Kamen Rider Legend -Temporada 3 - A origem dos Riders Cards -Capítulo Único
A
ORIGEM DOS RIDERS CARDS
Capítulo
Único
Laboratório
da Irmandade Rider.
O
laboratório estava mais movimentado do que de costume.
Sobre
a bancada principal, dezenas de cartões aguardavam os últimos ajustes.
Alguns
traziam imagens de Riders conhecidos; outros exibiam símbolos e registros de
sistemas mais recentes.
Ao
lado dos equipamentos de análise, uma sequência de Chemmy Cards estava
organizada em compartimentos transparentes.
Num
dos compartimentos transparentes, o Chemmy Hopper 1, o gafanhotinho mascote de
Hotarou Ichinose, o Kamen Rider Gotchard, observava a movimentação com energia
quase inesgotável.
De
vez em quando, saltava contra a parede do recipiente, como se quisesse
participar da reunião, e depois se aquietava para acompanhar Sento trabalhar.
Quando
Sento se aproximou para conferir os Chemmy Cards, Hopper 1 deu um salto animado
e ergueu as patinhas.
O
cientista sorriu de canto.
—
HOPPER!
— Eu
sei, eu sei. Você também quer ver o resultado. Só não tente comer nenhum
cartão, combinado?
Hopper
1 inclinou a cabeça, aparentemente ofendido com a sugestão, e soltou um
“HOPPER!” indignado.
Kiryuu
Sento examinava os dados projetados no monitor e alguns relatórios enviados por
IZU, a Humagear assistente de Aruto Hiden, o Kamen Rider Zero One, enquanto
George Karizaki observava o resultado com um sorriso de satisfação.
— Ladies and gentlemen! Preparem-se para
testemunhar mais um triunfo da ciência Rider!
Sento
nem sequer levantou a cabeça.
—
Você disse isso quando conseguiu fazer a impressora funcionar sem engolir três
cartões.
—
Okay, okay... Aquilo foi um incidente técnico isolado!
—
Você colocou o cartão ao contrário.
— Um
detalhe irrelevante diante da grandeza do resultado final!
Sento
suspirou.
Trabalhar
com George exigia quase tanta paciência quanto desenvolver uma nova tecnologia.
Na
bancada, um último cartão passou pelo processo de gravação.
O
equipamento emitiu um sinal sonoro, e as informações foram confirmadas no
monitor.
RIDER
CARD: KAMEN RIDER ZEZTZ.
Sento
conferiu os dados e enviou uma mensagem de agradecimento para IZU:
—
Pronto. Os Rider Cards de Zeztz estão concluídos. Obrigado, IZU! Sua ajuda foi
decisiva para esse resultado.
George
abriu os braços como se estivesse diante de uma plateia invisível.
—
Magnificent! Mais uma contribuição extraordinária para o futuro da tecnologia
Rider!
—
Você poderia simplesmente dizer que terminamos.
— E
perder a oportunidade de celebrar a excelência científica? Never!
Sento
ignorou a provocação e se voltou para os outros equipamentos.
Ainda
havia muito trabalho a fazer.
A
pedido de Tsukasa Kadoya, Daiki Kaito e Ho-Oh Kaguya Quartz, os dois cientistas
também estavam desenvolvendo os cartões relacionados a Kamen Rider My-th.
A
tecnologia exigia cuidados especiais.
Os
Rider Cards e os Chemmy Cards precisavam ser configurados de acordo com suas
respectivas funções, sem que as características de um sistema fossem
confundidas com as do outro.
George
cruzou os braços, observando os esquemas dos dois sistemas. — Há um obstáculo
que não podemos ignorar: os dispositivos de Zeztz e de My-th são organizados em
fivelas peitorais, não em belts presos à cintura como acontece com tantos
outros Riders.
—
Isso muda a disposição dos componentes, a leitura dos sinais e até a forma como
os cartões interagem com o sistema — continuou George.
—
Não basta adaptar o formato do cartão. Precisamos garantir que ele reconheça
uma arquitetura diferente sem tentar impor a lógica de um belt convencional.
Sento
assentiu, voltando os olhos para os dados. — Foi por isso que tivemos de tratar
os dois casos separadamente. A estrutura do Rider Card pode ser parecida, mas a
interface que o ativa não é a mesma.
George
observou os dados por alguns instantes.
—
Interessante. Embora os cartões compartilhem uma estrutura física semelhante,
suas funções não são necessariamente idênticas.
—
Exatamente — respondeu Sento.
Nesse
instante, o equipamento emitiu dois sinais curtos.
Na
tela, as leituras se estabilizaram, e o último Rider Card relacionado a My-th recebeu a confirmação final.
Ao
lado dele, os Chemmy Cards também estavam prontos para uso.
Sento
conferiu os parâmetros uma última vez, comparando a resposta energética dos
cartões com os registros do sistema.
Após
uma última olhada em seus complexos
cálculos matemáticos escritos numa pequena lousa, Sento concluiu que a compatibilidade estava dentro dos limites
previstos, sem interferência entre a função dos Rider Cards e a dos Chemmy
Cards.
Como
de costume, uma pequena mecha de seu cabelo se espetou:
—
Bingo. My-th está concluído. A leitura está estável, a resposta energética é
consistente e os dois sistemas conseguem coexistir sem comprometer um ao outro.
Tecnicamente, é um resultado excelente.
Ele
finalmente recostou-se na bancada e deixou escapar um sorriso satisfeito.
— E,
pensando bem, nada mal: já temos o Rider coelho, o Rider raposa, o Rider doce…
e agora um Rider ratinho.
Eureka! Estamos cada vez mais criativos! Isso é uma excelente best match!
George
não deixa passar e faz uma piada:
—
Yes! Vamos baixar um decreto pra
Irmandade: Chega de gafanhotos!
Indignado, Hopper 1 encarou George, eriçou o corpo e
abriu a boca num gesto ameaçador:
—
HOPPER!!
George
recuou meio passo, ainda sorrindo.
Hopper
1 bateu as patinhas na bancada e protestou, indignado:
—
HOPPER!!
Sento
ri:
—
Acho que ele não gostou da sua teoria.
— A
ciência precisa estar preparada para críticas — respondeu George, mantendo uma
distância prudente do pequeno Chemmy.
—
Uma observação brilhante, meu caro Sento!
—
Você acabou de repetir o que eu disse.
—
Com uma apresentação muito melhor!
Antes
que Sento pudesse responder, a porta do laboratório se abriu.
Daiki
Kaito entrou primeiro, com as mãos nos bolsos e sua habitual expressão
despreocupada.
