Kamen Rider Legend -Temporada 3 - A origem dos Riders Cards -Capítulo Único

 


Kamen Rider Legend -Temporada 3



A ORIGEM DOS RIDERS CARDS

Capítulo Único

Laboratório da Irmandade Rider.

O laboratório estava mais movimentado do que de costume.

Sobre a bancada principal, dezenas de cartões aguardavam os últimos ajustes.

Alguns traziam imagens de Riders conhecidos; outros exibiam símbolos e registros de sistemas mais recentes.

Ao lado dos equipamentos de análise, uma sequência de Chemmy Cards estava organizada em compartimentos transparentes.

Num dos compartimentos transparentes, o Chemmy Hopper 1, o gafanhotinho mascote de Hotarou Ichinose, o Kamen Rider Gotchard, observava a movimentação com energia quase inesgotável.

De vez em quando, saltava contra a parede do recipiente, como se quisesse participar da reunião, e depois se aquietava para acompanhar Sento trabalhar.

Quando Sento se aproximou para conferir os Chemmy Cards, Hopper 1 deu um salto animado e ergueu as patinhas.

O cientista sorriu de canto.

— HOPPER!

— Eu sei, eu sei. Você também quer ver o resultado. Só não tente comer nenhum cartão, combinado?

Hopper 1 inclinou a cabeça, aparentemente ofendido com a sugestão, e soltou um “HOPPER!” indignado.

Kiryuu Sento examinava os dados projetados no monitor e alguns relatórios enviados por IZU, a Humagear assistente de Aruto Hiden, o Kamen Rider Zero One, enquanto George Karizaki observava o resultado com um sorriso de satisfação.

 — Ladies and gentlemen! Preparem-se para testemunhar mais um triunfo da ciência Rider!

Sento nem sequer levantou a cabeça.

— Você disse isso quando conseguiu fazer a impressora funcionar sem engolir três cartões.

— Okay, okay... Aquilo foi um incidente técnico isolado!

— Você colocou o cartão ao contrário.

— Um detalhe irrelevante diante da grandeza do resultado final!

Sento suspirou.

Trabalhar com George exigia quase tanta paciência quanto desenvolver uma nova tecnologia.

Na bancada, um último cartão passou pelo processo de gravação.

O equipamento emitiu um sinal sonoro, e as informações foram confirmadas no monitor.

RIDER CARD: KAMEN RIDER ZEZTZ.

Sento conferiu os dados e enviou uma mensagem de agradecimento para IZU:

— Pronto. Os Rider Cards de Zeztz estão concluídos. Obrigado, IZU! Sua ajuda foi decisiva para esse resultado.

George abriu os braços como se estivesse diante de uma plateia invisível.

— Magnificent! Mais uma contribuição extraordinária para o futuro da tecnologia Rider!

— Você poderia simplesmente dizer que terminamos.

— E perder a oportunidade de celebrar a excelência científica? Never!

Sento ignorou a provocação e se voltou para os outros equipamentos.

Ainda havia  muito trabalho a fazer.

A pedido de Tsukasa Kadoya, Daiki Kaito e Ho-Oh Kaguya Quartz, os dois cientistas também estavam desenvolvendo os cartões relacionados a Kamen Rider My-th.

A tecnologia exigia cuidados especiais.

Os Rider Cards e os Chemmy Cards precisavam ser configurados de acordo com suas respectivas funções, sem que as características de um sistema fossem confundidas com as do outro.

George cruzou os braços, observando os esquemas dos dois sistemas. — Há um obstáculo que não podemos ignorar: os dispositivos de Zeztz e de My-th são organizados em fivelas peitorais, não em belts presos à cintura como acontece com tantos outros Riders.

— Isso muda a disposição dos componentes, a leitura dos sinais e até a forma como os cartões interagem com o sistema — continuou George.

— Não basta adaptar o formato do cartão. Precisamos garantir que ele reconheça uma arquitetura diferente sem tentar impor a lógica de um belt convencional.

Sento assentiu, voltando os olhos para os dados. — Foi por isso que tivemos de tratar os dois casos separadamente. A estrutura do Rider Card pode ser parecida, mas a interface que o ativa não é a mesma.

George observou os dados por alguns instantes.

— Interessante. Embora os cartões compartilhem uma estrutura física semelhante, suas funções não são necessariamente idênticas.

— Exatamente — respondeu Sento.

Nesse instante, o equipamento emitiu dois sinais curtos.

Na tela, as leituras se estabilizaram, e o último Rider Card relacionado a  My-th recebeu a confirmação final.

Ao lado dele, os Chemmy Cards também estavam prontos para uso.

Sento conferiu os parâmetros uma última vez, comparando a resposta energética dos cartões com os registros do sistema.

Após uma última olhada em seus  complexos cálculos matemáticos escritos numa pequena lousa,  Sento concluiu que a  compatibilidade estava dentro dos limites previstos, sem interferência entre a função dos Rider Cards e a dos Chemmy Cards.

Como de costume, uma pequena mecha de seu cabelo se espetou:

— Bingo. My-th está concluído. A leitura está estável, a resposta energética é consistente e os dois sistemas conseguem coexistir sem comprometer um ao outro. Tecnicamente, é um resultado excelente.

Ele finalmente recostou-se na bancada e deixou escapar um sorriso satisfeito.

— E, pensando bem, nada mal: já temos o Rider coelho, o Rider raposa, o Rider doce… e agora um Rider ratinho.

 Eureka! Estamos cada vez mais criativos!  Isso é uma excelente best match!

George não deixa passar e faz uma piada:

— Yes!  Vamos baixar um decreto pra Irmandade: Chega de gafanhotos!

Indignado,  Hopper 1 encarou George, eriçou o corpo e abriu a boca num gesto ameaçador:

— HOPPER!!

George recuou meio passo, ainda sorrindo.

Hopper 1 bateu as patinhas na bancada e protestou, indignado:

— HOPPER!!

Sento ri:

— Acho que ele não gostou da sua teoria.

— A ciência precisa estar preparada para críticas — respondeu George, mantendo uma distância prudente do pequeno Chemmy.

— Uma observação brilhante, meu caro Sento!

— Você acabou de repetir o que eu disse.

— Com uma apresentação muito melhor!

Antes que Sento pudesse responder, a porta do laboratório se abriu.

