Kamen Rider Legend - Temporada 4 - Revice no mundo dos Imagins... E a confusão garantida - Capítulo 02
KAMEN RIDER LEGEND
TEMPORADA 04
REVICE NO MUNDO DOS IMAGINS...E A CONFUSÃO GARANTIDA.
CAPÍTULO 2 — O DENLINER, A HAPPY SPA E A POSSESSÃO MAIS RIDÍCULA DA HISTÓRIA
O DenLiner atravessava o espaço-tempo com sua habitual tranquilidade.
Ou, pelo menos, com a tranquilidade possível quando Momotaros estava a bordo.
— Eu estou dizendo que o plano vai funcionar! — declarou o Imagin vermelho.
Ryotarou olhou para ele com desconfiança.
— Você ainda não explicou qual é o plano.
— Porque eu estou trabalhando na parte dos detalhes!
— Você não tem um plano, não é?
Momotaros virou-se, indignado.
— Como ousa questionar a genialidade do grande Momotaros?!
Enquanto gritava, enfiou depressa no bolso algo pequeno e luminoso.
Ryotarou percebeu.
— O que é isso?
— Nada!
— Eu vi uma luz.
— É... lanche!
— Lanche brilha?
— O MEU BRILHA!
Ryotarou estreitou os olhos, mas Urataros falou antes que ele pudesse insistir.
Urataros ajeitou a postura. Com a mão direita no queixo, opinou:
— Pessoalmente, prefiro observar antes de julgar. Afinal, as melhores oportunidades surgem quando sabemos conquistar a confiança das pessoas.
Ele sorriu.
— E, às vezes, o coração de uma bela dama.
Momotaros apontou para ele.
— Ninguém pediu sua opinião, seu pescador pervertido!
Urataros levou a mão ao peito, teatralmente ofendido.
— Que grosseria! E eu que estava prestes a ensinar a você algumas técnicas de sedução.
— Prefiro enfrentar mil monstros!
Kintaros, que, aparentemente dormia tranquilamente, ergueu a cabeça e disse:
— Falou em enfrentar monstros?
— Não!
— Então me acordem quando houver uma luta de verdade.
Voltou a dormir, roncando alto.
Ryutaros dançava no corredor.
— Vamos dançar! Vamos dançar! Yeah!
—ii jan! ii jan! sugee jan?
Ryotarou suspirou.
— Ryutaros, cuidado para não esbarrar em nada.
— Não vou esbarrar!
O Imagin deu um giro e quase derrubou uma cadeira. Deneb, que acabara de entrar, segurou-a antes que caísse.
— Cuidado, rapaz!
— Valeu!
Deneb sorriu.
— Yuto wo yoroshiku! Quero dizer, espero que todos fiquem bem!
Ryotarou piscou.
— Deneb, você está falando com a gente. Yuto está numa missão dimensional com a turma do Decade. Você se esqueceu?
Deneb inclina o corpo, num gesto característico de desculpas.
— Ah! É verdade! Me perdoe, Ryotarou-chan!
Momotaros bateu palmas.
— CHEGA! Vamos logo! Temos uma missão!
Ryotarou cruzou os braços.
— Que missão?
Momotaros apontou para a frente.
— Happy Spa!
Ryotarou arregalou os olhos.
— A casa da família Igarashi?!
— Exatamente!
— Por quê?!
Momotaros abriu um sorriso.
— Porque alguém precisa ensinar duas cabeças-duras a parar de sofrer em silêncio!
Ryotarou ficou quieto.
A brincadeira desapareceu por um instante do rosto do Imagin.
— Eu sei o que estou fazendo, Ryotarou.
O jovem suspirou.
— É justamente isso que me preocupa...
xxxx
Enquanto isso, no A.W.W.R.E., Ikki finalmente encontrara Vice.
O demônio estava sentado em uma estrutura que lembrava um enorme livro aberto, balançando as pernas.
— Parceiro!
Vice levantou-se imediatamente.
— Você de novo?!
— Precisamos conversar.
— Nós já conversamos!
— E você continua sem me ouvir!
Vice abriu os braços.
— Eu ouvi! Só não concordei!
Ikki se aproximou.
— Eu não vou desistir de você.
Vice ficou em silêncio.
— Ikki...
