouvimos.
Uma música.
Começou distante...
Depois, tomou conta
do ambiente.
Não havia diálogo.
Não havia narração.
Apenas uma melodia
instrumental.
"Long Long Ago,
20th Century."
A música atravessou a
sala.
E, naquele instante,
senti algo que nenhum relato histórico poderia transmitir.
Tristeza.
Uma tristeza
profunda.
Incapaz de ser
ignorada.
Woz também permaneceu
em silêncio.
A música continuou.
E as imagens
começaram a se suceder diante de nossos olhos.
WOZ
O Japão em total
desespero...
Cidades devastadas.
Pessoas correndo.
Fumaça subindo em
colunas finas, como se a própria terra estivesse exalando o último fôlego.
Medo...
Gorgom avançando.
A população já não
acreditava que alguém pudesse salvá-la.
Black havia caído.
E, para muitos,
aquilo significava que não havia mais esperança.
A música continuava,
insistente...
Sem pressa.
Sem piedade.
TOUMA
Então vimos duas
mulheres.
Kyoko Akizuki, irmã
biológica de Nobuhiko e irmã de criação de Issamu.
Satie Kida, a
namorada de Nobuhiko.
Elas estavam
partindo...
Indo embora do Japão.
Indo para os Estados
Unidos.
Não havia heroísmo
naquela despedida.
Apenas dor.
Elas sabiam que não
poderiam permanecer.
Sabiam que não
poderiam lutar.
Sabiam que Issamu
havia morrido.
O cais cheirava a
maresia e óleo de motor, e o barulho das gaivotas cortava o silêncio entre as
duas como se também elas soubessem que algo terminara.
Kyoko segurava uma
flor.
Satie permaneceu ao
lado dela.
As duas olharam para
o mar.
Kyoko soltou a flor.
Ela caiu sobre a
água...
E as duas partiram.
Sem saber o que
aconteceria depois...
Sem saber que aquela
seria a última vez que deixariam o Japão daquela forma.
A flor permaneceu
sobre o oceano.
A correnteza a
levou...
WOZ
A flor atravessou o
mar.
Até chegar a uma
costa distante.
Depois a uma caverna,
onde a água pingava do teto de pedra num ritmo lento, quase um contador de
tempo.
Uma caverna onde um
monstro que conhecia o coração de Issamu ainda acreditava nele.
O Monstro Baleia.
A criatura
aproximou-se do corpo de Black.
Ele já havia tentado
de tudo.
Até as essências
regenerativas de seus ancestrais, sem
sucesso.
E tentou aquilo que
parecia impossível.
Ressuscitá-lo.
Ao colocar a flor
que surgiu na gruta, no
peito de Black, o Monstro Baleia depositava suas últimas esperanças em reaver o
amigo.
A música continuava
se tornando parte da cena.
Era impossível
desassociá-la da tragédia de Issamu.
E então...o coração
de Issamu voltou a bater.
TOUMA
Black se levanta.
O Monstro Baleia
vibrava.
Issamu havia
retornado.
Mas, de volta à
cidade, sua primeira visão não foi de triunfo.
Foi de um Japão
destruído.
Pessoas desesperadas.
Rostos sem esperança.
Ele caminhou pelas
ruas.
Viu crianças.
Viu adultos.
Viu o medo.
E então viu uma
criança brincando entre os escombros de uma loja incendiada.
Por alguns segundos,
ela parecia feliz.
Até que começou a
imitar um combate.
Imitou um monstro.
Imitou Black.
E então caiu.
A criança fingiu
estar derrotada.
Issamu ficou olhando.
A brincadeira
terminou.
Mas ele não conseguiu
sorrir.
Porque, para aquela
criança, Black havia perdido.
E talvez fosse
exatamente assim que muitas pessoas enxergassem aquele momento.
O herói que deveria
protegê-las havia caído.
Issamu abaixou a
cabeça.
Uma culpa atroz tomou
conta dele.
Eu consigo sentir a
dor na alma de Issamu.
Não resisto...
Me permito chorar.
Olho pra Woz.
Mais racional que eu,
percebo que ele também se abala.
Tudo era muito
triste.
WOZ
Então ele se
levantou...
Não como uma arma.
Não como uma criatura
criada por Gorgom.
Mas como Issamu
Minami.
-Eu não vou hesitar
novamente.
A voz era baixa.
Mas firme.
-Não importa quantas vezes eu precise lutar.
Ele olhou para o
horizonte.
-Eu vou derrotar
Shadow Moon e salvar a Terra! Eu juro!
Pausa.
-Vou derrotar o
Grande Rei.
E então:
-Desta vez... -Issamu
apertou o punho -...não vou deixar ninguém lutar sozinho.
TOUMA
A música mudou de
intensidade.
O Monstro Baleia
apareceu novamente.
Ferido....
Morrendo covardente
nas mãos de um monstro Gorgom, caçador de traidores.
Mesmo sabendo que não
sobreviveria, havia cumprido sua missão.
Havia devolvido
Issamu ao mundo.
-Kamen Rider! Proteja o mar...o “nosso Mar”.
