Kamen Rider Legend - Temporada 4 - Revice no mundo dos Imagins...E a confusão garantida- Capítulo 01
KAMEN RIDER LEGEND - TEMPORADA 04
REVICE NO MUNDO DOS IMAGINS...E A CONFUSÃO GARANTIDA.
CAPÍTULO 1 — O DEMÔNIO QUE NÃO QUERIA VOLTAR PARA CASA
O Almighty Wonder World Rider Expanded, conhecido como A.W.W.R.E., era um lugar onde histórias, memórias e possibilidades se encontravam.
Fruto da união de esforços entre a Irmandade Rider e os Engenheiros Ferroviários do Tempo, o espaço dimensional unificado, uniu vários mundos conhecidos.
Wonder World, Mirror World, Santuário dos Desejos DGP, Mundo Helleim de Gaim e Estação Central do Tempo estavam unidos num mesmo local através de sistemas de acessos variados que possibilitaram uma ação unificada e uma logística operacional mais eficaz da Irmandade Rider nas mais variadas demandas.
Ali, as fronteiras entre o real e o imaginário podiam se tornar perigosamente frágeis.
Para Ikki Igarashi, entretanto, aquele lugar havia se tornado algo profundamente pessoal.
Era o único lugar onde ainda podia encontrar Vice, o seu demônio interior e companheiro de velhas batalhas.
Ou, pelo menos, uma manifestação dele.
Ikki caminhava por uma paisagem feita de páginas suspensas, corredores de luz e fragmentos de batalhas antigas.
Não havia inimigos.
Nenhum alarme soava.
Nenhuma ameaça pedia que ele se transformasse em Kamen Rider Revi.
Mesmo assim, seu peito doía...Muito.
— Vice?
O nome ecoou.
—Você está aí?
Por alguns segundos, nada aconteceu.
Então uma figura surgiu atrás de uma estrutura que lembrava uma página arrancada de um livro.
— OOOOOH! QUEM FOI QUE CHAMOU O DEMÔNIO MAIS INCRÍVEL, MARAVILHOSO, BONITO E ABSOLUTAMENTE INCOMPARÁVEL DE TODOS OS TEMPOS?!
Vice apareceu fazendo chifrinhos com os dedos, abriu os braços e deu uma volta exagerada.
— Tcharããã! VICE NA ÁREA!
Ikki sorriu.
Era impossível não sorrir diante daquela entrada.
Mas o sorriso desapareceu rápido.
— Você demorou.
Vice parou.
— Hã?
— Eu estava esperando você.
O demônio coçou a cabeça. Por um instante, a expressão espalhafatosa deu lugar a algo mais discreto.
— Ah...
Ikki se aproximou.
— Eu sei que posso encontrar você aqui. Sei que podemos conversar. Mas não é a mesma coisa.
Vice desviou os olhos.
— Ikki...
— Eu sinto sua falta.
As palavras foram simples. Justamente por isso atingiram Vice com uma força que nenhuma batalha poderia reproduzir.
Ele tentou disfarçar. Abriu um sorriso, levantou os braços e voltou a fazer chifrinhos.
— Ah, qual é, parceiro! Não precisa ficar com essa cara! Você está diante do grande Vice! O demônio que fez história, que enfrentou monstros e que...
A voz enfraqueceu.
Ikki não desviou o olhar.
— Que faz parte da minha família.
Vice ficou em silêncio.
Durante anos, os dois haviam dividido tudo: batalhas, brigas, piadas, provocações, vitórias e derrotas.
Vice conhecia Ikki como poucos poderiam conhecer.
Sabia quando ele estava triste, quando escondia uma preocupação e quando fingia estar bem para não preocupar os outros.
E Ikki também o conhecia.
Por isso, não acreditou no sorriso que Vice tentou exibir.
— Você está mentindo para mim.
— EU?! MENTINDO?! HAHAHAHA! Parceiro, você está confundindo as coisas! Eu sou um demônio, não um mentiroso profissional!