Logo
atrás dele vinha Ho-Oh Kaguya Quartz, cuja postura elegante e autoconfiança
pareciam desafiar qualquer possibilidade de discrição.
—
Então? — perguntou Daiki. — Já terminaram?
— Os
cartões de Zeztz estão prontos — respondeu Sento. — Estamos finalizando os de
My-th.
Kaguya
aproximou-se da bancada.
—
Espero que tenham feito jus à importância deste trabalho. Afinal, estamos
falando de poderes que merecem uma apresentação à altura de sua grandiosidade.
Não aceito nada menos do que maravilhoso.
George
sorriu.
—
Finalmente alguém que compreende a importância de uma boa apresentação!
Sento
fechou os olhos por um instante.
—
Ótimo. Agora temos dois... Saudades do Banjou, aquele cérebro de músculos.
Daiki
pegou um dos cartões de Zeztz, examinando-o contra a luz.
—
Tsukasa vai querer saber se tudo está funcionando.
—
Ele pode vir verificar pessoalmente — respondeu Sento. — Não vou aceitar que
ele apareça depois reclamando que alguém mexeu em seus cartões sem autorização.
Daiki
deu um sorriso discreto.
—
Conhecendo Tsukasa, ele vai reclamar de qualquer maneira.
—
Principalmente se alguém disser que o cartão dele tem a cor errada —
acrescentou George, com um sorriso provocador.
Daiki
soltou uma risada:
Isso é que dá ele não gostar de pepinos do
mar.
Enquanto
isso, Sento lançou a George um olhar de advertência.
Kaguya
inclinou a cabeça, interessado.
—
Isso parece uma história que merece ser contada.
—
Não incentive — pediu Sento. — Não quero problemas com o Destruidor...
George,
porém, já estava entretido com a própria ideia.
—
Ah, meu caro Tsukasa! Um homem de tantas dimensões, tantos poderes e tão pouca
tolerância para determinadas cores! What
a dull thing!
—
George — advertiu Sento.
—
Estou apenas fazendo uma observação científica!
—
Não existe absolutamente nada de científico nisso. Precisamos do nosso guardião
dimensional de bom humor... Sempre! Entendeu?
Enquanto
os dois discutiam, Daiki colocou o cartão de volta na bancada.
Seu
olhar percorreu os equipamentos e os cartões recém-produzidos.
—
Oh, gênio... Pensando bem, existe uma coisa que sempre me intrigou.
Sento
voltou-se para ele.
— O
quê, Kaito-kun?
—
Quem criou os primeiros Rider Cards?
A
pergunta interrompeu a conversa.
George
perdeu por um instante o sorriso brincalhão.
Sento
também pareceu considerar a questão com mais seriedade.
—
Depende de quais cartões estamos falando — respondeu o cientista. — Existem
diferentes sistemas, desenvolvidos em circunstâncias diferentes.
—
Mas alguns deles têm uma semelhança que não pode ser ignorada — observou Daiki.
— E eu duvido que isso seja apenas coincidência.
Kaguya
cruzou os braços.
—
Uma questão digna de investigação.
George
olhou para os cartões de Decade e Diend que estavam guardados em um
compartimento especial.
—
Nesse caso, acredito que devemos perguntar ao nosso especialista no assunto.
Sento
ergueu uma sobrancelha.
—
Você quer dizer Tsukasa?
George
abriu um sorriso.
—
Precisamente!
Daiki
sorriu.
—
Então vamos chamá-lo.
Kaguya
assentiu.
— E,
naturalmente, também precisaremos de mim. Toda grande investigação exige alguém
com visão, presença e um talento extraordinário para reconhecer a própria
importância.
Sento
olhou para ele.
—
Você e George vão se dar muito bem...
— Eu
ouvi isso como um elogio — respondeu Kaguya.
George
abriu um sorriso ainda maior.
—
Excellent! Temos cartões, cientistas, guardiões dimensionais e uma pergunta
histórica!
Ele
apontou dramaticamente para o teto.
— O
palco está preparado!
Sento
respirou fundo.
A
investigação ainda nem havia começado, e ele já estava cansado.
xxxxxx
Algum
tempo depois...
Uma
Cortina Aurora se manifesta, trazendo consigo um ilustre visitante.
Tsukasa
Kadoya estava diante da bancada quando George terminou de apresentar os cartões
recém-concluídos.
Ao
lado dele, Daiki observava tudo com uma expressão divertida.
Kaguya,
fã assumido de Tsukasa, faz um pequeno gesto de reverência, para, em seguida,
voltar a examinar os novos cartões de My-th com interesse.
—
Então estes são os resultados do trabalho de vocês? — perguntou Tsukasa.
—
Não esperava menos de vocês...
—
Sim — respondeu Sento. — Os Rider Cards de Zeztz foram concluídos, assim como
os Rider Cards e Chemmy Cards de My-th que você, Daiki e Kaguya solicitaram.
Antes
que Tsukasa pudesse responder, Sento pegou um Chemmy Card e o aproximou do
leitor de testes. O cartão brilhou, e o leitor emitiu um sinal suave.
Hopper
1, que estava na bancada, interrompeu o que fazia e se voltou para o cartão; em
seguida, saltou na direção de Tsukasa, atraído pela ligação que o teste acabara
de estabilizar.
O
Chemmy, que até então estivera eufórico, ficou imóvel por um segundo. Depois se
aproximou de Tsukasa e encostou a cabeça em sua mão, num gesto
surpreendentemente carinhoso.
Tsukasa
pareceu não saber muito bem o que fazer.
Olhou
para o pequeno ser, depois para Sento.
—
Isso faz parte do teste?
Hopper
1 soltou um chamado alegre — HOPPER! — e subiu no braço de Tsukasa.
O homem, que costumava manter uma expressão
distante diante de quase todos, ajeitou-o com cuidado para que não
escorregasse.
—
Ele tem bom gosto — declarou George.
Hopper
1 respondeu com saltos e um entusiasmado “HOPPER!”, tão animado que quase
atingiu o queixo de Tsukasa.
Pela
primeira vez desde que entrara no laboratório, Tsukasa riu de verdade.
— Se
o Ichinose não fosse um cara legal, eu teria ficado com você como meu mascote —
comentou Tsukasa, coçando de leve a cabeça do Chemmy.
Daiki
observou a cena, e o sorriso divertido em seu rosto ganhou um toque de inveja.
—
Esse tesouro eu nunca tive...
Hopper
1 virou-se para Daiki e deu um pequeno salto para trás, apreensivo.
