Kamen Rider Legend - Temporada 3 - Kanen Rider Gotchard: em : Gotchanko! -Capítulo Único

 


Kamen Rider Legend -Temporada 3



KAMEN RIDER GOTCHARD EM: GOTCHANKO! 

CAPÍTULO ÚNICO 


Eu sou Hopper 1.

Um pequeno Gafanhoto Alquímico, mas não sou só isso.

Eu sou o Um. O primeiro. A carta que carrega o peso dos outros cem Chemies.

Talvez pareça muita responsabilidade para alguém do meu tamanho. Afinal, minhas pernas são pequenas, meu corpo é leve e, quando estou parado, tudo o que consigo fazer é observar o mundo de baixo para cima.

Mas isso nunca me incomodou.

Eu fui feito para saltar.

E saltar significa acreditar que existe algum lugar esperando por você depois que deixa o chão.

Foi assim que conheci Hotarou Ichinose.

Na verdade, dizer que nos conhecemos não explica direito o que aconteceu. Para mim, foi como sentir uma vibração diferente no ar. Uma frequência que não combinava com nenhuma outra. Algo que me fez querer me aproximar, mesmo sem saber exatamente por quê.

Hotarou era diferente.

Não porque fosse o mais forte. Não porque soubesse todas as respostas. Muito menos porque tivesse um plano perfeito para o futuro.

Ele era diferente porque olhava para o mundo como se ainda houvesse infinitas possibilidades escondidas nele.

Enquanto outras pessoas viam limites, ele enxergava caminhos.

Enquanto outras procuravam motivos para desistir, ele encontrava alguma coisa que valia a pena tentar.

E, quando olhou para mim, não viu apenas uma carta.

Viu um parceiro.

Isso pode parecer pouca coisa para vocês, humanos. Para mim, não era.

Eu conhecia a sensação de ser procurado por aquilo que podia oferecer. Conhecia a expectativa depositada sobre o primeiro de uma coleção, a responsabilidade de representar os outros Chemies.

Mas ser importante não é a mesma coisa que ser querido.

E Hotarou me fez sentir a diferença.

Ele não queria apenas o primeiro Chemy.

Ele queria Hopper 1.

A mim.

Foi naquele instante que alguma coisa mudou.

Não sei explicar se Chemies possuem um coração da mesma maneira que os humanos. Sei que possuímos energia, vontade, personalidade e sentimentos que não cabem em uma simples fórmula alquímica.

Sei também que, quando Hotarou sorri para mim, alguma coisa dentro de mim parece ganhar impulso.

Como se minhas pernas estivessem sempre prontas para o próximo salto.

Como se o mundo, de repente, tivesse ficado maior.

Talvez seja isso que os humanos chamem de felicidade.

Eu prefiro pensar que é o meu jeito de dizer:

Gotcha!

A DANÇA ALQUÍMICA

A primeira vez que nos transformamos juntos, compreendi que nossa parceria era muito mais do que uma ligação entre um humano e um Chemy.

Era uma dança.

Hotarou tinha seus movimentos, sua vontade e sua maneira impulsiva de enfrentar o mundo. Eu tinha meus saltos, meus reflexos e aquela energia que parecia nunca encontrar um lugar para ficar quieta.

Quando nossas forças se encontraram, não desapareci dentro dele.

Continuei sendo Hopper 1.

E Hotarou continuou sendo Hotarou.

Mas, juntos, nos tornamos algo novo.

Kamen Rider Gotchard.

Ainda me lembro da sensação daquela primeira transformação. A energia percorrendo meu corpo, as engrenagens alquímicas entrando em sintonia e a impressão de que o chão havia deixado de ser uma obrigação.

Pela primeira vez, meu salto não terminava onde minhas pernas alcançavam.

Eu podia ir mais longe.

Podia enfrentar perigos que jamais enfrentaria sozinho.

E podia fazer isso ao lado de alguém em quem confiava.

Não porque Hotarou fosse invencível.

Ele estava longe disso.

Hotarou tropeçava, cometia erros, agia antes de pensar e, às vezes, sorria justamente quando deveria estar preocupado.

Era um humano cheio de contradições.

Mas havia algo nele que eu compreendia melhor a cada batalha.

Hotarou não lutava porque acreditava que sempre venceria.

Ele lutava porque acreditava que ainda valia a pena tentar.

Essa diferença era importante.

Eu conseguia sentir quando seu corpo estava cansado, quando sua respiração perdia o ritmo e quando sua determinação começava a vacilar. Não precisava compreender todas as palavras que ele dizia. Bastava observar seus movimentos, perceber as pequenas mudanças em sua energia e escutar o silêncio que surgia entre uma decisão e outra.

Às vezes, Hotarou tentava esconder o medo atrás de um sorriso.

Eu sabia.

Às vezes, dizia que estava tudo bem quando seu coração parecia correr em uma direção e seus pés em outra.

Eu também sabia.

E, mesmo sem compreender completamente o que significava ser humano, aprendi que coragem não era a ausência de medo.