— Você pode dizer que está fazendo isso pela minha família quantas vezes quiser. Não vai mudar o que eu sinto.
Vice apertou os lábios.
— Você é teimoso demais.
Ikki sorriu.
— Aprendi com você.
— Ei! Eu sou uma influência maravilhosa!
— Você soltou um pum durante uma discussão séria e depois culpou o vento.
Vice ergueu um dedo.
— Primeiro: foi o vento!
— Segundo?
— Segundo... você não tem como provar!
Ikki riu.
Por um breve momento, tudo pareceu voltar ao normal.
Então Vice ficou sério.
— Parceiro, eu quero voltar.
Ikki parou de rir.
— O quê?
Vice olhou para as próprias mãos.
— Eu quero voltar para casa.
— Quero brigar com você.
—Quero fazer piadas idiotas.
—Quero irritar sua irmã e ouvir o Daiji reclamar.
— Quero comer muitos currys e roubar comida da geladeira e ver sua mãe dizendo que eu sou uma péssima influência.
Ele tentou sorrir.
— Mas eu tenho medo.
Ikki se aproximou lentamente.
— Eu também tenho medo, Vice.
O demônio levantou o olhar.
— Tenho medo de perder você de novo.
—Tenho medo de acordar todos os dias e perceber que nunca mais vou ouvir sua voz.
Ikki estendeu a mão.
— Mas não quero deixar que o medo decida por nós.
Vice olhou para a mão oferecida.
Estava prestes a segurá-la quando um ruído ensurdecedor interrompeu o momento.
Um apito...
Depois outro...
E mais outro.
Os dois olharam para cima.
Uma locomotiva atravessou uma abertura luminosa e surgiu no horizonte do A.W.W.R.E.
Vice ficou boquiaberto.
— NÃO!
Ikki arregalou os olhos.
— Aquilo é...
— O DENLINER?!
A locomotiva atravessou o cenário como se estivesse atrasada para o compromisso mais importante do universo.
Momotaros apareceu em uma das janelas.
— EI, VOCÊS DOIS!
Ele acenou freneticamente.
— SAIAM DA FRENTE!
Ryotarou, atrás dele, gritava:
— Momotaros! Você está na direção errada!
— EU SEI DIRIGIR!
— Você não está dirigindo!
A locomotiva desapareceu por outra abertura.
O A.W.W.R.E. tremeu.
Ikki ficou olhando para o lugar onde ela havia desaparecido.
— Isso acabou de acontecer?
Vice cruzou os braços.
— Parceiro, depois de tudo que eu já vi, aprendi uma coisa...
— O quê?
— Quando o Momotaros aparece, a inteligência coletiva desaparece!
Antes que Ikki pudesse responder, a abertura luminosa deixada pelo trem os puxou como uma correnteza.
Tudo girou.
Na Happy Spa, a família Igarashi estava reunida quando um apito ensurdecedor veio de fora.
George Karizaki, que havia aparecido para discutir alguns assuntos técnicos com a família, ergueu a cabeça.
— Interesting.
Sakura olhou para ele.
— O que pode ser interessante num barulho desses?
George a olha por cima dos óculos .
— Uma assinatura energética... incomum!
Ele disse aquilo com a naturalidade de um ator medíocre.
Sakura, séria rebate:
— Assinatura...Sei...
— Até parece um trem...Mas isso não faz sentido. Não tem nenhuma linha ferroviária por perto.
Lovekov, a demônio pessoal de Sakura se mostrava agitada.
Daiji, preocupado levantou-se.
— Isso não parece uma boa notícia.
O barulho aumentou.
A porta da Happy Spa se abriu.
E o DenLiner entrou.
Não pela porta principal. Não pelo corredor.
Entrou atravessando uma distorção luminosa que surgiu no meio do ambiente.
O trem apareceu por alguns segundos dentro da construção, fazendo as cadeiras tremerem, derrubando almofadas e espalhando objetos pelo chão.
Depois parou.
O silêncio foi absoluto.
A porta se abriu.
Momotaros saltou para fora.
— ORE, SANJOU!
Ele pousou com os braços abertos, como se estivesse diante de uma plateia.
— O grande Momotaros chegou!
Lovekov se escondeu atrás de Sakura , que apontou para o trem.