Quando
Kaito estendeu um dedo para cumprimentá-lo, o Chemmy se escondeu atrás do pulso
de Tsukasa e soltou um “HOPPER!” desconfiado.
Kaguya
ri:
—
Está com ciúmes, Kaito-kun? Isso é pra quem pode, não pra quem quer... Mestre
Tsukasa é o cara.
—
Não estou com ciúmes — respondeu Daiki depressa.
E você é suspeito pra falar, Kaguya. Tsukasa é
um semideus pra você.
Kaguya
responde:
— Só estou reconhecendo que alguns recebem
companheiros adoráveis sem nem precisar roubá-los.
—
Ah, entendi — murmurou Daiki. — Ele desconfia de mim.
—
Talvez porque você tenha acabado de admitir que costuma roubar coisas — disse
Tsukasa, fitando-o de modo debochado.
Hopper
1 espiou por trás da mão de Tsukasa.
Ao
perceber que ninguém pretendia agarrá-lo, voltou a se animar e saltou até a
bancada, onde começou a farejar os cartões.
Enquanto
Hopper 1 farejava os cartões, Tsukasa separou o próprio Rider Card de Decade
dos demais.
A
luz do leitor refletiu na superfície e fez o pequeno Chemmy recuar, apreensivo.
Tsukasa percebeu a reação e afastou o cartão um pouco, deixando que Hopper 1 se
aproximasse por vontade própria. O Chemmy relaxou, tocou a bota de Tsukasa com
a cabeça e exclamou:
—
HOPPER!
—
Viu? — disse Tsukasa, abaixando-se para acariciá-lo. — Não precisa ter medo. É
só um cartão.
George
observou a cena com um sorriso menos provocador que o habitual.
A
reação de Tsukasa era cuidadosa, quase instintiva: ele não tratava Hopper 1
como um objeto curioso, mas como um pequeno ser que merecia confiança e
respeito.
Sento
observou a cena com um sorriso discreto:
— Interessante... Você tem um jeito cuidadoso
de lidar com ele.
Tsukasa
ergueu os olhos, desconfiado.
— O
que isso quer dizer?
—
Que você parece bem mais cuidadoso do que gosta de demonstrar — respondeu
Sento.
Tsukasa
desviou o olhar para Hopper 1, que continuava encostado em sua mão.
—
Não comece.
—
Tarde demais. Já comecei a análise.
—
Então analise outra coisa, Sento. Às vezes, gênios como você e o Karizaki são
insuportáveis...
Sento
ri:
—
Tera Bytes saltitantes! Vindo de você é um elogio... Agora eu fiquei surpreso.
Tsukasa
lança um olhar fulminante:
—
Gênio... você está passando dos limites. Eu vou acabar perdendo toda a
consideração que lhe tenho e...
Sento
o interrompe, levantando os braços:
— Já
entendi... Não quero que o seu lado destruidor volte a vigorar. Isso não é bom
pra ninguém. Prefiro o seu lado guardião dimensional.
—
Obrigado.
Tsukasa
pigarreou e voltou a examinar os cartões.
—
Parece estar tudo em ordem.
—
Naturalmente! — declarou George. — Você está diante do resultado de uma
colaboração entre duas das mentes científicas mais extraordinárias deste
universo!
Sento
apontou para si mesmo.
—
Uma delas está tentando terminar o trabalho enquanto a outra faz discursos.
E você se esqueceu da IZU, que também ajudou.
Devemos dar os devidos créditos a ela.
— A
ciência também precisa de publicidade, my friend!
Tsukasa
devolveu o cartão à bancada.
—
Certo. Antes que vocês comecem outra discussão, quero perguntar uma coisa...
George
inclinou a cabeça.
—
All right! Estou ouvindo, caro Tsukasa.
—
Você sabe como os primeiros Rider Cards foram criados?
Kaito
reage à fala:
Essa pergunta eu mesmo fiz antes de você
chegar. Não roube isso de mim.
Tsukasa
desdenha:
—
Roubar? Esse termo é mais apropriado a você.
George
pareceu surpreso.
— Eu
esperava uma pergunta sobre o funcionamento dos cartões, não sobre sua origem
histórica.
— E
qual é o problema?
—
Nenhum! Apenas significa que teremos de investigar algo muito mais
interessante!
Sento
aproximou-se.
— A
origem dos Rider Cards não é necessariamente a mesma para todos os sistemas.
Precisamos estabelecer exatamente quais cartões estamos discutindo.
Tsukasa
cruzou os braços.
— Os
meus e os do Diend são um bom ponto de partida.
Daiki
sorriu.
—
Finalmente uma pergunta interessante.
George
olhou para os dois.
—
Muito bem. Tsukasa Kadoya, usuário do Decadriver e portador dos Rider Cards de
Decade. Daiki Kaito, usuário do Diendriver e portador de seu próprio sistema de
cartões.
Ele
fez uma pequena pausa.
—
Agora, meus caros, expliquem uma coisa: de onde vieram esses cartões?
Tsukasa
não respondeu imediatamente.
Seu
olhar se desviou para o compartimento onde os cartões estavam guardados.
— Eu
não sei...
George
olhou por cima dos óculos, surpreso:
— What? Eu ouvi isso? Como assim, não sabe?
—
Exatamente como eu disse.
—
Você é o Kamen Rider Decade! O Rider que viaja entre mundos, utiliza os poderes
de outros Riders e atravessa realidades que a maioria das pessoas sequer sabe
que existem!
Tsukasa
cruza os braços:
—
Obrigado pelo resumo da minha carreira.
George
insiste:
— E
você não sabe quem criou seus cartões?
Tsukasa
lançou-lhe um olhar irritado.
—
Saber utilizar uma coisa não significa conhecer todos os detalhes de sua
origem.
Sento
assentiu.
Ele tem razão, Karizaki. Conhecimento
operacional e conhecimento histórico são coisas diferentes.
—
Obrigado, gênio! — disse Tsukasa. — Falou a voz do bom senso!
— Eu
sempre tenho... — Sento se auto elogia.
George
abriu um sorriso malicioso.
—
Ainda assim, é curioso. O grande Decade não conhece a origem dos próprios
cartões.
Tsukasa
estreitou os olhos.
—
George, você está tentando me irritar?
—
Eu? Jamais! Estou apenas celebrando a humildade científica!
Daiki
riu discretamente.
Kaguya
observou a cena com interesse.
—
Continuem. Estou começando a gostar desta investigação.
Tsukasa
ignorou os comentários e voltou ao assunto.
—
Existe uma possibilidade que nunca consegui descartar.