Daiki Kaito entrou primeiro, com as mãos nos bolsos e sua habitual expressão despreocupada.

Logo atrás dele vinha Ho-Oh Kaguya Quartz, cuja postura elegante e autoconfiança pareciam desafiar qualquer possibilidade de discrição.

— Então? — perguntou Daiki. — Já terminaram?

— Os cartões de Zeztz estão prontos — respondeu Sento. — Estamos finalizando os de My-th.

Kaguya aproximou-se da bancada.

— Espero que tenham feito jus à importância deste trabalho. Afinal, estamos falando de poderes que merecem uma apresentação à altura de sua grandiosidade.

 Não aceito nada menos do que maravilhoso.

George sorriu.

— Finalmente alguém que compreende a importância de uma boa apresentação!

Sento fechou os olhos por um instante.

— Ótimo. Agora temos dois... Saudades do Banjou, aquele cérebro de músculos.

Daiki pegou um dos cartões de Zeztz, examinando-o contra a luz.

— Tsukasa vai querer saber se tudo está funcionando.

— Ele pode vir verificar pessoalmente — respondeu Sento. — Não vou aceitar que ele apareça depois reclamando que alguém mexeu em seus cartões sem autorização.

Daiki deu um sorriso discreto.

— Conhecendo Tsukasa, ele vai reclamar de qualquer maneira.

— Principalmente se alguém disser que o cartão dele tem a cor errada — acrescentou George, com um sorriso provocador.

Daiki soltou uma risada:

 Isso é que dá ele não gostar de pepinos do mar.

Enquanto isso, Sento lançou a George um olhar de advertência.

Kaguya inclinou a cabeça, interessado.

— Isso parece uma história que merece ser contada.

— Não incentive — pediu Sento. — Não quero problemas com o Destruidor...

George, porém, já estava entretido com a própria ideia.

— Ah, meu caro Tsukasa! Um homem de tantas dimensões, tantos poderes e tão pouca tolerância para determinadas cores!  What a dull thing!

— George — advertiu Sento.

— Estou apenas fazendo uma observação científica!

— Não existe absolutamente nada de científico nisso. Precisamos do nosso guardião dimensional de bom humor... Sempre! Entendeu?

Enquanto os dois discutiam, Daiki colocou o cartão de volta na bancada.

Seu olhar percorreu os equipamentos e os cartões recém-produzidos.

— Oh, gênio... Pensando bem, existe uma coisa que sempre me intrigou.

Sento voltou-se para ele.

— O quê, Kaito-kun?

— Quem criou os primeiros Rider Cards?

A pergunta interrompeu a conversa.

George perdeu por um instante o sorriso brincalhão.

Sento também pareceu considerar a questão com mais seriedade.

— Depende de quais cartões estamos falando — respondeu o cientista. — Existem diferentes sistemas, desenvolvidos em circunstâncias diferentes.

— Mas alguns deles têm uma semelhança que não pode ser ignorada — observou Daiki. — E eu duvido que isso seja apenas coincidência.

Kaguya cruzou os braços.

— Uma questão digna de investigação.

George olhou para os cartões de Decade e Diend que estavam guardados em um compartimento especial.

— Nesse caso, acredito que devemos perguntar ao nosso especialista no assunto.

Sento ergueu uma sobrancelha.

— Você quer dizer Tsukasa?

George abriu um sorriso.

— Precisamente!

Daiki sorriu.

— Então vamos chamá-lo.

Kaguya assentiu.

— E, naturalmente, também precisaremos de mim. Toda grande investigação exige alguém com visão, presença e um talento extraordinário para reconhecer a própria importância.

Sento olhou para ele.

— Você e George vão se dar muito bem...

— Eu ouvi isso como um elogio — respondeu Kaguya.

George abriu um sorriso ainda maior.

— Excellent! Temos cartões, cientistas, guardiões dimensionais e uma pergunta histórica!

Ele apontou dramaticamente para o teto.

— O palco está preparado!

Sento respirou fundo.

A investigação ainda nem havia começado, e ele já estava cansado.

xxxxxx

 

Algum tempo depois...

Uma Cortina Aurora se manifesta, trazendo consigo um ilustre visitante.

Tsukasa Kadoya estava diante da bancada quando George terminou de apresentar os cartões recém-concluídos.

Ao lado dele, Daiki observava tudo com uma expressão divertida.

Kaguya, fã assumido de Tsukasa, faz um pequeno gesto de reverência, para, em seguida, voltar a examinar os novos cartões de My-th com interesse.

— Então estes são os resultados do trabalho de vocês? — perguntou Tsukasa.

— Não esperava menos de vocês...

— Sim — respondeu Sento. — Os Rider Cards de Zeztz foram concluídos, assim como os Rider Cards e Chemmy Cards de My-th que você, Daiki e Kaguya solicitaram.

Antes que Tsukasa pudesse responder, Sento pegou um Chemmy Card e o aproximou do leitor de testes. O cartão brilhou, e o leitor emitiu um sinal suave.

Hopper 1, que estava na bancada, interrompeu o que fazia e se voltou para o cartão; em seguida, saltou na direção de Tsukasa, atraído pela ligação que o teste acabara de estabilizar.

O Chemmy, que até então estivera eufórico, ficou imóvel por um segundo. Depois se aproximou de Tsukasa e encostou a cabeça em sua mão, num gesto surpreendentemente carinhoso.

Tsukasa pareceu não saber muito bem o que fazer.

Olhou para o pequeno ser, depois para Sento.

— Isso faz parte do teste?

Hopper 1 soltou um chamado alegre — HOPPER! — e subiu no braço de Tsukasa.

 O homem, que costumava manter uma expressão distante diante de quase todos, ajeitou-o com cuidado para que não escorregasse.

— Ele tem bom gosto — declarou George.

Hopper 1 respondeu com saltos e um entusiasmado “HOPPER!”, tão animado que quase atingiu o queixo de Tsukasa.

Pela primeira vez desde que entrara no laboratório, Tsukasa riu de verdade.

— Se o Ichinose não fosse um cara legal, eu teria ficado com você como meu mascote — comentou Tsukasa, coçando de leve a cabeça do Chemmy.

Daiki observou a cena, e o sorriso divertido em seu rosto ganhou um toque de inveja.

— Esse tesouro eu nunca tive...

Hopper 1 virou-se para Daiki e deu um pequeno salto para trás, apreensivo.