— Quem vai pagar pelos estragos?!
Momotaros olhou para os lados.
— Estragos? Que estragos?
Uma prateleira caiu atrás dele.
Momotaros deu um salto.
— FOI O VENTO!
Vice surgiu logo depois, fazendo chifrinhos com os dedos.
— HAHAHA! Gostei desse lugar! Tem comida? Tem mulheres bonitas? Tem alguma coisa para explodir?
Ikki apareceu atrás dele.
— Vice, não comece!
— Eu nem comecei, parceiro!
Momotaros apontou o dedo para Vice.
— Ei, demônio! Você vai parar de fugir dos seus problemas ou vou precisar resolver isso do meu jeito?
Vice abriu um sorriso.
— Ah, é? E o que você vai fazer?
Momotaros estalou os dedos.
— Algo que você nunca vai esquecer!
Ryotarou apareceu na porta do trem.
— Momotaros, por favor, não faça nada absurdo!
Momotaros virou o rosto.
— Você está atrasado, Ryotarou!
— Atrasado para quê?!
— PARA O CAOS!
E foi nesse momento que o plano de Momotaros começou a dar terrivelmente errado.
Ou, dependendo do ponto de vista dele, exatamente como deveria...
Uma energia colorida escapou do DenLiner.
Ikki, que tentava impedir Vice e Momotaros de começarem outra discussão, sentiu um arrepio percorrer o corpo.
— O que está acontecendo?
Ryotarou arregalou os olhos.
— Esperem! Os Imagins não podem...
Tarde demais.
A energia envolveu Ikki.
Ele tentou recuar, mas uma sucessão de clarões o cercou.
Vice estendeu a mão.
— PARCEIRO?!
A luz desapareceu.
Ikki permaneceu imóvel por alguns segundos.
Então a primeira mudança aconteceu: o cabelo de Ikki arrepiou-se completamente, ganhando uma vívida mecha vermelha, e seus olhos brilharam em vermelho incandescente.
Ele levantou a cabeça e sorriu de um jeito agressivo e selvagem.
— ORE, SANJOU!
Momotaros ficou horrorizado.
— Ei! Essa frase é minha!
Ikki avançou e acertou um soco direto no peito de Momotaros.
— Aaaaah! Você está me batendo com a minha própria personalidade?!
Momotaros desviou do segundo golpe.
— Muito bem! Se quer brigar, vamos brigar!
Os dois começaram a trocar golpes violentos no meio da Happy Spa.
Vice pulou de alegria.
— ISSO, PARCEIRO! MOSTRA PARA ELE!
Yukimi cruzou os braços.
— Vice!
— O quê? Estou incentivando a união entre espécies!
Ikki deu uma rasteira em Momotaros.
O Imagin vermelho caiu sobre uma almofada.
— ISSO NÃO VALE!
— Você disse que queria brigar! — respondeu Ikki.
Um vaso voou pela sala e se espatifou ao lado do DenLiner.
Daiji fechou os olhos, resignado.
Sakura tentava entender aquele caos enquanto Lovekov tremia de medo.
De repente, a energia dentro de Ikki mudou radicalmente.
Seu cabelo assentou-se, surgindo uma elegante mecha azul e óculos de armação fina sobre o nariz.
Ele parou de lutar.
Ajeitou a roupa suavemente.
Passou a mão pelos cabelos com charme refinado.
Seu olhar se tornou sedutor.
Urataros inclinou a cabeça, interessado.
— Oh?
Ikki aproximou-se de Sakura com um sorriso encantador.
— Ora, ora... Que bela dama temos aqui.
Sakura recuou um passo.
— Ikki? Sou sua irmã, esqueceu?
Ele pegou delicadamente a mão dela.
— Uma mulher tão bonita merece a companhia de um homem que saiba apreciar sua beleza.
Sakura ficou olhando para ele. Depois olhou para os demais.
— Por que meu irmão está falando assim?
Urataros levou a mão ao peito, emocionado.
— Finalmente alguém que compreende a importância do charme!
Aproximou-se e sussurrou no ouvido de Ikki, como um mestre orientando seu aprendiz.
— Calma, meu jovem. Menos é mais. Olhe nos olhos. Sorria só com metade do rosto.
— Urataros, não incentive! — pediu Ryotarou.