Bloqueado pelos novos
poderes de Shadow Moon, impotente, Issamu, assistia angustiado, a morte de um
grande amigo.
Sua voz estava
embargada.
-MONSTRO BALEIA...
Shadow Moon
gargalhava:
-Esse é destino de um
traidor! Você será o próximo, Black Sun!
Issamu fechou os
olhos.
Mais uma perda...
Mais alguém que
acreditou nele.
Mais alguém que não
poderia acompanhar sua luta.
WOZ
Então veio a batalha
final.
Black contra Shadow
Moon.
Issamu contra
Nobuhiko.
Irmão contra irmão.
A revanche.
Gorgom contra aquele
que havia sobrevivido a ela.
Já de início, Issamu
vê Battle Hooper, a sua moto companheira ser destruída por Shadow Moon, após se
libertar do controle mental dele e se lançar contra o próprio Shadow Moon, num
contra-ataque suicida.
Uma grande explosão
ocorre.
Lançado ao ar, Shadow
Moon é atacado impiedosamente por um
enfurecido Black e se refugia na sede subterrânea de Gorgom.
Black vê sua moto
falar peka primeira antes de perder a
consciência e lhe agradecer :
-Obrigado...Kamen
Rider!
Desolado, Black pega
a Satã Sabre e se dirige ao coração da sede Gorgom.
Num último confronto,
ele finalmente vence Shadow Moon.
Em seguida, o Grande
Rei foi derrotado.
Gorgom chegou ao fim.
E, finalmente...
Black venceu.
A História poderia
ter terminado ali.
Um herói havia
derrotado o mal.
O inimigo havia
caído.
O país poderia
começar a reconstrução.
Mas a vitória não
trouxe felicidade imediata.
Trouxe a dor
explodindo em uma culpa inimaginável...
TOUMA
A imagem mostrou
Issamu.
Sozinho.
Diante de um
precipício, com o mar revolto abaixo e uma chuva torrencial que parecia chorar
junto com Issamu.
Ele segurava a Sabre
Satã.
Olhou para ela.
Depois para o local
onde Nobuhiko havia desaparecido.
Issamu atirou a
espada para o alto.
E gritou.
Não como Kamen Rider.
Não como um herói.
Como um irmão.
-NOBUHIKO!
O grito ecoou.
Mais uma vez:
-NOBUHIKO!
E novamente.
-NOBUHIKOOOO!
Nobuhiko havia
morrido soterrado.
A vitória estava
completa.
Mas Issamu havia
perdido seu irmão.
A música continuava.
E eu percebi algo.
Aquele não era o
final de uma batalha.
Era o começo de uma
vida completamente diferente.
Issamu estava só.
WOZ
A tela congelou.
Por alguns segundos,
ninguém falou.
Então Touma perguntou
novamente:
- Woz...
-Sim?
-Onde estavam os
outros? Eu ainda não consigo entender.
Olhei para a imagem
congelada de Issamu.
- Essa é a pergunta...
Fechei o livro.
-Agora você está
pronto para descobrir.
IAWEI!
TOUMA
O Arquivo voltou
alguns minutos no tempo.
Takeshi Hongo
apareceu novamente.
Depois Ichimonji.
Kazami.
Riderman.
X.
Amazon.
Stronger.
Skyrider.
Super-1.
ZX.
Todos estavam
lutando.
Todos receberam
informações sobre Black.
Todos tentaram
chegar.
Nenhum conseguiu...
WOZ
Não porque não se
importassem.
É bom que todos
saibam...
Mas porque naquele
dia...o mundo inteiro precisava de um Rider.
Em várias partes do
mundo, quer sejam remanescente da Shocker, Black Satã e outros impérios, além
de membros da seita Gorgom e até de membro do Império Crisis, que começavam a
atuar na Terra, os Kamen Riders lutavam por aquilo que mais importava para cada
um deles...
Vidas humanas.
TOUMA
Olhei para Woz.
-Eles sabiam que
Black estava em perigo e arriscava novamente sua vida para salvar a Terra?
Ele me respondeu:
-Alguns receberam informações.
-Então poderiam ter
ido, já que não foram quando Issamu
morreu– conclui.
-Poderiam.., mas não
foram. – insisti.
Woz discordou:
-Não conseguiram.
Pensei por alguns
segundos.
-Há uma diferença
entre não ir e não conseguir chegar. Se eles tivessem simplesmente ignorado
Issamu, seria abandono.
Olhei para a tela,
para Kazami parado sob a chuva com o comunicador mudo na mão.
-Mas eles estavam
salvando outras pessoas. Cada um deles fez a única coisa que um Rider pode
fazer quando o mundo se divide em duas emergências ao mesmo tempo.
Woz sorriu.
- IAWEI!
-O que foi?
-Você encontrou uma
maneira de defender dez homens que chegaram tarde demais.
-Não estou defendendo
o atraso.
- Então?
-Estou defendendo as
pessoas.
Pausa.
-Um herói não deixa
de ser herói porque não conseguiu salvar todos.
Woz ficou em
silêncio.
WOZ
Então chegamos
novamente ao momento que nenhum de nós queria rever.
Issamu.
Shadow Moon.