Quando Kaito estendeu um dedo para cumprimentá-lo, o Chemmy se escondeu atrás do pulso de Tsukasa e soltou um “HOPPER!” desconfiado.

Kaguya ri:

— Está com ciúmes, Kaito-kun? Isso é pra quem pode, não pra quem quer... Mestre Tsukasa é o cara.

— Não estou com ciúmes — respondeu Daiki depressa.

 E você é suspeito pra falar, Kaguya. Tsukasa é um semideus pra você.

Kaguya responde:

 — Só estou reconhecendo que alguns recebem companheiros adoráveis sem nem precisar roubá-los.

— Ah, entendi — murmurou Daiki. — Ele desconfia de mim.

— Talvez porque você tenha acabado de admitir que costuma roubar coisas — disse Tsukasa, fitando-o de modo debochado.

Hopper 1 espiou por trás da mão de Tsukasa.

Ao perceber que ninguém pretendia agarrá-lo, voltou a se animar e saltou até a bancada, onde começou a farejar os cartões.

Enquanto Hopper 1 farejava os cartões, Tsukasa separou o próprio Rider Card de Decade dos demais.

A luz do leitor refletiu na superfície e fez o pequeno Chemmy recuar, apreensivo. Tsukasa percebeu a reação e afastou o cartão um pouco, deixando que Hopper 1 se aproximasse por vontade própria. O Chemmy relaxou, tocou a bota de Tsukasa com a cabeça e exclamou:

— HOPPER!

— Viu? — disse Tsukasa, abaixando-se para acariciá-lo. — Não precisa ter medo. É só um cartão.

George observou a cena com um sorriso menos provocador que o habitual.

A reação de Tsukasa era cuidadosa, quase instintiva: ele não tratava Hopper 1 como um objeto curioso, mas como um pequeno ser que merecia confiança e respeito.

Sento observou a cena com um sorriso discreto:

 — Interessante... Você tem um jeito cuidadoso de lidar com ele.

Tsukasa ergueu os olhos, desconfiado.

— O que isso quer dizer?

— Que você parece bem mais cuidadoso do que gosta de demonstrar — respondeu Sento.

Tsukasa desviou o olhar para Hopper 1, que continuava encostado em sua mão.

— Não comece.

— Tarde demais. Já comecei a análise.

— Então analise outra coisa, Sento. Às vezes, gênios como você e o Karizaki são insuportáveis...

Sento ri:

— Tera Bytes saltitantes! Vindo de você é um elogio... Agora eu fiquei surpreso.

Tsukasa lança um olhar fulminante:

— Gênio... você está passando dos limites. Eu vou acabar perdendo toda a consideração que lhe tenho e...

Sento o interrompe, levantando os braços:

— Já entendi... Não quero que o seu lado destruidor volte a vigorar. Isso não é bom pra ninguém. Prefiro o seu lado guardião dimensional.

— Obrigado.

Tsukasa pigarreou e voltou a examinar os cartões.

— Parece estar tudo em ordem.

— Naturalmente! — declarou George. — Você está diante do resultado de uma colaboração entre duas das mentes científicas mais extraordinárias deste universo!

Sento apontou para si mesmo.

— Uma delas está tentando terminar o trabalho enquanto a outra faz discursos.

 E você se esqueceu da IZU, que também ajudou. Devemos dar os devidos créditos a ela.

— A ciência também precisa de publicidade, my friend!

Tsukasa devolveu o cartão à bancada.

— Certo. Antes que vocês comecem outra discussão, quero perguntar uma coisa...

George inclinou a cabeça.

— All right! Estou ouvindo, caro Tsukasa.

— Você sabe como os primeiros Rider Cards foram criados?

Kaito reage à fala:

 Essa pergunta eu mesmo fiz antes de você chegar. Não roube isso de mim.

Tsukasa desdenha:

— Roubar? Esse termo é mais apropriado a você.

George pareceu surpreso.

— Eu esperava uma pergunta sobre o funcionamento dos cartões, não sobre sua origem histórica.

— E qual é o problema?

— Nenhum! Apenas significa que teremos de investigar algo muito mais interessante!

Sento aproximou-se.

— A origem dos Rider Cards não é necessariamente a mesma para todos os sistemas. Precisamos estabelecer exatamente quais cartões estamos discutindo.

Tsukasa cruzou os braços.

— Os meus e os do Diend são um bom ponto de partida.

Daiki sorriu.

— Finalmente uma pergunta interessante.

George olhou para os dois.

— Muito bem. Tsukasa Kadoya, usuário do Decadriver e portador dos Rider Cards de Decade. Daiki Kaito, usuário do Diendriver e portador de seu próprio sistema de cartões.

Ele fez uma pequena pausa.

— Agora, meus caros, expliquem uma coisa: de onde vieram esses cartões?

Tsukasa não respondeu imediatamente.

Seu olhar se desviou para o compartimento onde os cartões estavam guardados.

— Eu não sei...

George olhou por cima dos óculos, surpreso:

—  What? Eu ouvi isso? Como assim, não sabe?

— Exatamente como eu disse.

— Você é o Kamen Rider Decade! O Rider que viaja entre mundos, utiliza os poderes de outros Riders e atravessa realidades que a maioria das pessoas sequer sabe que existem!

Tsukasa cruza os braços:

— Obrigado pelo resumo da minha carreira.

George insiste:

— E você não sabe quem criou seus cartões?

Tsukasa lançou-lhe um olhar irritado.

— Saber utilizar uma coisa não significa conhecer todos os detalhes de sua origem.

Sento assentiu.

 Ele tem razão, Karizaki. Conhecimento operacional e conhecimento histórico são coisas diferentes.

— Obrigado, gênio! — disse Tsukasa. — Falou a voz do bom senso!

— Eu sempre tenho... — Sento se auto elogia.

George abriu um sorriso malicioso.

— Ainda assim, é curioso. O grande Decade não conhece a origem dos próprios cartões.

Tsukasa estreitou os olhos.

— George, você está tentando me irritar?

— Eu? Jamais! Estou apenas celebrando a humildade científica!

Daiki riu discretamente.

Kaguya observou a cena com interesse.

— Continuem. Estou começando a gostar desta investigação.

Tsukasa ignorou os comentários e voltou ao assunto.

— Existe uma possibilidade que nunca consegui descartar.