O Imagin azul ignorou o aviso.
Ikki assentiu, muito sério, e fez exatamente o contrário.
Virou-se para outra mulher presente no Spa e fez uma reverência exagerada.
— Posso acompanhá-la em uma conversa particular?
Daiji levou a mão ao rosto, constrangido.
Yukimi ficou paralisada, sem saber se ria ou se pedia desculpas à moça.
Ela agradecia aos céus pur Genta, seu marido não estar presente. A confusão seria pior.
Sakura ergueu o punho.
— Dá mais um passo e você vai ter uma conversa particular com o meu soco!
Ikki recuou imediatamente.
— Ah! Uma dama de personalidade forte! Fascinante!
Urataros levou a mão à testa.
— Eu disse “menos é mais”...
— Eu estou fazendo menos! — respondeu Ikki, fazendo mais.
Urataros se ajeitou, visivelmente constrangido pela primeira vez na vida.
— Não posso ser responsabilizado pelo excesso de talento do rapaz.
Ikki, ao ver Lovekov, se dirige a ela, e num gesto romântico, segura suas mãos e inclina o corpo dela na pretensão de um beijo.
Lovekov fica encantada e desmaia.
Irada, Sakura age.
—Ikki, você não me deu escolha...Me desculpe!
Ela desfere um soco no estômago do irmão.
Só que, ao invés dele cair ou gemer de dor, algo estranho acontece.
A energia mudou novamente em um raio dourado.
Os óculos sumiram. O cabelo de Ikki ganhou uma longa mecha amarelada e ele amarrou uma faixa tradicional japonesa na testa.
Ikki ficou imóvel. A postura se endireitou com peso absoluto.
Ele fechou os olhos e ergueu o queixo.
— O caminho do guerreiro é o caminho da honra...
Kintaros abriu os olhos.
— Hã?
Ikki assumiu uma posição de combate e sacou uma espada imaginária.
— Eu sou o samurai que protegerá os inocentes!
Vice arregalou os olhos.
— SAMURAI?!
Ikki deu um passo à frente.
Depois outro.
Então tropeçou no próprio pé.
— OOOOOPA!
Caiu de joelhos, rolou pelo chão e terminou sentado em cima de uma almofada.
O silêncio foi absoluto.
Momotaros começou a rir.
— Hahahahaha! O samurai mais desastrado do mundo!
Ikki levantou a espada imaginária.
— Não tema, cidadão! Foi apenas uma técnica secreta de movimentação!
Kintaros aproximou-se e colocou uma mão em seu ombro, com absoluta solenidade.
— Jovem samurai. Se deseja aprender o verdadeiro caminho da força, precisa treinar.
Ikki assentiu.
— Sim, mestre!
Kintaros ergueu o punho, sem um traço de humor no rosto.
— ORE NO TSUYOSA NI OMAE GA NAITA!
Ikki imitou o golpe com toda a convicção.
A espada imaginária atravessou o ar, derrubou uma estante de toalhas e ainda o fez acertar o próprio cotovelo.
— AI!
As toalhas caíram sobre a cabeça de Momotaros.
Kintaros observou o desastre, imóvel.
— Primeira lição. Um samurai sempre responde pelos estragos que causa.
Sakura ergueu a sobrancelha.
— Concordo plenamente com o mestre.
Vice caiu de joelhos de tanto rir.
— Hahahahaha! Parceiro, você é o pior samurai que eu já vi!
Ikki apontou a espada imaginária para ele.
— SILÊNCIO, DEMÔNIO!
Vice parou de rir por um instante.
— Ele me chamou de demônio com uma autoridade impressionante...
Mas a energia ainda não havia terminado de mudar.
Um brilho roxo cobriu Ikki.
Um boné virado para trás surgiu em sua cabeça, acompanhado de fones de ouvido no pescoço e uma vibrante mecha roxa no cabelo.
Uma música latina começou a tocar, alegre e irresistivelmente dançante.
Ryutaros ergueu os braços.
— É ESSA! A MACARENA!
Ikki, ainda sob a influência do Imagin roxo, virou-se para a sala com um sorriso enorme.
— MACARENA!
Ele começou a executar a coreografia com uma precisão absurda: braços para frente, para os lados, para cima, quadris girando no ritmo.