Sento
se aproximou da bancada.
—
Qual?
— A
Dai-Shocker.
A
expressão de George mudou.
— A
organização que reuniu diferentes forças e procurou controlar os poderes dos
Riders?
—
Essa mesma.
Tsukasa
apoiou uma das mãos na bancada.
—
Narutaki conhecia informações sobre mim que eu nem sempre conseguia explicar. E
o Dr. Shinigami estava ligado a uma organização que demonstrava interesse em
diferentes Riders e em seus poderes.
—
Não se esqueçam que as viagens no tempo através das Cortinas Auroras foram eles
que inventaram. Diend e eu somos frutos disso.
Daiki
cruzou os braços.
— Em
relação às Cortinas Auroras faz sentido, mas você acha mesmo que eles criaram
os cartões?
—
Não estou afirmando isso. É uma hipótese. Talvez tenham participado da criação
de determinados sistemas, organizado registros ou tentado reproduzir uma
tecnologia que já existia.
—
Quem sabe com as viagens no tempo tenham descoberto a origem, copiado ou até
mesmo roubado a tecnologia...
São hipóteses...
Kaito,
sério responde:
—
Faz sentido. Para vencer os Riders, a Dai-Shocker, certamente, faria isso. Bem
a cara deles.
Tsukasa
olhou para os cartões sobre a bancada.
— O
que torna essa possibilidade interessante é que, de Ichigou a Gavv, eu tinha os
Rider Cards de todos os Riders principais.
Sento
ergueu as sobrancelhas.
— De
todos eles?
—
Sim. E havia também o cartão de Kamen Rider G.
Daiki
sorriu discretamente.
— O
Goro-san? Esse aí me lembro.
Tsukasa
assentiu.
Sim.
Eu..., você, a Natsumi e o Onodera
o ajudamos a chegar à realidade. Foi uma situação bastante particular,
mas ele também faz parte dessa história.
Tsukasa
separou o cartão de G dos demais. Por um instante, não o observou como mais um
registro de poder, mas como a lembrança de alguém cuja existência naquele mundo
estivera em jogo.
Ao
apertar o botão de projeção de sua lente, conforme as fotografias iam se
sucedendo, ele contou aos demais a
história de Goro.(*01)
—
Aquele cartão é diferente para mim — acrescentou. — Não se trata apenas de
acessar a força de um Rider.
—
Ajudar o Goro-san a chegar à realidade
significou reconhecer que, por trás do cartão, havia uma pessoa que merecia ter
sua própria história.
Tsukasa
manteve os olhos no cartão e acrescentou, quase como se repetisse as palavras
que haviam marcado aquele encontro:
—
“Eu sou Goro... Eu sou um Rider.” É isso que importa. O cartão registra um
vínculo, mas não substitui a pessoa nem a escolha que existe por trás dele.
Kaito
confirma:
—
Sou testemunha de tudo isso. Tsukasa tem razão.
George
inclinou a cabeça, interessado.
—
Então você está dizendo que sua coleção de cartões abrangia os principais
Riders, incluindo alguém cuja chegada à nossa realidade você e seu núcleo
ajudaram a tornar possível?
—
Exatamente. E isso me fez pensar em algo: será que esses cartões foram reunidos
a partir de um sistema preexistente?
Será que alguém os criou especificamente para
permitir o acesso aos poderes dos Riders? Ou será que diferentes sistemas
acabaram convergindo para uma tecnologia semelhante?
Sento
refletiu sobre a ideia.
—
São três hipóteses diferentes. E nenhuma delas, isoladamente, comprova a
participação da Dai-Shocker.
— Eu
sei — respondeu Tsukasa. — Ter os cartões nunca significou conhecer toda a
história por trás deles.
Por
um instante, seu olhar voltou-se para o cartão de Decade.
— Eu
sabia como utilizá-los. Conhecia os poderes que podia acessar e as
possibilidades que eles ofereciam. Mas isso não significa que soubesse quem os
criou, quando foram produzidos ou como chegaram até mim.
Daiki
observou o amigo com mais seriedade.
— E
o cartão do G torna a questão ainda mais interessante. Afinal, nós não apenas
tivemos acesso a ele. Nós participamos dos acontecimentos que permitiram que
Goro chegasse a essa realidade.
—
Exatamente.
George
cruzou os braços.
—
Interesting! Nesse caso, precisamos distinguir duas coisas: a origem dos
cartões e a história de como cada cartão chegou às mãos de seu portador.
Sento
assentiu.
—
Boa observação, George. Um cartão pode ter sido criado muito antes de chegar ao
Rider que o utiliza. E a história de um cartão específico não necessariamente
explica a origem de todo o sistema.
Tsukasa
concordou.
— É
por isso que não quero tirar conclusões precipitadas. A Dai-Shocker pode ter
estudado esses sistemas, manipulado registros ou tentado controlar seus
poderes. Mas ainda não temos provas de que tenha criado os cartões originais.
Sento
aproximou-se dos cartões.
—
Isso explicaria por que uma organização interessada em controlar os Riders
teria interesse em catalogar seus poderes. Mas não provaria que ela criou os
cartões.
—
Exatamente — respondeu Tsukasa.
George
examinou alguns dos cartões sobre a bancada.
— Os
cartões de Decade estão associados à utilização dos poderes dos Riders
principais, enquanto o sistema de Diend permite acessar outros Riders e
utilizar seus poderes de maneiras distintas.
—
Simplificando bastante — acrescentou Sento.
—
Naturalmente. A explicação completa exigiria diagramas, projeções e uma
apresentação de pelo menos quarenta minutos.
—
Ninguém pediu uma apresentação — observou Tsukasa.
—
Ainda!
Kaguya
aproximou-se da bancada e examinou um dos cartões.
—
Então a semelhança entre eles pode ser resultado de princípios semelhantes, e
não necessariamente de uma origem compartilhada?
Sento
apontou para ele.
—
Exatamente. Essa é uma possibilidade que precisamos considerar.
—
Interessante — disse Kaguya. — Dois sistemas podem apresentar características
semelhantes sem terem sido desenvolvidos pela mesma pessoa ou organização.
—
Agora você entendeu — respondeu Sento.
George
sorriu.
—
Okay! Estamos avançando! Talvez devêssemos procurar registros antigos,
documentos esquecidos ou qualquer informação sobre os primeiros sistemas de
cartões.
Talvez o Woz ou o Touma-kun saibam. O Livro de
Crônicas dos Kamen Riders pode nos dar algumas pistas.
Sento
discorda:
— Se
soubessem, os dois ou a Sophia já teriam dito. A história dos Riders está sob a
responsabilidade deles. Esqueceram?