Sento se aproximou da bancada.

— Qual?

— A Dai-Shocker.

A expressão de George mudou.

— A organização que reuniu diferentes forças e procurou controlar os poderes dos Riders?

— Essa mesma.

Tsukasa apoiou uma das mãos na bancada.

— Narutaki conhecia informações sobre mim que eu nem sempre conseguia explicar. E o Dr. Shinigami estava ligado a uma organização que demonstrava interesse em diferentes Riders e em seus poderes.

— Não se esqueçam que as viagens no tempo através das Cortinas Auroras foram eles que inventaram. Diend e eu somos frutos disso.

Daiki cruzou os braços.

— Em relação às Cortinas Auroras faz sentido, mas você acha mesmo que eles criaram os cartões?

— Não estou afirmando isso. É uma hipótese. Talvez tenham participado da criação de determinados sistemas, organizado registros ou tentado reproduzir uma tecnologia que já existia.

— Quem sabe com as viagens no tempo tenham descoberto a origem, copiado ou até mesmo roubado a tecnologia...

 São hipóteses...

Kaito, sério responde:

— Faz sentido. Para vencer os Riders, a Dai-Shocker, certamente, faria isso. Bem a cara deles.

Tsukasa olhou para os cartões sobre a bancada.

— O que torna essa possibilidade interessante é que, de Ichigou a Gavv, eu tinha os Rider Cards de todos os Riders principais.

Sento ergueu as sobrancelhas.

— De todos eles?

— Sim. E havia também o cartão de Kamen Rider G.

Daiki sorriu discretamente.

— O Goro-san? Esse aí me lembro.

Tsukasa assentiu.

 Sim.  Eu..., você, a Natsumi e o Onodera  o ajudamos a chegar à realidade. Foi uma situação bastante particular, mas ele também faz parte dessa história.

Tsukasa separou o cartão de G dos demais. Por um instante, não o observou como mais um registro de poder, mas como a lembrança de alguém cuja existência naquele mundo estivera em jogo.

Ao apertar o botão de projeção de sua lente, conforme as fotografias iam se sucedendo,  ele contou aos demais a história de Goro.(*01)

— Aquele cartão é diferente para mim — acrescentou. — Não se trata apenas de acessar a força de um Rider.

— Ajudar o  Goro-san a chegar à realidade significou reconhecer que, por trás do cartão, havia uma pessoa que merecia ter sua própria história.

Tsukasa manteve os olhos no cartão e acrescentou, quase como se repetisse as palavras que haviam marcado aquele encontro:

— “Eu sou Goro... Eu sou um Rider.” É isso que importa. O cartão registra um vínculo, mas não substitui a pessoa nem a escolha que existe por trás dele.

Kaito confirma:

— Sou testemunha de tudo isso. Tsukasa tem razão.

George inclinou a cabeça, interessado.

— Então você está dizendo que sua coleção de cartões abrangia os principais Riders, incluindo alguém cuja chegada à nossa realidade você e seu núcleo ajudaram  a tornar possível?

— Exatamente. E isso me fez pensar em algo: será que esses cartões foram reunidos a partir de um sistema preexistente?

 Será que alguém os criou especificamente para permitir o acesso aos poderes dos Riders? Ou será que diferentes sistemas acabaram convergindo para uma tecnologia semelhante?

Sento refletiu sobre a ideia.

— São três hipóteses diferentes. E nenhuma delas, isoladamente, comprova a participação da Dai-Shocker.

— Eu sei — respondeu Tsukasa. — Ter os cartões nunca significou conhecer toda a história por trás deles.

Por um instante, seu olhar voltou-se para o cartão de Decade.

— Eu sabia como utilizá-los. Conhecia os poderes que podia acessar e as possibilidades que eles ofereciam. Mas isso não significa que soubesse quem os criou, quando foram produzidos ou como chegaram até mim.

Daiki observou o amigo com mais seriedade.

— E o cartão do G torna a questão ainda mais interessante. Afinal, nós não apenas tivemos acesso a ele. Nós participamos dos acontecimentos que permitiram que Goro chegasse a essa realidade.

— Exatamente.

George cruzou os braços.

— Interesting! Nesse caso, precisamos distinguir duas coisas: a origem dos cartões e a história de como cada cartão chegou às mãos de seu portador.

Sento assentiu.

— Boa observação, George. Um cartão pode ter sido criado muito antes de chegar ao Rider que o utiliza. E a história de um cartão específico não necessariamente explica a origem de todo o sistema.

Tsukasa concordou.

— É por isso que não quero tirar conclusões precipitadas. A Dai-Shocker pode ter estudado esses sistemas, manipulado registros ou tentado controlar seus poderes. Mas ainda não temos provas de que tenha criado os cartões originais.

Sento aproximou-se dos cartões.

— Isso explicaria por que uma organização interessada em controlar os Riders teria interesse em catalogar seus poderes. Mas não provaria que ela criou os cartões.

— Exatamente — respondeu Tsukasa.

George examinou alguns dos cartões sobre a bancada.

— Os cartões de Decade estão associados à utilização dos poderes dos Riders principais, enquanto o sistema de Diend permite acessar outros Riders e utilizar seus poderes de maneiras distintas.

— Simplificando bastante — acrescentou Sento.

— Naturalmente. A explicação completa exigiria diagramas, projeções e uma apresentação de pelo menos quarenta minutos.

— Ninguém pediu uma apresentação — observou Tsukasa.

— Ainda!

Kaguya aproximou-se da bancada e examinou um dos cartões.

— Então a semelhança entre eles pode ser resultado de princípios semelhantes, e não necessariamente de uma origem compartilhada?

Sento apontou para ele.

— Exatamente. Essa é uma possibilidade que precisamos considerar.

— Interessante — disse Kaguya. — Dois sistemas podem apresentar características semelhantes sem terem sido desenvolvidos pela mesma pessoa ou organização.

— Agora você entendeu — respondeu Sento.

George sorriu.

— Okay! Estamos avançando! Talvez devêssemos procurar registros antigos, documentos esquecidos ou qualquer informação sobre os primeiros sistemas de cartões.

 Talvez o Woz ou o Touma-kun saibam. O Livro de Crônicas dos Kamen Riders pode nos dar algumas pistas.