Cada movimento era exagerado, como se ele estivesse se apresentando para um estádio lotado.
Ryutaros dançava ao lado dele, radiante.
— Isso, Ikki! Mais alegria! Mais balanço!
Ikki girou, bateu palmas e apontou para Vice.
— VICE! VEM DANÇAR!
— NEM MORTO!
— É só seguir o ritmo!
— Eu sou um demônio, não um dançarino!
Ryutaros cantarolou o refrão, animado, e Ikki repetiu o gesto final com tanta empolgação que quase derrubou uma estante.
— HEY, MACARENA! — gritou Ikki.
Vice desabou no chão de tanto rir.
— Meu parceiro virou um demônio dançarino!
Ryutaros fez um biquinho.
— Ahhh... Mas vai ser divertido!
Ikki avançou na direção de Vice, ainda dançando.
Vice levantou-se imediatamente.
— Não! Não! Isso é crueldade com demônios!
— MACARENA! — gritou Ikki.
— SOCORRO!
Momotaros começou a rir tão alto que precisou apoiar-se em uma parede.
— Eu nunca vi nada tão ridículo na minha vida!
Kintaros cruzou os braços.
— Hmph! Uma dança sem qualquer disciplina marcial!...
Então Ikki passou por ele e o puxou pelo braço.
— VEM, MESTRE SAMURAI!
Kintaros foi arrastado para o meio da sala.
— O quê?! Espere! Eu não sei essa dança!
Ryutaros apontou para ele, entusiasmado.
— É só me imitar!
Em poucos segundos, Kintaros estava fazendo os movimentos da Macarena com uma expressão de profunda indignação.
Em pouco tempo, até Yukimi balançava os ombros sem perceber.
Daiji batia o pé no ritmo, fingindo não participar.
Deneb apareceu na entrada.
Observou Ikki dançando, Kintaros tentando acompanhar, Momotaros gargalhando e Vice fugindo.
Ficou parado por alguns instantes.
— Yuto... você não vai acreditar no que está acontecendo aqui.
Então percebeu que havia se enganado.
— Quero dizer... Ryotarou-san!
Ryotarou suspirou.
— Deneb, por favor, não tente explicar isso para o Yuto.
Deneb assentiu, preocupado.
— Acho que é melhor mesmo.
Finalmente, Ikki parou de dançar.
Seu corpo estremeceu.
Os acessórios imaginários desapareceram, as mechas coloridas sumiram e os Imagins foram expulsos de sua consciência em uma sequência de clarões.
Ele caiu sentado no chão, respirando profundamente.
— O que... aconteceu?
Todos ficaram olhando para ele.
Ikki passou os olhos pela sala destruída.
Uma cadeira estava virada. Duas almofadas haviam desaparecido sob os móveis. Kintaros continuava fazendo discretamente um dos passos da Macarena, sem perceber.
Ikki olhou para Vice.
— Parceiro... por que você está rindo?
Vice tentou responder, mas soltou uma gargalhada tão forte que precisou se apoiar no balcão.
— VOCÊ... VOCÊ... HAHAHAHA!
— O que eu fiz?!
Momotaros enxugou uma lágrima de riso.
— Você brigou comigo, tentou conquistar as mulheres da sua família, virou um samurai que não consegue andar em linha reta e dançou Macarena!
Ikki ficou imóvel.
Seu rosto perdeu a cor.
— Eu fiz o quê?!
Ryutaros levantou a mão, orgulhoso.
— Você dançou muito bem! Hehehe...
Ikki cobriu o rosto com as duas mãos.
— Eu quero desaparecer.
Vice colocou um braço ao redor dos ombros dele.
Por um instante, pareceu que finalmente teria um gesto de solidariedade.
— Calma, parceiro. Não precisa ficar assim.
Ikki olhou para ele, esperançoso.
Vice abriu um sorriso enorme.
— Eu gravei tudo na minha memória!
— VICE!
— HAHAHAHAHA!
Ikki levantou-se e começou a correr atrás dele.
Vice disparou pela Happy Spa, fazendo chifrinhos com os dedos.
— Você nunca vai me pegar!
— VOLTA AQUI!
Momotaros observou a perseguição com os braços cruzados.
— Hmph! Pelo menos o sujeito sabe correr.