Black.
A batalha.
A queda.
A morte.
Mas agora...nós
conhecíamos tudo que havia acontecido depois.
A música...
O Japão.
A flor.
Kyoko.
Satie.
O Monstro Baleia.
A ressurreição.
A criança.
A culpa.
A promessa de Issamu.
A morte do Monstro
Baleia.
A batalha final.
O fim de Battle Hooper.
A vitória.
E aquele grito:
Nobuhiko!
Tudo estava
conectado.
A morte de Black não
era apenas um acontecimento.
Era uma ferida que
continuaria produzindo consequências.
TOUMA
E então compreendi...
Os dez Riders não
chegaram a tempo para salvar Black.
Mas a História não
terminou ali.
Issamu voltou.
Levantou-se.
Continuou.
E, anos depois,
quando o mundo novamente estivesse contra ele...os dez finalmente chegariam.
Não foi para apagar
aquela morte.
Não foi para fingir
que ela nunca aconteceu.
Mas para cumprir uma
promessa.
WOZ
A tela escureceu.
Fechei o livro.
-Agora você sabe onde
eles estavam.
Touma permaneceu
olhando para a tela apagada.
-E agora entendo por
que eles ficaram tão abalados.
-Sim. – respondi.
-Eles não abandonaram
Black.
-Não.
- Eles chegaram
tarde.
- Sim.
Touma respirou fundo.
-E talvez essa seja a
pior coisa que pode acontecer a um herói. Não conseguir chegar a tempo, mesmo
tendo feito tudo certo.
Olhei para ele.
E, dessa vez, não
respondi com uma frase teatral.
Apenas disse:
-Sim.
WOZ
A História ainda não
havia terminado.
Os dez Riders se
reuniriam.
Não haveria câmeras.
Não haveria
cerimônia.
Apenas dez homens
diante da ausência de um companheiro.
Hongo falou:
-Nós não chegamos...
Ninguém respondeu.
-Não importa quantas
pessoas tenhamos salvado naquele dia.
Sua voz falhou.
-Black morreu
sozinho. E quando ressuscitou, lutou sozinho novamente.
Kazami ergueu os
olhos.
-Não diga isso.
-É verdade.
-Ele morreu lutando.
-Mas morreu sem nós.
Ichimonji interveio:
-Se tivéssemos
abandonado nossas missões, outras pessoas poderiam ter morrido.
Hongo assentiu.
-Eu sei.
-Então não transforme
nossa escolha em culpa.
Hongo ficou em
silêncio.
-Não consigo...Falhamos
com Black. Duas vezes...
Daysuke Yamamoto, o Kamen
Rider Amazon, apertou o punho.
-Nenhum de nós
consegue.
Shigueru Jo, o
Stronger, aproximou-se.
-Então carregaremos
isso juntos.
Hongo levantou os
olhos.
- E se ele voltar?
Silêncio.
-Se Issamu voltar...
Hongo fechou o punho.
-Não vamos deixá-lo
lutar sozinho novamente.
Um por um, os outros
assentiram.
Não sabiam se aquele
dia chegaria.
Não sabiam se Issamu
voltaria.
Não sabiam sequer se
teriam a oportunidade de cumprir aquela promessa.
Mas fizeram-na mesmo
assim.
Porque eram Riders.
TOUMA
Fiquei olhando para
eles.
-Eles não sabiam que
Issamu voltaria.
-Não. – concordei.
-Então fizeram uma
promessa sem saber se algum dia poderiam cumpri-la.
-Sim.
Sorri.
-Isso é bonito.
Woz me encarou.
-Você chama isso de
bonito?
-Chamo. Mesmo sabendo
que nasceu da culpa. Porque eles transformaram culpa em compromisso.
Woz ficou em
silêncio.
-Eles não podem mudar
o que aconteceu.
Continuei:
-Mas podem escolher o
que farão depois.
Woz finalmente
sorriu.
-IAWEI!
TOUMA
A imagem final do
Arquivo mostrou Issamu.
Não como Black.
Não como RX.
Apenas Issamu.
O homem que havia
morrido.
O homem que havia
voltado.
O homem que havia
perdido o irmão.
O homem que ainda
precisaria continuar.
Olhei para aquela
imagem.
E compreendi.
Talvez os dez Riders
não tivessem conseguido salvar Black.
Mas a História ainda
havia dado a Issamu uma chance.
Uma chance de
continuar.
Uma chance de lutar.
Uma chance de amar.
Uma chance de
lembrar.
E, acima de
tudo...uma chance de permanecer humano.
A tela começou a
desaparecer.
E a última coisa que
ouvimos foi a melodia de "Long Long Ago, 20th Century".
Dessa vez, porém, não
parecia apenas uma música de despedida.
Parecia uma promessa.
A História de Black
havia terminado.
Mas a história de
Issamu Minami...ainda não.
Notas
Especiais.
(*01)
recurso do Zecter Drive de Kabuto, que gera uma distorção temporal que permite
que Kabuto lute num modo de velocidade
acima da capacidade dos humanos enxergarem. Enquanto a luta ocorre, para os
humanos o tempo parece parar.








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