Sento discorda:

— Se soubessem, os dois ou a Sophia já teriam dito. A história dos Riders está sob a responsabilidade deles. Esqueceram?

 Razoável... Se esses registros ainda existirem, se é que existem...— observou Daiki.

Tsukasa voltou a olhar para os cartões.

— E se alguém os tiver escondido deliberadamente?

A pergunta permaneceu no ar.

Foi nesse momento que uma voz tranquila surgiu atrás deles.

— Nesse caso, talvez seja melhor começar procurando nos lugares onde o tempo deixou suas marcas.

Todos se viraram.

Um homem de aparência serena, elegantemente trajado num smoking preto, segurando uma bengala cujo cabo era cravejado de ouro estava parado perto da entrada do laboratório.

Tsukasa reconheceu-o imediatamente.

— Owner-chan?

O proprietário do Den-Liner sorriu.

— Faz algum tempo, Kadoya...

Daiki inclinou a cabeça.

— Agora a conversa ficou interessante...

George arregalou os olhos.

— Oh, my God! O proprietário do Den-Liner!

 O homem que viaja através do tempo e cuja relação com os registros temporais pode nos ajudar a esclarecer este mistério!

Owner olhou para ele.

— Você costuma apresentar as pessoas dessa maneira, George-kun?

— Somente quando a importância do convidado exige!

— Entendo...

Sento aproximou-se.

— Owner-chan, estamos investigando a origem dos Rider Cards.

— Tsukasa acredita que a Dai-Shocker possa ter participado da criação ou organização de alguns sistemas.

Owner olhou para Tsukasa.

— E você tem provas dessa hipótese?

— Não. Apenas motivos para considerá-la.

— Então é uma boa maneira de começar, desde que não confunda uma suspeita com uma conclusão.

Tsukasa cruzou os braços.

— Foi exatamente o que eu disse...

Daiki sorriu.

— Ele disse mesmo.

Owner voltou sua atenção para os cartões.

— Antes de falar sobre sua origem, precisamos considerar uma questão. O que vocês entendem por um Rider Card?

George respondeu imediatamente:

— Um dispositivo que armazena informações relacionadas a um Rider e permite acessar determinadas funções ou poderes.

— Uma descrição funcional. Tecnicamente perfeita — observou Owner. — Mas ela não responde a todas as perguntas.

Sento ficou atento.

— O senhor quer dizer que existe algo além da tecnologia?

— Quero dizer que nem tudo o que um cartão representa pode ser reduzido aos dados gravados nele.

Owner pegou um dos cartões com cuidado.

— Um cartão pode registrar informações sobre um Rider, mas também pode servir como uma ligação com o poder que representa.

 Dependendo do sistema, essa ligação pode envolver tecnologia, energia, registros temporais ou outras propriedades que não são necessariamente idênticas.

Owner ficou em silêncio por um instante, como se ponderasse quanto daquela história precisava ser recordado.

— Existe, porém, uma parte dessa história que não deve ser confundida com a fabricação de um dispositivo. O Livro Secreto dos Kamen Riders, recentemente produzido pelo Woz e pelo Touma Kamiyama,  registra que os Riders são, em sua origem mais profunda, sementes de Agito: sementes de luz e esperança que carregam no coração, mesmo quando ainda não conhecem o próprio destino.

Sento ergueu os olhos do cartão.

 Eu cheguei a ler o livro. Mas tenho dúvidas.

— Então a semente vem antes da tecnologia?

— Exatamente — respondeu Owner.

— Prometh, o Overlord da Luz, semeou essa possibilidade na humanidade.

 Théos, o Overlord das Trevas e irmão gêmeo de Prometh,  tentou colher e controlar essas sementes. Depois daquele conflito, permaneceram vestígios e marcas dos portadores, registros de uma herança que atravessou gerações.

Daiki observou os cartões sobre a bancada.

— E esses vestígios acabaram relacionados aos Rider Cards?

— São parte da raiz ancestral que ajuda a explicar por que sistemas tão diferentes podem reconhecer poderes de Riders distintos — esclareceu Owner.

— Mas não significa que todos os cartões tenham sido fabricados da mesma maneira, nem que cada um tenha a mesma origem tecnológica. A semente existe antes do cartão; o cartão é um meio de registrar, representar ou acessar algo que pode ser muito mais antigo do que ele.

George, pela primeira vez, não interrompeu a explicação para fazer uma apresentação.

— E o senhor? — perguntou Kaguya. — O senhor já conhecia essa história muito antes de nós.

Owner assentiu com serenidade.

 Se algum de vocês não sabe,  meu verdadeiro nome é Ruko.

 Fui o primeiro guerreiro a carregar essa semente, ligado à linhagem ancestral  dos Lintos que mais tarde seria associada a Kuuga.

 E Prometh continua atuando no curso da história sob outra identidade: a do Chefe da Estação, o Ekichô. Ele e eu ajudamos a conduzir acontecimentos que, vistos de fora, parecem coincidências.

Tsukasa assimilou a informação sem demonstrar surpresa.

Aquilo não era uma revelação nova para quem conhecia os registros do Livro Secreto, mas uma peça importante para compreender o problema que tinham diante de si.

— Então os Riders não foram criados pela Dai-Shocker — concluiu ele. — A organização pode ter encontrado vestígios, catalogado fragmentos, copiado registros e tentado fazê-los germinar para controlar seus poderes. Mas isso não significa que tenha plantado as sementes.

— Correto — respondeu Owner. — A Dai-Shocker pode ter explorado aquilo que encontrou. Não foi a origem da semente de Agito, nem a responsável pela escolha ancestral de cada Rider.

— O Excelso Prometh escolheu muitos deles antes mesmo de nascerem; ainda assim, cada um precisou responder, em sua própria vida, ao chamado e à responsabilidade que recebeu.

 Ichigou, o Rider 1,  em nossa era moderna foi o primeiro de muitos... Aliás, de todos vocês!

 Mas, em eras, por exemplo,  mais antigas existiram os Onis, antepassados de Hibiki, o Kamen Rider musical, que vocês tanto conhecem.

 Isso é só um exemplo. Nas mitologias de OOO e Gaim, é possível também obter parte das respostas.

Sento voltou a olhar para os cartões, agora com outra compreensão.

— Isso explica como pode existir uma raiz comum sem que todos os sistemas sejam iguais. A herança é antiga; os dispositivos, as interfaces e os métodos de ativação podem ser diferentes.