Razoável... Se esses registros ainda
existirem, se é que existem...— observou Daiki.
Tsukasa
voltou a olhar para os cartões.
— E
se alguém os tiver escondido deliberadamente?
A
pergunta permaneceu no ar.
Foi
nesse momento que uma voz tranquila surgiu atrás deles.
—
Nesse caso, talvez seja melhor começar procurando nos lugares onde o tempo
deixou suas marcas.
Todos
se viraram.
Um
homem de aparência serena, elegantemente trajado num smoking preto, segurando
uma bengala cujo cabo era cravejado de ouro estava parado perto da entrada do
laboratório.
Tsukasa
reconheceu-o imediatamente.
—
Owner-chan?
O
proprietário do Den-Liner sorriu.
—
Faz algum tempo, Kadoya...
Daiki
inclinou a cabeça.
—
Agora a conversa ficou interessante...
George
arregalou os olhos.
—
Oh, my God! O proprietário do Den-Liner!
O homem que viaja através do tempo e cuja
relação com os registros temporais pode nos ajudar a esclarecer este mistério!
Owner
olhou para ele.
—
Você costuma apresentar as pessoas dessa maneira, George-kun?
—
Somente quando a importância do convidado exige!
—
Entendo...
Sento
aproximou-se.
—
Owner-chan, estamos investigando a origem dos Rider Cards.
—
Tsukasa acredita que a Dai-Shocker possa ter participado da criação ou
organização de alguns sistemas.
Owner
olhou para Tsukasa.
— E
você tem provas dessa hipótese?
—
Não. Apenas motivos para considerá-la.
—
Então é uma boa maneira de começar, desde que não confunda uma suspeita com uma
conclusão.
Tsukasa
cruzou os braços.
—
Foi exatamente o que eu disse...
Daiki
sorriu.
—
Ele disse mesmo.
Owner
voltou sua atenção para os cartões.
—
Antes de falar sobre sua origem, precisamos considerar uma questão. O que vocês
entendem por um Rider Card?
George
respondeu imediatamente:
— Um
dispositivo que armazena informações relacionadas a um Rider e permite acessar
determinadas funções ou poderes.
—
Uma descrição funcional. Tecnicamente perfeita — observou Owner. — Mas ela não
responde a todas as perguntas.
Sento
ficou atento.
— O
senhor quer dizer que existe algo além da tecnologia?
—
Quero dizer que nem tudo o que um cartão representa pode ser reduzido aos dados
gravados nele.
Owner
pegou um dos cartões com cuidado.
— Um
cartão pode registrar informações sobre um Rider, mas também pode servir como
uma ligação com o poder que representa.
Dependendo do sistema, essa ligação pode
envolver tecnologia, energia, registros temporais ou outras propriedades que
não são necessariamente idênticas.
Owner
ficou em silêncio por um instante, como se ponderasse quanto daquela história
precisava ser recordado.
—
Existe, porém, uma parte dessa história que não deve ser confundida com a
fabricação de um dispositivo. O Livro Secreto dos Kamen Riders, recentemente
produzido pelo Woz e pelo Touma Kamiyama,
registra que os Riders são, em sua origem mais profunda, sementes de
Agito: sementes de luz e esperança que carregam no coração, mesmo quando ainda
não conhecem o próprio destino.
Sento
ergueu os olhos do cartão.
Eu cheguei a ler o livro. Mas tenho dúvidas.
—
Então a semente vem antes da tecnologia?
—
Exatamente — respondeu Owner.
—
Prometh, o Overlord da Luz, semeou essa possibilidade na humanidade.
Théos, o Overlord das Trevas e irmão gêmeo de
Prometh, tentou colher e controlar essas
sementes. Depois daquele conflito, permaneceram vestígios e marcas dos
portadores, registros de uma herança que atravessou gerações.
Daiki
observou os cartões sobre a bancada.
— E
esses vestígios acabaram relacionados aos Rider Cards?
—
São parte da raiz ancestral que ajuda a explicar por que sistemas tão
diferentes podem reconhecer poderes de Riders distintos — esclareceu Owner.
—
Mas não significa que todos os cartões tenham sido fabricados da mesma maneira,
nem que cada um tenha a mesma origem tecnológica. A semente existe antes do
cartão; o cartão é um meio de registrar, representar ou acessar algo que pode
ser muito mais antigo do que ele.
George,
pela primeira vez, não interrompeu a explicação para fazer uma apresentação.
— E
o senhor? — perguntou Kaguya. — O senhor já conhecia essa história muito antes
de nós.
Owner
assentiu com serenidade.
Se algum de vocês não sabe, meu verdadeiro nome é Ruko.
Fui o primeiro guerreiro a carregar essa
semente, ligado à linhagem ancestral dos
Lintos que mais tarde seria associada a Kuuga.
E Prometh continua atuando no curso da
história sob outra identidade: a do Chefe da Estação, o Ekichô. Ele e eu
ajudamos a conduzir acontecimentos que, vistos de fora, parecem coincidências.
Tsukasa
assimilou a informação sem demonstrar surpresa.
Aquilo
não era uma revelação nova para quem conhecia os registros do Livro Secreto,
mas uma peça importante para compreender o problema que tinham diante de si.
—
Então os Riders não foram criados pela Dai-Shocker — concluiu ele. — A
organização pode ter encontrado vestígios, catalogado fragmentos, copiado
registros e tentado fazê-los germinar para controlar seus poderes. Mas isso não
significa que tenha plantado as sementes.
—
Correto — respondeu Owner. — A Dai-Shocker pode ter explorado aquilo que
encontrou. Não foi a origem da semente de Agito, nem a responsável pela escolha
ancestral de cada Rider.
— O
Excelso Prometh escolheu muitos deles antes mesmo de nascerem; ainda assim,
cada um precisou responder, em sua própria vida, ao chamado e à
responsabilidade que recebeu.
Ichigou, o Rider 1, em nossa era moderna foi o primeiro de
muitos... Aliás, de todos vocês!
Mas, em eras, por exemplo, mais antigas existiram os Onis, antepassados
de Hibiki, o Kamen Rider musical, que vocês tanto conhecem.
Isso é só um exemplo. Nas mitologias de OOO e
Gaim, é possível também obter parte das respostas.
Sento
voltou a olhar para os cartões, agora com outra compreensão.
—
Isso explica como pode existir uma raiz comum sem que todos os sistemas sejam
iguais. A herança é antiga; os dispositivos, as interfaces e os métodos de
ativação podem ser diferentes.