Ikki cruzou os braços.
Vice parou de rir.
— É melhor assim, Ikki.
A frase caiu entre eles como uma porta se fechando.
— Melhor para quem? — perguntou Ikki.
— Para você. Para sua família. Para todo mundo.
Vice respirou fundo.
— Olha só o que aconteceu enquanto eu estava com vocês. Quantas vezes eu coloquei você em perigo? Quantas vezes sua família precisou enfrentar problemas por minha causa?
— Você também nos ajudou!
— E quantas vezes eu fiz besteira?
— Vice...
— Não, parceiro. Me escuta.
Pela primeira vez, Vice não tentou transformar a situação em piada.
— Eu trouxe problemas para você. Para a Sakura, para o Daiji, para a sua mãe, para o seu pai... Para todo mundo. Eu não quero que vocês sofram de novo por minha causa.
Ikki sentiu um aperto no peito.
— Você acha que eu não sofro agora?
Vice ficou imóvel.
— O quê?
— Você acha que eu fico bem sabendo que você está longe? Acha que eu não acordo no meio da noite procurando você? Acha que eu não sonho com as nossas batalhas?
Ikki fechou os punhos.
— Eu continuo ouvindo sua voz, Vice. Às vezes, tenho a impressão de que você está prestes a aparecer atrás de mim, fazendo aqueles chifrinhos ridículos e falando alguma besteira.
Vice abriu a boca.
— Ei! Meus chifrinhos são incríveis!
Ikki soltou uma risada breve, mas os olhos marejaram.
— É disso que eu sinto falta.
O sorriso de Vice desapareceu novamente.
— Parceiro...
— Eu não quero uma lembrança sua. Não quero apenas conversar com você em um lugar como este. Eu quero você de volta.
Vice baixou a cabeça.
— Não posso...Você sabe disso.
— Não quer?
— Não posso! É diferente.
A resposta saiu mais alta do que ele pretendia. Vice recuou um passo.
— Você não entende, Ikki. Se eu voltar e alguma coisa acontecer...
— Nós vamos enfrentar juntos!
— E se eu machucar vocês?
— Vamos resolver juntos!
— E se eu acabar destruindo tudo aquilo que você tentou proteger?!
Ikki se aproximou.
— Então vamos enfrentar isso juntos também!
Vice apertou os punhos.
Ele queria acreditar.
Queria desesperadamente acreditar que havia uma maneira de voltar sem colocar Ikki e sua família em perigo.
Mas o medo falava mais alto.
— É melhor assim, parceiro. Para o bem de todos.
— Sou um demônio e só trago e atraio tragédias. Não quero me sentir mais culpado do que já sinto.
Ikki ficou parado. A sinceridade de Vice o desconcertou de tal maneira que ele não sabia o que falar.
Vice percebeu e tentou sorrir para conter o estrago que a sua fala causou:
— Você tem sua família. Tem sua vida. Tem um monte de gente que ama você.
—Não precisa de um demônio atrapalhando tudo.
Ele fez os chifrinhos, mas o gesto perdeu a espontaneidade habitual.
— Além disso, convenhamos... Você já era maluco antes de me conhecer!
Ikki soltou uma risada entrecortada. Depois abaixou a cabeça.
— Eu queria que você estivesse lá. É pedir muito?
Vice não respondeu.
Não conseguia.
O sofrimento de Ikki o devastava por dentro.
Ele queria dizer o contrário e voltar à realidade de antes. Mas, novamente, o medo o paralisava.
O que nenhum dos dois percebeu foi que alguém observava a conversa de trás de uma estrutura próxima.
Um Oni vermelho e expressão curiosa.
Momotaros.
O Imagin estava naquele lugar por acaso ou, pelo menos, era o que diria se alguém perguntasse.
Ele havia se separado momentaneamente dos outros tripulantes do DenLiner e acabara encontrando aquela região do A.W.W.R.E.