Ryotarou suspirou, resignado.
— Momotaros, você prometeu que ajudaria os dois.
O Imagin vermelho desviou o olhar.
— E estou ajudando!
— Isso é ajudar?!
Momotaros sorriu de lado.
— Claro! Agora o Ikki tem uma história engraçada para contar quando estiver triste!
Ryotarou ficou em silêncio por alguns segundos.
Então sorriu discretamente.
Talvez Momotaros tivesse um jeito absurdo de demonstrar carinho.
Mas, no fundo, era exatamente assim que ele tentava ajudar alguém.
Naquele momento, Ikki reapareceu carregando uma almofada, enquanto Vice corria na frente dele.
— Parceiro, não vale jogar almofadas!
— Então para de rir!
A almofada voou.
Acertou Momotaros na cabeça.
O silêncio caiu sobre a Happy Spa.
Momotaros virou lentamente o rosto para Ikki.
Seus punhos começaram a estalar.
— Você...
Ikki engoliu em seco.
Vice apontou para Momotaros.
— CORRE, PARCEIRO!
E a segunda batalha do dia começou.
A confusão só terminou quando George conseguiu identificar a origem da possessão.
— Fascinating! — declarou ele, examinando os dados em seu equipamento. — A energia dos Imagins está interagindo com a assinatura demoníaca de Ikki de maneira temporária.
Sakura cruzou os braços.
— Em japonês George!
— Eles não chegaram a entrarem no corpo do seu irmão, como fazem com o Ryotarou, mas de alguma forma estão alternando o controle da mente dele! Estranho...
Daiji fechou os olhos.
— Eu sabia que não devia ter deixado aquele trem entrar aqui.
— Tecnicamente — continuou George —, não foi uma possessão convencional. As consciências dos Imagins encontraram uma espécie de ressonância com Ikki e estão assumindo o controle em breves intervalos.
— O fenômeno é autolimitado — acrescentou. — A ressonância se esgota assim que cada consciência passa pelo corpo dele. Não deve se repetir, a menos que a distorção aberta pelo DenLiner continue instável.
Momotaros ergueu o queixo.
— Traduzindo: somos incríveis!
— Traduzindo — respondeu Sakura —, vocês vão ajudar a limpar a Happy Spa!
—Papai não vai gostar nada em ver seu precioso Spa se tornar essa zona...
Todos os Imagins ficaram em silêncio.
Até Momotaros.
Vice ergueu a mão.
— Posso dar uma sugestão?
Yukimi olhou para ele.
— Se envolver uma piada, não.
Vice baixou a mão.
— Então não tenho nada a dizer.
Quando a situação finalmente se acalmou, Momotaros encontrou Ikki sentado perto da entrada.
Vice estava ao lado dele.
O Imagin vermelho aproximou-se, coçando a cabeça.
— Ei.
Ikki ergueu o olhar.
— O que foi?
Momotaros desviou os olhos por um instante.
— Você está bem?
Ikki pareceu surpreso.
— Estou.
— Ótimo.
Momotaros cruzou os braços.
— Porque eu não quero que você fique por aí choramingando como se o mundo tivesse acabado.
Vice franziu a testa.
— Você realmente não sabe conversar como uma pessoa normal, não é?
— Cala a boca, demônio!
A resposta veio imediata.
— Olha só quem fala.
Ikki riu.
Momotaros olhou para ele.
— O que foi agora?
— Nada. Só estou feliz.
O Imagin ficou quieto.
Ikki olhou para Vice.
— Pela primeira vez em muito tempo, eu ri de verdade.
Vice perdeu o sorriso brincalhão.
— Parceiro...
— Mesmo que tenha sido uma das experiências mais humilhantes da minha vida.
— Ah, isso foi mesmo! — acrescentou Momotaros.
Ikki pegou uma almofada.
Momotaros recuou.
— EI! SEM VIOLÊNCIA!
Vice começou a rir novamente.
E, por alguns minutos, a Happy Spa voltou a parecer uma casa de verdade.
Mas a verdadeira razão daquela visita ainda precisava ser resolvida.
Momotaros sabia disso.
A comédia havia servido para quebrar o silêncio entre Ikki e Vice.
Agora, chegara a hora de enfrentar o problema de verdade.


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