—
Precisamente — disse Owner. — Não confundam a origem espiritual dos Riders com
a história técnica de cada cartão. Uma coisa pode iluminar a outra, mas não são
a mesma coisa.
— E
o caso de Goro demonstra isso de uma maneira muito particular — disse Tsukasa,
retirando o Rider Card de Kamen Rider G do compartimento.
Owner
observou o cartão, reconhecendo a importância daquela lembrança.
— O
cartão dele apareceu sem imagem — continuou Tsukasa. — Não era apenas uma falha
no registro. A história de Goro estava sendo apagada, e o mundo ao qual ele
pertencia se tornara instável. O cartão não conseguia mostrar plenamente quem
deveria representar.
Sento
examinou o cartão com atenção.
—
Então a ausência da imagem refletia a condição da história dele? — perguntou. —
Como se o registro não conseguisse se estabilizar enquanto o próprio destino de
Goro continuasse ameaçado?
—
Essa é a melhor maneira de compreender o que aconteceu — respondeu Tsukasa. —
Goro continuava existindo, continuava amando Eri e continuava lutando.
O que estava em risco era a permanência de sua
história naquela realidade.
Owner
assentiu lentamente.
—
Isso confirma a distinção que acabamos de estabelecer. A semente e o potencial
do Rider não nascem do cartão.
O cartão é um meio de representar ou
estabelecer uma ligação com aquilo que já possui uma origem mais profunda. No
caso de Goro, a ameaça à sua história comprometeu também a manifestação desse
vínculo.
Daiki
cruzou os braços.
—
Então Tsukasa, com minha ajuda, não criou Goro como Kamen Rider. De certa forma, nós ajudamos Goro a recuperar
o lugar que estava perdendo.
—
Exatamente — respondeu Tsukasa. — Eu podia encontrar o caminho até o mundo
dele, entregar-lhe o G-Drive e lembrá-lo de que não estava sozinho. Mas não
podia vencer aquela luta por ele.
Goro precisava recuperar a própria identidade
e escolher continuar.
— E
Eri também teve um papel decisivo — acrescentou George. — Ela o ajudou a
compreender que salvar alguém não deveria exigir que ele renunciasse à própria
existência.
Tsukasa
olhou novamente para o cartão.
—
Quando Goro venceu Seizan e mudou o destino que o condenava ao desaparecimento,
sua história pôde seguir adiante.
O cartão deixou de ser apenas um mistério sem
imagem e passou a representar uma identidade recuperada.
—
Portanto, o cartão não concedeu a Goro o direito de existir — concluiu Owner. —
Ele passou a representar com clareza uma história que Goro, com suas escolhas,
conseguiu preservar.
Tsukasa
guardou o cartão com cuidado.
—
Foi isso que aprendi com ele. Um Rider Card pode registrar uma marca, mas não
substitui a pessoa por trás dela.
Goro não se tornou importante porque recebeu
um cartão. O cartão tornou-se capaz de representá-lo porque sua história
encontrou um futuro.
Por
alguns instantes, ninguém falou.
A
revelação sobre as sementes de Agito já era importante por si só; agora, o caso
de Goro mostrava como aquela verdade podia se manifestar na vida de um Rider
cuja existência fora ameaçada.
George
inclinou-se para a frente.
—
Resumindo, então os cartões não são apenas recipientes de dados!
—
Não necessariamente. Essa é uma maneira limitada de compreendê-los.
Sento
refletiu sobre a explicação.
—
Isso significa que dois sistemas podem utilizar cartões fisicamente
semelhantes, mas estabelecer conexões diferentes com os poderes dos Riders.
—
Exatamente.
Kaguya
sorriu.
—
Uma distinção bastante importante.
Owner
devolveu o cartão à bancada.
— Creio que, depois do que disse, ficou fácil
para todos deduzirem que todos os
cartões não tenham surgido ao mesmo
tempo.
—
Alguns sistemas podem ter sido desenvolvidos a partir de tecnologias
específicas. Outros podem ter sido aperfeiçoados ao longo de diferentes
períodos.
— E
ainda existem possibilidades cuja origem não está suficientemente documentada.
Tsukasa
estreitou os olhos.
— O
senhor está dizendo que talvez não exista um único criador?
—
Estou dizendo que ainda não temos elementos suficientes para afirmar que
exista.
Daiki
cruzou os braços.
— E
quanto à Dai-Shocker?
Owner
permaneceu tranquilo.
—
Uma organização herdeira da lendária Shocker; responsável pela criação de
Ichigou e Nigou, que se rebelaram contra
eles; interessada nos poderes dos
Riders poderia estudar, copiar, modificar ou catalogar sistemas de cartões.
Também poderia tentar reunir informações de
origens distintas. Mas isso não significa, por si só, que tenha criado os
sistemas originais.
Sento
assentiu.
—
Portanto, a Dai-Shocker, herdeira da Shocker,
pode ter interferido na história de alguns cartões sem ser responsável
pela criação de todos eles.
—
Essa é uma possibilidade — respondeu Owner.
Tsukasa
permaneceu pensativo.
A
hipótese continuava de pé, mas agora estava inserida num quadro muito mais
amplo.
Talvez
a Dai-Shocker tivesse criado determinados registros.
Talvez
tivesse manipulado informações existentes.
Talvez
tivesse tentado reproduzir um sistema cuja origem desconhecia.
Ou
talvez a verdadeira resposta estivesse em algum lugar completamente diferente.
— E
os registros temporais? — perguntou Tsukasa. — O Den-Liner poderia nos ajudar a
descobrir quando esses sistemas surgiram?
Owner
assentiu lentamente.
—
Poderia ajudar a observar determinados acontecimentos e comparar registros de
períodos distintos. Como disse, há pistas que podem ser encontradas nas
mitologias de Hibiki, OOO e Gaim, entre outros.
Se vocês quiserem, podemos perfeitamente ir
até essas épocas. Mas o Den-Liner não é uma biblioteca onisciente. Como a
biblioteca da Sword of Logos não é.
Nem todo evento está registrado de maneira
completa, e nem toda informação temporal pode ser interpretada sem
ambiguidades.
George
pareceu decepcionado.
—
Então não basta embarcar no trem, consultar os registros e voltar com uma
resposta definitiva?
— Se
fosse tão simples, imagino que vocês não estariam tendo esta conversa.
Daiki
riu.
—
Gostei dele.
—
Você gosta de qualquer pessoa que consiga responder a Tsukasa sem perder a
calma — observou Sento.
—
Isso exige talento.
Tsukasa
lançou um olhar irritado aos dois.