— Precisamente — disse Owner. — Não confundam a origem espiritual dos Riders com a história técnica de cada cartão. Uma coisa pode iluminar a outra, mas não são a mesma coisa.

— E o caso de Goro demonstra isso de uma maneira muito particular — disse Tsukasa, retirando o Rider Card de Kamen Rider G do compartimento.

Owner observou o cartão, reconhecendo a importância daquela lembrança.

— O cartão dele apareceu sem imagem — continuou Tsukasa. — Não era apenas uma falha no registro. A história de Goro estava sendo apagada, e o mundo ao qual ele pertencia se tornara instável. O cartão não conseguia mostrar plenamente quem deveria representar.

Sento examinou o cartão com atenção.

— Então a ausência da imagem refletia a condição da história dele? — perguntou. — Como se o registro não conseguisse se estabilizar enquanto o próprio destino de Goro continuasse ameaçado?

— Essa é a melhor maneira de compreender o que aconteceu — respondeu Tsukasa. — Goro continuava existindo, continuava amando Eri e continuava lutando.

 O que estava em risco era a permanência de sua história naquela realidade.

Owner assentiu lentamente.

— Isso confirma a distinção que acabamos de estabelecer. A semente e o potencial do Rider não nascem do cartão.

 O cartão é um meio de representar ou estabelecer uma ligação com aquilo que já possui uma origem mais profunda. No caso de Goro, a ameaça à sua história comprometeu também a manifestação desse vínculo.

Daiki cruzou os braços.

— Então Tsukasa, com minha ajuda, não criou Goro como Kamen Rider.  De certa forma, nós ajudamos Goro a recuperar o lugar que estava perdendo.

— Exatamente — respondeu Tsukasa. — Eu podia encontrar o caminho até o mundo dele, entregar-lhe o G-Drive e lembrá-lo de que não estava sozinho. Mas não podia vencer aquela luta por ele.

 Goro precisava recuperar a própria identidade e escolher continuar.

— E Eri também teve um papel decisivo — acrescentou George. — Ela o ajudou a compreender que salvar alguém não deveria exigir que ele renunciasse à própria existência.

Tsukasa olhou novamente para o cartão.

— Quando Goro venceu Seizan e mudou o destino que o condenava ao desaparecimento, sua história pôde seguir adiante.

 O cartão deixou de ser apenas um mistério sem imagem e passou a representar uma identidade recuperada.

— Portanto, o cartão não concedeu a Goro o direito de existir — concluiu Owner. — Ele passou a representar com clareza uma história que Goro, com suas escolhas, conseguiu preservar.

Tsukasa guardou o cartão com cuidado.

— Foi isso que aprendi com ele. Um Rider Card pode registrar uma marca, mas não substitui a pessoa por trás dela.

 Goro não se tornou importante porque recebeu um cartão. O cartão tornou-se capaz de representá-lo porque sua história encontrou um futuro.

Por alguns instantes, ninguém falou.

A revelação sobre as sementes de Agito já era importante por si só; agora, o caso de Goro mostrava como aquela verdade podia se manifestar na vida de um Rider cuja existência fora ameaçada.

George inclinou-se para a frente.

— Resumindo, então os cartões não são apenas recipientes de dados!

— Não necessariamente. Essa é uma maneira limitada de compreendê-los.

Sento refletiu sobre a explicação.

— Isso significa que dois sistemas podem utilizar cartões fisicamente semelhantes, mas estabelecer conexões diferentes com os poderes dos Riders.

— Exatamente.

Kaguya sorriu.

— Uma distinção bastante importante.

Owner devolveu o cartão à bancada.

—  Creio que, depois do que disse, ficou fácil para todos deduzirem  que todos os cartões  não tenham surgido ao mesmo tempo.

— Alguns sistemas podem ter sido desenvolvidos a partir de tecnologias específicas. Outros podem ter sido aperfeiçoados ao longo de diferentes períodos.

— E ainda existem possibilidades cuja origem não está suficientemente documentada.

Tsukasa estreitou os olhos.

— O senhor está dizendo que talvez não exista um único criador?

— Estou dizendo que ainda não temos elementos suficientes para afirmar que exista.

Daiki cruzou os braços.

— E quanto à Dai-Shocker?

Owner permaneceu tranquilo.

— Uma organização herdeira da lendária Shocker; responsável pela criação de Ichigou e Nigou,  que se rebelaram contra eles;   interessada nos poderes dos Riders poderia estudar, copiar, modificar ou catalogar sistemas de cartões.

 Também poderia tentar reunir informações de origens distintas. Mas isso não significa, por si só, que tenha criado os sistemas originais.

Sento assentiu.

— Portanto, a Dai-Shocker, herdeira da Shocker,  pode ter interferido na história de alguns cartões sem ser responsável pela criação de todos eles.

— Essa é uma possibilidade — respondeu Owner.

Tsukasa permaneceu pensativo.

A hipótese continuava de pé, mas agora estava inserida num quadro muito mais amplo.

Talvez a Dai-Shocker tivesse criado determinados registros.

Talvez tivesse manipulado informações existentes.

Talvez tivesse tentado reproduzir um sistema cuja origem desconhecia.

Ou talvez a verdadeira resposta estivesse em algum lugar completamente diferente.

— E os registros temporais? — perguntou Tsukasa. — O Den-Liner poderia nos ajudar a descobrir quando esses sistemas surgiram?

Owner assentiu lentamente.

— Poderia ajudar a observar determinados acontecimentos e comparar registros de períodos distintos. Como disse, há pistas que podem ser encontradas nas mitologias de Hibiki, OOO e Gaim, entre outros.

 Se vocês quiserem, podemos perfeitamente ir até essas épocas. Mas o Den-Liner não é uma biblioteca onisciente. Como a biblioteca da Sword of Logos não é.

 Nem todo evento está registrado de maneira completa, e nem toda informação temporal pode ser interpretada sem ambiguidades.

George pareceu decepcionado.

— Então não basta embarcar no trem, consultar os registros e voltar com uma resposta definitiva?

— Se fosse tão simples, imagino que vocês não estariam tendo esta conversa.

Daiki riu.

— Gostei dele.

— Você gosta de qualquer pessoa que consiga responder a Tsukasa sem perder a calma — observou Sento.

— Isso exige talento.