Era continuar avançando apesar dele.

Talvez por isso eu gostasse tanto de saltar.

No instante em que deixo o chão, não existe garantia de onde vou aterrissar.

Existe apenas o impulso.

E a confiança de que conseguirei encontrar meu caminho.

Hotarou me ensinou que uma batalha pode ser assim.

Um salto no desconhecido.

Uma escolha feita antes de todas as respostas aparecerem.

Uma mão estendida para alguém que ainda não sabe se conseguirá alcançá-la.

E, quando lutamos juntos, sinto que nossos movimentos finalmente encontram o mesmo ritmo.

Eu salto.

Ele avança.

E o futuro se abre diante de nós.

QUANDO O SALTO VACILA

Mas nem todos os saltos são fáceis.

Houve um momento em que percebi que Hotarou estava tentando carregar mais peso do que conseguia suportar.

A ameaça diante de nós não era apenas um inimigo que precisávamos derrotar. Pessoas estavam em perigo, e havia mais de uma direção para onde correr.

Hotarou tentou proteger a todos.

Correu para um lado, depois para o outro, procurando uma maneira de alcançar cada pessoa antes que fosse tarde demais.

Eu conhecia aquele ritmo.

Era o ritmo de alguém que se recusava a aceitar que não podia fazer tudo.

Saltamos novamente.

Atacamos.

Recuamos.

Tentamos encontrar uma abertura.

Mas, por mais que nos esforçássemos, não conseguíamos estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

E então aconteceu.

Por um breve instante, Hotarou hesitou.

Foi quase imperceptível. Um movimento interrompido, uma fração de segundo em que seu corpo não acompanhou sua vontade.

Para alguém que observasse de longe, talvez não significasse nada.

Para mim, foi como sentir o chão desaparecer antes mesmo de saltarmos.

Hotarou estava com medo.

Não apenas de perder uma batalha.

Ele temia não conseguir proteger aqueles que precisavam dele.

Temia que, mesmo dando tudo de si, alguém acabasse se machucando.

E, naquele momento, o garoto que sempre enxergava possibilidades parecia não conseguir encontrar nenhuma.

Eu queria dizer que tudo ficaria bem.

Queria garantir que venceríamos, que ninguém sofreria e que bastaria tentar mais uma vez.

Mas eu não podia prometer aquilo.

Não sabia se conseguiríamos salvar todos.

Não sabia quanto tempo ainda tínhamos.

E, pela primeira vez, compreendi que ser o parceiro de alguém não significava ter todas as respostas.

Às vezes, significava permanecer ao lado dessa pessoa quando as respostas não existiam.

Aproximei-me de Hotarou.

Não tinha palavras grandiosas para oferecer. Não possuía uma fórmula alquímica capaz de eliminar seu medo.

Eu era apenas Hopper 1.

Um pequeno Chemy.

O primeiro salto.

Mas ainda podia fazer aquilo para o qual havia sido criado.

Saltei.

Um movimento simples, familiar, quase brincalhão.

O bastante para chamar sua atenção.

Hotarou olhou para mim.

Por um instante, não vi o Kamen Rider Gotchard. Não vi o herói que enfrentava monstros ou o alquimista que buscava unir humanos e Chemies.

Vi apenas o garoto que me encontrara e que, desde o começo, havia me tratado como alguém que merecia estar ao seu lado.

Inclinei meu corpo, pronto para saltar novamente.

Era o nosso movimento.

Nosso ritmo.

Nossa maneira de começar.

Hotarou respirou fundo.

O medo não desapareceu de seu rosto. A preocupação continuava ali, e ele ainda não tinha como saber o resultado daquela batalha.

Mas seus olhos voltaram a encontrar os meus.

E ele sorriu.

Não porque tivesse certeza de que venceríamos.

Mas porque havia se lembrado de que não estava sozinho.

Foi o suficiente.

Não, não foi o suficiente para resolver tudo.

Foi o suficiente para dar o próximo passo.

E, às vezes, é disso que precisamos.

Não de uma certeza absoluta.

Não de uma promessa impossível.

Apenas de alguém que nos ajude a encontrar coragem para continuar.

Saltamos outra vez.

Dessa vez, Hotarou não tentou fazer tudo sozinho. Observou o campo de batalha, escolheu onde poderíamos ajudar e confiou que outras pessoas também fariam sua parte.

Continuamos lutando.

Com medo.

Com dúvidas.

Com a determinação de proteger aqueles que ainda podíamos alcançar.

E, quando finalmente tivemos a oportunidade de virar o rumo da batalha, compreendi algo que jamais esqueceria.

Hotarou não precisava se tornar alguém incapaz de falhar.

Não precisava salvar todos sozinho.

Não precisava carregar o mundo inteiro sobre os ombros para provar que era um bom herói.

Ele só precisava continuar sendo Hotarou.

O garoto que acreditava nas possibilidades.

O parceiro que me ensinou que confiar em alguém não é ter certeza de que essa pessoa nunca cairá.