—
Podemos voltar ao assunto?
Owner
sorriu discretamente.
—
Naturalmente...
Sento
apontou para os cartões recém-criados.
—
Existe outra questão. Os cartões do Zeztz e do
My-th foram desenvolvidos com base em tecnologias que conseguimos
compreender e adaptar. Mas isso não significa que tenhamos reproduzido a origem
de todos os sistemas antigos.
—
Correto — respondeu Owner.
George
cruzou os braços, refletindo sobre a explicação.
—
Portanto, os cartões que acabamos de produzir são uma nova aplicação
tecnológica. Eles não provam que todos os Rider Cards tenham sido criados
segundo os mesmos princípios.
—
Exatamente — disse Sento.
—
Fascinante! Isso significa que ainda temos muito trabalho pela frente!
Sento
suspirou.
— Eu
sabia que você diria isso...
Kaguya
observou os três homens e sorriu.
— A
verdade é que uma pergunta aparentemente simples acabou abrindo um caminho
muito maior.
— É
o que acontece quando se investiga a história dos Riders — respondeu Tsukasa. —
Sempre existe alguma coisa que não sabemos.
Daiki
olhou para ele.
—
Até mesmo você?
Tsukasa
virou a cabeça lentamente.
—
Não comece.
— Eu
só fiz uma pergunta.
— E
eu estou dando uma resposta.
George,
que até então tentava acompanhar a discussão, pareceu ter uma nova ideia.
Ao
olhar por cima dos óculos, seu sorriso se tornou perigosamente familiar.
—
Falando em respostas, existe uma questão que sempre me intrigou sobre você,
Tsukasa.
Tsukasa
fechou os olhos.
— Lá
vem.
—
Por que você insiste tanto em afirmar que sua cor é magenta?
O
silêncio tomou conta do laboratório.
Daiki
levou uma mão à boca.
Kaguya
ergueu as sobrancelhas, já antecipando o que estava por vir.
Sento
olhou para George com a expressão de alguém que acabara de perceber um desastre
se aproximando.
Owner
arregalou os olhos.
Até
o Chemmy Hopper 1 se agitou:
HOPPER!
Tsukasa
virou-se lentamente para o cientista.
—
Como é que é?
George
manteve a expressão inocente.
— Eu
apenas perguntei. Afinal, para muitas pessoas, sua cor parece um tom de rosa...
Tsukasa
deu um passo à frente.
—
MINHA COR É MAGENTA!
Daiki
começou a rir.
George
abriu os braços.
—
Fascinating! Uma resposta imediata, enfática e emocionalmente carregada!
—
GEORGE!
—
Estou apenas observando um fenômeno comportamental!
—
Você está observando o meu punho se aproximar do seu rosto!
Sento
colocou-se entre os dois antes que a discussão avançasse.
—
Certo! Chega! Estamos num laboratório, não num ringue! Se for assim, chamo o
Banjou pra participar. Ele adoraria...
Kaguya,
porém, parecia estar se divertindo muito.
—
Confesso que a intensidade desta reação é digna de nota.
Tsukasa
apontou para ele.
—
Você também não ajuda! Isso porque se diz meu fã...
—
Estou apenas apreciando o espetáculo.
Daiki
já não conseguia disfarçar a risada.
—
Tsukasa, admita. Você fica mais irritado quando alguém fala da sua cor do que
quando eu roubo alguma coisa sua, ou te recomendo comer pepinos do mar.
—
Porque você rouba coisas de verdade, Daiki!
— E
você se preocupa com a cor de um cartão.
Tsukasa
estreitou os olhos.
George
abriu a boca para continuar, mas Sento apontou para ele, encerrando a discussão
antes que a provocação recomeçasse.
Owner
observava tudo com a mesma serenidade de antes.
—
Imagino que essa discussão também faça parte da história dos Rider Cards.
Tsukasa
virou-se para ele.
—
Não, não faz!
Owner
sorriu.
—
Nesse caso, talvez seja melhor deixarmos essa parte fora dos registros
temporais.
Daiki
precisou se apoiar na bancada para continuar rindo.
Mesmo
Tsukasa, apesar da irritação, não conseguiu evitar um breve sorriso antes de
voltar à expressão habitual.
A
investigação, ao que parecia, havia encontrado seu próprio obstáculo.
E
ele atendia pelo nome de George Karizaki.
EPÍLOGO
Aquilo
que o tempo ainda não revelou
A
discussão sobre as cores finalmente perdeu força.
George
voltou aos equipamentos, ainda murmurando sobre novas classificações para os
Riders. Sento retomou a conferência dos cartões, determinado a impedir que
qualquer nova ideia do colega interferisse no trabalho.
Daiki
e Kaguya permaneceram perto da bancada.
Tsukasa,
entretanto, voltou a examinar os cartões de Decade e Diend.
A
explicação de Owner havia esclarecido algumas questões, mas também levantara
outras.
Ele
não tinha uma resposta definitiva para a origem dos próprios cartões.
A
participação da Dai-Shocker continuava sendo uma possibilidade, não uma
certeza.
E os
diferentes sistemas poderiam ter histórias independentes, ainda que
apresentassem características semelhantes.
O
mistério permanecia.
—
Você parece decepcionado — comentou Daiki.
Tsukasa
não tirou os olhos dos cartões.
— Eu
esperava encontrar alguma coisa mais concreta.
—
Você encontrou.
Tsukasa
olhou para ele.
— O
quê?
—
Descobriu que não pode atribuir a origem dos cartões a uma única organização
sem provas. Também descobriu que os sistemas podem ter histórias diferentes.
Não é exatamente uma resposta definitiva, mas é alguma coisa.
Tsukasa
ficou em silêncio por um instante.
—
Odeio quando você faz sentido.
Daiki
sorriu.
— Eu
sei...
Kaguya
aproximou-se dos dois.
— A
ausência de uma resposta definitiva não torna a investigação inútil. Pelo
contrário, agora temos uma compreensão melhor do que precisamos procurar.
Tsukasa
assentiu.
— E
temos a pista sobre a Dai-Shocker e sobre as mitologias dos Riders citados pelo
Owner. Se encontrarmos registros confiáveis, poderemos descobrir até que ponto
ela esteve envolvida.
Daiki
concordou.
— E
temos a informação do Owner sobre as inconsistências temporais. Talvez as duas
questões estejam relacionadas.
—
Talvez — respondeu Tsukasa. — Mas não vamos confundir coincidência com prova.
Kaguya
sorriu.
—
Uma postura prudente.
Owner,
que se preparava para deixar o laboratório, interrompeu a conversa.