Tsukasa lançou um olhar irritado aos dois.

— Podemos voltar ao assunto?

Owner sorriu discretamente.

— Naturalmente...

Sento apontou para os cartões recém-criados.

— Existe outra questão. Os cartões do Zeztz e do  My-th foram desenvolvidos com base em tecnologias que conseguimos compreender e adaptar. Mas isso não significa que tenhamos reproduzido a origem de todos os sistemas antigos.

— Correto — respondeu Owner.

George cruzou os braços, refletindo sobre a explicação.

— Portanto, os cartões que acabamos de produzir são uma nova aplicação tecnológica. Eles não provam que todos os Rider Cards tenham sido criados segundo os mesmos princípios.

— Exatamente — disse Sento.

— Fascinante! Isso significa que ainda temos muito trabalho pela frente!

Sento suspirou.

— Eu sabia que você diria isso...

Kaguya observou os três homens e sorriu.

— A verdade é que uma pergunta aparentemente simples acabou abrindo um caminho muito maior.

— É o que acontece quando se investiga a história dos Riders — respondeu Tsukasa. — Sempre existe alguma coisa que não sabemos.

Daiki olhou para ele.

— Até mesmo você?

Tsukasa virou a cabeça lentamente.

— Não comece.

— Eu só fiz uma pergunta.

— E eu estou dando uma resposta.

George, que até então tentava acompanhar a discussão, pareceu ter uma nova ideia.

Ao olhar por cima dos óculos, seu sorriso se tornou perigosamente familiar.

— Falando em respostas, existe uma questão que sempre me intrigou sobre você, Tsukasa.

Tsukasa fechou os olhos.

— Lá vem.

— Por que você insiste tanto em afirmar que sua cor é magenta?

O silêncio tomou conta do laboratório.

Daiki levou uma mão à boca.

Kaguya ergueu as sobrancelhas, já antecipando o que estava por vir.

Sento olhou para George com a expressão de alguém que acabara de perceber um desastre se aproximando.

Owner arregalou os olhos.

Até o Chemmy Hopper 1 se agitou:

 HOPPER!

Tsukasa virou-se lentamente para o cientista.

— Como é que é?

George manteve a expressão inocente.

— Eu apenas perguntei. Afinal, para muitas pessoas, sua cor parece um tom de rosa...

Tsukasa deu um passo à frente.

— MINHA COR É MAGENTA!

Daiki começou a rir.

George abriu os braços.

— Fascinating! Uma resposta imediata, enfática e emocionalmente carregada!

— GEORGE!

— Estou apenas observando um fenômeno comportamental!

— Você está observando o meu punho se aproximar do seu rosto!

Sento colocou-se entre os dois antes que a discussão avançasse.

— Certo! Chega! Estamos num laboratório, não num ringue! Se for assim, chamo o Banjou pra participar. Ele adoraria...

Kaguya, porém, parecia estar se divertindo muito.

— Confesso que a intensidade desta reação é digna de nota.

Tsukasa apontou para ele.

— Você também não ajuda! Isso porque se diz meu fã...

— Estou apenas apreciando o espetáculo.

Daiki já não conseguia disfarçar a risada.

— Tsukasa, admita. Você fica mais irritado quando alguém fala da sua cor do que quando eu roubo alguma coisa sua, ou te recomendo comer pepinos do mar.

— Porque você rouba coisas de verdade, Daiki!

— E você se preocupa com a cor de um cartão.

Tsukasa estreitou os olhos.

George abriu a boca para continuar, mas Sento apontou para ele, encerrando a discussão antes que a provocação recomeçasse.

Owner observava tudo com a mesma serenidade de antes.

— Imagino que essa discussão também faça parte da história dos Rider Cards.

Tsukasa virou-se para ele.

— Não, não faz!

Owner sorriu.

— Nesse caso, talvez seja melhor deixarmos essa parte fora dos registros temporais.

Daiki precisou se apoiar na bancada para continuar rindo.

Mesmo Tsukasa, apesar da irritação, não conseguiu evitar um breve sorriso antes de voltar à expressão habitual.

A investigação, ao que parecia, havia encontrado seu próprio obstáculo.

E ele atendia pelo nome de George Karizaki.

EPÍLOGO

Aquilo que o tempo ainda não revelou

A discussão sobre as cores finalmente perdeu força.

George voltou aos equipamentos, ainda murmurando sobre novas classificações para os Riders. Sento retomou a conferência dos cartões, determinado a impedir que qualquer nova ideia do colega interferisse no trabalho.

Daiki e Kaguya permaneceram perto da bancada.

Tsukasa, entretanto, voltou a examinar os cartões de Decade e Diend.

A explicação de Owner havia esclarecido algumas questões, mas também levantara outras.

Ele não tinha uma resposta definitiva para a origem dos próprios cartões.

A participação da Dai-Shocker continuava sendo uma possibilidade, não uma certeza.

E os diferentes sistemas poderiam ter histórias independentes, ainda que apresentassem características semelhantes.

O mistério permanecia.

— Você parece decepcionado — comentou Daiki.

Tsukasa não tirou os olhos dos cartões.

— Eu esperava encontrar alguma coisa mais concreta.

— Você encontrou.

Tsukasa olhou para ele.

— O quê?

— Descobriu que não pode atribuir a origem dos cartões a uma única organização sem provas. Também descobriu que os sistemas podem ter histórias diferentes. Não é exatamente uma resposta definitiva, mas é alguma coisa.

Tsukasa ficou em silêncio por um instante.

— Odeio quando você faz sentido.

Daiki sorriu.

— Eu sei...

Kaguya aproximou-se dos dois.

— A ausência de uma resposta definitiva não torna a investigação inútil. Pelo contrário, agora temos uma compreensão melhor do que precisamos procurar.

Tsukasa assentiu.

— E temos a pista sobre a Dai-Shocker e sobre as mitologias dos Riders citados pelo Owner. Se encontrarmos registros confiáveis, poderemos descobrir até que ponto ela esteve envolvida.

Daiki concordou.

— E temos a informação do Owner sobre as inconsistências temporais. Talvez as duas questões estejam relacionadas.

— Talvez — respondeu Tsukasa. — Mas não vamos confundir coincidência com prova.

Kaguya sorriu.

— Uma postura prudente.

Owner, que se preparava para deixar o laboratório, interrompeu a conversa.