Agora, porém, não pensava em voltar.
Estava observando Ikki e Vice.
E aquilo lhe trazia lembranças.
Ryotarou.
As discussões intermináveis.
As vezes em que tentava proteger o companheiro enquanto fingia estar interessado apenas em lutar.
Os momentos em que se afastava, dizendo que não precisava de ninguém, embora soubesse que não queria ficar sozinho.
Houve uma noite em particular.
Uma noite em que tentou partir do DenLiner sem avisar ninguém.
Estava convencido de que Ryotarou viveria melhor sem um Imagin barulhento, briguento e problemático por perto.
Ryotarou o encontrou na plataforma.
— Se você for embora, eu vou atrás.
— Você não pode decidir isso por mim!
— Você também não pode decidir por mim.
Momotaros nunca respondeu àquilo.
Apenas voltou para dentro do trem, reclamando de tudo, como se nada tivesse acontecido.
Agora, olhando para Vice, entendia por que aquela lembrança nunca o havia abandonado.
Momotaros franziu a testa.
— Tsc...
Olhou para Vice.
— Seu Oni idiota. Nada diferente de mim.
O Imagin sabia reconhecer aquele comportamento.
Já havia feito a mesma coisa muitas vezes.
Afastar alguém para protegê-lo.
Fingir que não se importava.
Transformar o medo em raiva e a tristeza em provocações.
Momotaros cruzou os braços.
— Então é isso? Você acha que está protegendo o sujeito ficando longe dele?
Vice e Ikki já haviam se afastado. Momotaros permaneceu escondido por alguns segundos.
Depois abriu um sorriso.
Um sorriso que nunca significava coisa boa.
— Hehehe...
Seus olhos brilharam.
— Muito bem, seu demônio metido a herói. Se você não entende isso conversando, talvez precise de uma demonstração prática.
Momotaros ergueu o punho.
— ORE, SANJOU!
A exclamação ecoou pelo A.W.W.R.E.
Ele olhou para os lados.
— Certo. Agora preciso de um plano.
Pensou por dois segundos.
— Já sei!
O sorriso aumentou.
— Vou fazer a maior confusão que esse mundo já viu!
Ele enfiou a mão no bolso e conferiu um pequeno objeto luminoso.
Já havia passado pelo laboratório do Sento, pela oficina do George e pelos dados do Izu. O ajuste final ainda estava pela metade.
—Me esperem!
Mas Momotaros nunca fora do tipo que esperava.
* * *
Horas depois, Ikki estava em casa.
A Happy Spa parecia tranquila.
A família Igarashi tentava aproveitar o pouco tempo livre, embora Sakura desconfiasse de que aquela paz não duraria muito tempo.
Ela conhecia o irmão.
Desde que Vice desapareceu, Ikki carregava uma tristeza que tentava esconder de todos.
Naquela noite, ele voltou a sonhar.
Sonhou com uma batalha. Com Vice rindo.
Com os dois lutando lado a lado.
Então, no sonho, a figura do demônio começou a desaparecer.
— Vice! Espera!
Vice sorriu tristemente.
— É melhor assim, parceiro.
Ikki acordou de repente, sentado na cama, respirando depressa.
O quarto estava silencioso.
Ele levou uma mão ao rosto.
— Eu não aguento mais isso...
Olhou na direção de onde costumava ouvir as provocações de Vice.
Nada.
Ikki fechou os olhos.
Não queria incomodar a família.
Não queria admitir que ainda sofria tanto.
Mas precisava fazer alguma coisa.
Levantou-se, vestiu-se e voltou ao A.W.W.R.E.
Dessa vez, não pretendia ir embora sem tentar convencer Vice.
O que ele não sabia era que Momotaros já havia começado a colocar seu plano em prática.
E o DenLiner estava prestes a fazer uma visita às imediações do Happy Spa.
Uma visita que ninguém esqueceria tão cedo.
Momotaros





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