—
Existe mais uma coisa que talvez seja interessante para vocês.
Os
três guardiões dimensionais voltaram-se para ele.
Sento
também ergueu a cabeça.
— O
que foi?
Owner
retirou um pequeno dispositivo e o colocou sobre a bancada.
—
Durante algumas observações realizadas pelo Den-Liner, foram identificadas
inconsistências em determinados registros temporais relacionados a objetos
capazes de acessar ou reproduzir os poderes de diferentes Riders.
Tsukasa
se aproximou imediatamente.
—
Que tipo de inconsistências?
—
Diferenças entre registros que deveriam apresentar correspondência. Em alguns
casos, a sequência temporal não coincide perfeitamente. Em outros, determinadas
informações aparecem associadas a períodos diferentes daqueles em que deveriam
ter sido registradas.
Sento
examinou o dispositivo.
—
Isso pode indicar alterações nos registros, interferência temporal ou
simplesmente falhas de documentação.
—
Sim — respondeu Owner. — Ainda não existe informação suficiente para determinar
a causa.
Daiki
cruzou os braços.
— E
o senhor acha que isso pode estar relacionado aos Rider Cards?
—
Não posso afirmar. Os objetos envolvidos não são necessariamente idênticos aos
sistemas de Decade e Diend. Seria precipitado estabelecer uma ligação direta.
Kaguya
observou o dispositivo com atenção.
—
Mas a coincidência merece ser investigada.
Owner
assentiu.
—
Foi exatamente o que pensei.
Tsukasa
permaneceu pensativo.
A
nova informação não resolvia a questão original, mas abria uma possibilidade
concreta.
Se
os registros temporais apresentavam inconsistências relacionadas a objetos
capazes de acessar poderes de diferentes Riders, talvez existisse alguma
conexão entre fenômenos que, até então, pareciam independentes.
Talvez
não.
Era
cedo demais para concluir qualquer coisa.
— Se
houver uma relação entre essas anomalias e os sistemas de cartões, precisamos
descobrir antes que alguém tente explorá-la — disse Tsukasa.
Daiki
assentiu.
—
Concordo. Se houver alguma organização interferindo nesses registros, não
podemos ignorar a possibilidade de que esteja tentando obter acesso a poderes
de outros Riders.
Kaguya
sorriu, mas sua expressão tinha agora uma seriedade diferente.
—
Então temos uma nova investigação. E, naturalmente, ela exigirá a presença dos
três guardiões dimensionais.
Sento
olhou para os três.
— Se
conseguirem dados mais concretos, posso ajudar a comparar os registros com os
sistemas tecnológicos que conhecemos.
George
ergueu a cabeça imediatamente.
—
Uma nova investigação? Excellent! Posso preparar os equipamentos, os diagramas,
as projeções e uma apresentação especial!
Sento
apontou para ele.
—
Você pode preparar os equipamentos. Só os equipamentos.
— E
a apresentação?
—
Não.
—
Uma introdução musical?
—
Também não.
— Um
gráfico cromático?
Tsukasa
virou-se tão depressa que Daiki voltou a rir.
—
GEORGE!
O
cientista ergueu as mãos.
—
Muito bem! Nenhuma tabela cromática! Por enquanto.
George
sorriu.
Sento
voltou a trabalhar, balançando a cabeça.
Daiki
continuou rindo.
Kaguya
observou os cartões sobre a bancada e depois olhou para Tsukasa.
—
Então, qual será nosso próximo passo?
Tsukasa
guardou seus cartões.
—
Vamos investigar as inconsistências temporais. Primeiro, precisamos descobrir
quais objetos estão envolvidos e se existe alguma relação verificável com os
sistemas que conhecemos.
Daiki
assentiu.
— E,
se encontrarmos alguma ligação com a Dai-Shocker, saberemos por onde começar.
—
Sem conclusões precipitadas — acrescentou Tsukasa. — Não vou acusar ninguém
apenas porque uma hipótese parece conveniente.
Owner
sorriu discretamente.
—
Uma decisão sensata.
Ele
se dirigiu à saída.
—
Quando tiverem informações mais concretas, talvez possamos comparar os
registros com os dados do Den-Liner.
Tsukasa
assentiu.
—
Obrigado, Owner.
—
Boa sorte, Kadoya.
O
proprietário do Den-Liner deixou o laboratório, levando consigo os próprios
mistérios.
Por
alguns instantes, ninguém falou.
Na
bancada, os cartões de Zeztz e My-th estavam finalmente concluídos.
Os
cartões de Decade e Diend permaneciam guardados, carregando perguntas que
talvez nunca tivessem uma resposta simples.
E,
em algum lugar entre as linhas temporais e as realidades paralelas, existiam
registros que ainda precisavam ser compreendidos.
Tsukasa
olhou para Daiki e Kaguya.
—
Parece que temos trabalho pela frente.
—
Finalmente alguma coisa interessante — respondeu Daiki.
Kaguya
sorriu.
—
Uma investigação digna de três guardiões dimensionais.
George
aproximou-se da bancada com uma prancheta.
—
Antes que vocês partam, tive uma ideia para organizar os registros dos cartões!
Tsukasa
fechou os olhos.
—
Não.
—
Uma classificação por cores!
—
NÃO.
—
Uma classificação especial!
Tsukasa
apontou para ele.
—
GEORGE!
A
gargalhada de Daiki ecoou pelo laboratório.
Sento
voltou a suspirar.
Kaguya,
naturalmente, considerou tudo uma excelente forma de encerrar a reunião.
E
assim, enquanto a Irmandade Rider se preparava para investigar um mistério que
poderia atravessar diferentes mundos e períodos históricos, uma certeza
permanecia inabalável:
Algumas
lendas são construídas em batalhas.
Outras
nascem de mistérios que desafiam o próprio tempo.
E
algumas precisam conviver com um cientista que não consegue resistir a uma
provocação.
Mas,
acima de tudo, existe uma verdade que nenhum registro temporal, nenhuma
tecnologia e nenhum guardião dimensional poderá mudar.
A
cor de Kamen Rider Decade é MAGENTA!
E
Tsukasa Kadoya jamais aceitará ser chamado de rosinha.
FIM.
Tsukasa Kadoya, Owner, Daiki Kaito , Ho-Oh Kaguya Quartz e o Chemmy Hopper 1
Notas
Especiais
(*01)
Conforme fanfic de minha autoria intitulada “Eu sou Goro...Eu sou um Rider!” ,
publicada na temporada 1 do projeto Kamen Rider Legend;





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