— Existe mais uma coisa que talvez seja interessante para vocês.

Os três guardiões dimensionais voltaram-se para ele.

Sento também ergueu a cabeça.

— O que foi?

Owner retirou um pequeno dispositivo e o colocou sobre a bancada.

— Durante algumas observações realizadas pelo Den-Liner, foram identificadas inconsistências em determinados registros temporais relacionados a objetos capazes de acessar ou reproduzir os poderes de diferentes Riders.

Tsukasa se aproximou imediatamente.

— Que tipo de inconsistências?

— Diferenças entre registros que deveriam apresentar correspondência. Em alguns casos, a sequência temporal não coincide perfeitamente. Em outros, determinadas informações aparecem associadas a períodos diferentes daqueles em que deveriam ter sido registradas.

Sento examinou o dispositivo.

— Isso pode indicar alterações nos registros, interferência temporal ou simplesmente falhas de documentação.

— Sim — respondeu Owner. — Ainda não existe informação suficiente para determinar a causa.

Daiki cruzou os braços.

— E o senhor acha que isso pode estar relacionado aos Rider Cards?

— Não posso afirmar. Os objetos envolvidos não são necessariamente idênticos aos sistemas de Decade e Diend. Seria precipitado estabelecer uma ligação direta.

Kaguya observou o dispositivo com atenção.

— Mas a coincidência merece ser investigada.

Owner assentiu.

— Foi exatamente o que pensei.

Tsukasa permaneceu pensativo.

A nova informação não resolvia a questão original, mas abria uma possibilidade concreta.

Se os registros temporais apresentavam inconsistências relacionadas a objetos capazes de acessar poderes de diferentes Riders, talvez existisse alguma conexão entre fenômenos que, até então, pareciam independentes.

Talvez não.

Era cedo demais para concluir qualquer coisa.

— Se houver uma relação entre essas anomalias e os sistemas de cartões, precisamos descobrir antes que alguém tente explorá-la — disse Tsukasa.

Daiki assentiu.

— Concordo. Se houver alguma organização interferindo nesses registros, não podemos ignorar a possibilidade de que esteja tentando obter acesso a poderes de outros Riders.

Kaguya sorriu, mas sua expressão tinha agora uma seriedade diferente.

— Então temos uma nova investigação. E, naturalmente, ela exigirá a presença dos três guardiões dimensionais.

Sento olhou para os três.

— Se conseguirem dados mais concretos, posso ajudar a comparar os registros com os sistemas tecnológicos que conhecemos.

George ergueu a cabeça imediatamente.

— Uma nova investigação? Excellent! Posso preparar os equipamentos, os diagramas, as projeções e uma apresentação especial!

Sento apontou para ele.

— Você pode preparar os equipamentos. Só os equipamentos.

— E a apresentação?

— Não.

— Uma introdução musical?

— Também não.

— Um gráfico cromático?

Tsukasa virou-se tão depressa que Daiki voltou a rir.

— GEORGE!

O cientista ergueu as mãos.

— Muito bem! Nenhuma tabela cromática! Por enquanto.

George sorriu.

Sento voltou a trabalhar, balançando a cabeça.

Daiki continuou rindo.

Kaguya observou os cartões sobre a bancada e depois olhou para Tsukasa.

— Então, qual será nosso próximo passo?

Tsukasa guardou seus cartões.

— Vamos investigar as inconsistências temporais. Primeiro, precisamos descobrir quais objetos estão envolvidos e se existe alguma relação verificável com os sistemas que conhecemos.

Daiki assentiu.

— E, se encontrarmos alguma ligação com a Dai-Shocker, saberemos por onde começar.

— Sem conclusões precipitadas — acrescentou Tsukasa. — Não vou acusar ninguém apenas porque uma hipótese parece conveniente.

Owner sorriu discretamente.

— Uma decisão sensata.

Ele se dirigiu à saída.

— Quando tiverem informações mais concretas, talvez possamos comparar os registros com os dados do Den-Liner.

Tsukasa assentiu.

— Obrigado, Owner.

— Boa sorte, Kadoya.

O proprietário do Den-Liner deixou o laboratório, levando consigo os próprios mistérios.

Por alguns instantes, ninguém falou.

Na bancada, os cartões de Zeztz e My-th estavam finalmente concluídos.

Os cartões de Decade e Diend permaneciam guardados, carregando perguntas que talvez nunca tivessem uma resposta simples.

E, em algum lugar entre as linhas temporais e as realidades paralelas, existiam registros que ainda precisavam ser compreendidos.

Tsukasa olhou para Daiki e Kaguya.

— Parece que temos trabalho pela frente.

— Finalmente alguma coisa interessante — respondeu Daiki.

Kaguya sorriu.

— Uma investigação digna de três guardiões dimensionais.

George aproximou-se da bancada com uma prancheta.

— Antes que vocês partam, tive uma ideia para organizar os registros dos cartões!

Tsukasa fechou os olhos.

— Não.

— Uma classificação por cores!

— NÃO.

— Uma classificação especial!

Tsukasa apontou para ele.

— GEORGE!

A gargalhada de Daiki ecoou pelo laboratório.

Sento voltou a suspirar.

Kaguya, naturalmente, considerou tudo uma excelente forma de encerrar a reunião.

E assim, enquanto a Irmandade Rider se preparava para investigar um mistério que poderia atravessar diferentes mundos e períodos históricos, uma certeza permanecia inabalável:

Algumas lendas são construídas em batalhas.

Outras nascem de mistérios que desafiam o próprio tempo.

E algumas precisam conviver com um cientista que não consegue resistir a uma provocação.

Mas, acima de tudo, existe uma verdade que nenhum registro temporal, nenhuma tecnologia e nenhum guardião dimensional poderá mudar.

A cor de Kamen Rider Decade é MAGENTA!

E Tsukasa Kadoya jamais aceitará ser chamado de rosinha.

FIM. 


 
George Karizaki e Kiryuu Sento 

 
Alguns Riders Cards


Tsukasa Kadoya, Owner, Daiki Kaito , Ho-Oh Kaguya Quartz e o Chemmy Hopper 1

 

 

Notas Especiais

(*01) Conforme fanfic de minha autoria intitulada “Eu sou Goro...Eu sou um Rider!” , publicada na temporada 1 do projeto Kamen Rider Legend;


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