É acreditar que, quando a queda acontecer, vocês poderão se levantar juntos.

Naquele dia, meu salto encontrou o dele outra vez.

E o chão já não parecia tão distante.

O PRIMEIRO E O ETERNO GOTCHANKO

Com o tempo, aprendi muitas coisas sobre os humanos.

Aprendi que eles podem ser corajosos e assustados ao mesmo tempo.

Que podem cometer erros mesmo quando suas intenções são boas.

Que, às vezes, machucam uns aos outros sem compreender o tamanho da dor que provocam.

E que também são capazes de recomeçar.

Hotarou me mostrou tudo isso sem precisar transformar cada experiência em uma lição.

Ele simplesmente continuou vivendo.

Continuou conhecendo pessoas, fazendo amizades, enfrentando perigos e acreditando que humanos e Chemies poderiam encontrar um caminho juntos.

Nem sempre era fácil.

O mundo continuava cheio de problemas. Ainda havia inimigos, conflitos e situações que nem mesmo a alquimia podia resolver com uma fórmula simples.

Mas Hotarou nunca deixou que as dificuldades apagassem completamente seu entusiasmo.

Era como se carregasse dentro de si um pequeno sol.

Às vezes, as nuvens o escondiam.

Às vezes, sua luz parecia fraca.

Mas ele sempre tentava fazê-lo brilhar novamente.

E eu continuava ao seu lado.

Não porque fosse o Chemy mais poderoso.

Não porque tivesse todas as respostas.

Muito menos porque o fato de ser o primeiro me tornasse superior aos outros.

Eu era Hopper 1.

Esse era meu nome, minha identidade e minha maneira de existir.

Havia outros Chemies com habilidades incríveis, personalidades únicas e forças que eu jamais conseguiria reproduzir. Cada um possuía seu próprio valor.

Eu não precisava ser todos eles.

Não precisava provar que era o melhor.

Porque Hotarou nunca me pediu isso.

Ele me aceitava como eu era.

E, ao fazer isso, permitiu que eu compreendesse algo que talvez seja uma das maiores descobertas de todas.

Ser o primeiro não significa ter de caminhar sozinho.

Significa que alguém precisa dar o primeiro passo.

Ou, no meu caso, o primeiro salto.

Às vezes, penso naquele instante em que Hotarou me encontrou. Na maneira como me olhou, na energia que senti quando nos aproximamos e na confiança que nasceu entre nós antes mesmo de compreendermos o que nossa parceria poderia se tornar.

Penso também em quantas coisas mudaram desde então.

Hoje, conheço o som de sua voz quando está feliz.

Reconheço o ritmo de seus passos quando está preocupado.

Sei quando seu sorriso é espontâneo e quando ele está tentando esconder alguma coisa.

E consigo perceber quando ele precisa de um parceiro, mesmo que não peça ajuda.

Talvez seja isso que significa construir uma amizade.

Não conhecer absolutamente tudo sobre alguém.

Mas aprender a reconhecer aquilo que essa pessoa nem sempre consegue dizer.

Hotarou me ensinou que eu podia ser mais do que uma carta.

Mais do que o primeiro de cem Chemies.

Mais do que uma peça em uma transformação.

Eu podia ser um amigo.

Um companheiro.

Alguém que faria diferença na vida de outra pessoa simplesmente por estar ali.

E, se ele me deu esse lugar, quero continuar sendo digno dele.

Não com grandes discursos.

Não prometendo vitórias impossíveis.

Mas saltando ao seu lado.

Nas batalhas que ainda virão.

Nos dias em que tudo parecer dar certo.

E também naqueles em que o mundo parecer pesado demais para carregar.

Porque, enquanto Hotarou continuar acreditando que humanos e Chemies podem construir um futuro juntos, eu estarei aqui.

Pronto para saltar.

Pronto para lutar.

Pronto para lembrá-lo de que não precisa encontrar todas as respostas sozinho.

E, se algum dia ele se esquecer de tudo isso, farei o que sempre fiz.

Darei um pequeno salto diante dele.

Talvez ele sorria.

Talvez estenda a mão.

Talvez diga alguma coisa boba, como costuma fazer.

E então seguiremos em frente.

Como sempre fizemos.

Hotarou Ichinose foi o humano que me encontrou.

Mas foi também aquele que me ensinou que ser encontrado é diferente de ser acolhido.

E eu fui acolhido.

Não apenas como Hopper 1.

Mas como seu parceiro.

Seu primeiro Chemy.

Seu pequeno gafanhoto.

Seu Gotchanko.

Meu nome é Hopper 1.

Sou o primeiro.

Sou Gotchanko.

E, enquanto Hotarou Ichinose continuar olhando para o futuro com aquele sorriso, continuarei sendo seu parceiro.

Seu primeiro salto.

Seu pequeno ninho.

E seu eterno Gotchanko!

GOTCHA!

FIM

 
Hooper 1 


Hotarou Ichinose, o Kamen Rider Gotchard 

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